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sexta-feira, 26 de julho de 2019
Not a blogger
Há coisas que não entendo num blog. Com tudo o que este tem de obrigatoriedade, nos dias de hoje.
O espartilho de que tem que ter um certo 'tom' ou ser sobre tema A,B ou C.
Quando criei este blog, há muitos anos, foi numa altura em que queria escrever, deliberar, opinar sobre algumas coisas.
Foi catártico durante o tempo que teve que ser. Um tempo de solteirice aguda :) em que as horas não escasseavam para tudo o que se queria fazer.
Deixei-o adormecido. quieto. parado. morto.
Aconteceu tudo no meio dessa mortandade e o agora.
Uma paixão arrebatadora.
um filho.
Este filho.
O meu Manuel.
O meu filho.
Cliché de todas as mães que se prezem e dignas desse nome - 'a minha vida'.
Cliché mais bom, este, que respiramos, vivemos, ansiamos.
Não há nada que se assemelhe.
Aquele segundo em que sai de dentro de ti e te percorre eletricamente a sensação alucinante de que nunca mais estás sozinha e nunca mais terás vontade de viver no fio de faca nenhuma, a expensas de vontades alheias a não ser daquele ser que nasceu de amor em estado puro, visceral, cúmplice, arrebatador, infinito.
Engraçada esta coisa de entendermos os nossos pais através dos nossos filhos: as advertências, a preocupação, a ansiedade, o amor próprio que se esvai em amor pelo outro, o nada que se transforma em tudo, o acessório que se evapora no essencial, o medo de não ser suficiente e não saber gerir a familía nuclear esboroada em separação de progenitores e morte do meu pai.
O blog ficou cada vez mais longe, mais apagado, a password olvidada, o esgaravatar de uma luta para esquecer a tristeza de que um 'era para sempre' se tornou num acabou.
O pavor de não possuir forças para criar um filho sozinha: sem competência, estágio maternal, ou antecâmara de preparação; a ausência de um pai/avô babado que não chega a ver o suficiente de um neto altamente desejado e com um mundo de amor para dar, roubado por um cancro maldito e feroz.
Hoje vou reanimá-lo. Encontrei a password. vai ficar em banho-maria. Vou voltar cá. De vez em quando.
Etiquetas:
Amores,
Fragilidades,
Intimidades,
Maternidade,
O nosso mundo,
Vidas
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Untitled
E tinha valido a pena, naquele tempo e talvez, quem sabe, hoje
Depois dos fins de tarde, da praia, do sol e das férias...
Entre amor clandestino e fogoso e palavras doces de apego
Hoje, teria valido a pena.
Tinha valido a pena ter encerrado a discussão num abraço
Ter-se amassado tudo e espremido o melhor
Ignorado o que era apenas anexo
Emoldurado o que foi superior.
Tinha valido a pena.
Não tivessem os dois a cabeça casmurra
Menos amor que o devido para oferecer
Menos desmerecido orgulho para dar e vender,
Oh tempo gasto a viver para sofrer.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Coragem
É dos fracos que a história não reza. São os fortes que lhes ganham a corrida aos pontos e nos momentos mais importantes. Não deveriam ser estes, mas os puramente românticos a ter lugar no pódio e a trajar a camisola amarela. Tinha que dizer isto hoje, pois foi hoje (e é tão raro) que presenciei um acto de amor.
Trabalho num edifício que tem uma vista panorâmica privilegiada da cidade do Porto, muito próximo da Ponte da Arrábida. Estava a executar mais uma das muitas tarefas enfadonhas que me cumpre fazer quando olho lá para fora e vejo uma avioneta a rasgar o céu com uma mensagem que dizia: ‘Amo-te Patrícia. Fica comigo’.
Fiquei totalmente rendida. Ficámos totalmente rendidas. Eu e todas as outras mulheres do departamento, arrisco mesmo a espraiar a rendição a todas as mulheres do edifício que tem nada mais, nada menos do que nove andares. E que eu saiba essa tal de Patrícia nem sequer cá trabalha! Não há justiça neste mundo!
Fiquei a pensar ‘e se este tipo se deu a este trabalho (e dinheiro) todo para esta mulher nem sequer ver a mensagem’? – que desperdício de euros, esforço, recursos, coragem e paixão. É por um momento deste que uma mulher espera uma vida inteira. Abençoados os homens/amantes com este tipo de sensibilidade (para alguns será desespero) e com coragem e ambição para aparecerem a ‘nu’ perante o ser amado e com público a assistir. Uma coisa vos garanto, todas as mulheres que assistiram a isto ficaram embevecidas e asseguro-vos que a maior percentagem delas nem sequer se chamava Patrícia!
Trabalho num edifício que tem uma vista panorâmica privilegiada da cidade do Porto, muito próximo da Ponte da Arrábida. Estava a executar mais uma das muitas tarefas enfadonhas que me cumpre fazer quando olho lá para fora e vejo uma avioneta a rasgar o céu com uma mensagem que dizia: ‘Amo-te Patrícia. Fica comigo’.
Fiquei totalmente rendida. Ficámos totalmente rendidas. Eu e todas as outras mulheres do departamento, arrisco mesmo a espraiar a rendição a todas as mulheres do edifício que tem nada mais, nada menos do que nove andares. E que eu saiba essa tal de Patrícia nem sequer cá trabalha! Não há justiça neste mundo!
Fiquei a pensar ‘e se este tipo se deu a este trabalho (e dinheiro) todo para esta mulher nem sequer ver a mensagem’? – que desperdício de euros, esforço, recursos, coragem e paixão. É por um momento deste que uma mulher espera uma vida inteira. Abençoados os homens/amantes com este tipo de sensibilidade (para alguns será desespero) e com coragem e ambição para aparecerem a ‘nu’ perante o ser amado e com público a assistir. Uma coisa vos garanto, todas as mulheres que assistiram a isto ficaram embevecidas e asseguro-vos que a maior percentagem delas nem sequer se chamava Patrícia!
domingo, 4 de maio de 2008
Não me sais da cabeça
Apaixonam-me a tua sagacidade e clarividência para o que queres para a vida.
Entusiasmam-me a sede e o apetite voraz do teu agora vivido intensa e agudamente.
Encorajam-me os teus momentos mais lúcidos em que sem hesitação falas do que sentes e anseias com avidez e certeza.
Alentam-me as tuas palavras num turbilhão proferidas, com pedidos de promessas e ofertas de um afecto perfeito, exequível e eterno.
Conforta-me o teu saudável ciúme correspondido sem meias palavras e sem preconceitos.
Acalentam-me os teus desejos em harmonia e uníssono com os meus que pensava amortecidos e extintos.
Anima-me o tempo que queres só para nós.
Preocupa-me a tua intermitência e o teu espaço de dúvida.
Inquieta-me que o teu estares pronto para tudo se esvaia em descuido.
Agita-me pensar em arriscar e esvaziar o que sinto.
Alarma-me que o bom que tivemos não supere o mau que nos inquieta o espírito.
A prova que Deus não existe é não ter feito os homens carneiros para se alimentarem das ervas do monte ou porcos para a bolota. Fez-nos Homens, machos e fêmeas, carentes de amar e ser amados. Às vezes custa tanto e é tão sofredor.
Corrijo o que disse....somos nós e não Deus quem nos fez fazermos do amor uma coisa árdua: quando queremos o que (achamos que) não temos quando já temos o que nos faz feliz ou complicamos o que é fácil e bom e cambiamo-lo ao desbarato e sem licitação por atritos e conflitos invalidados num punhado de nada.
Não há psi20, métrica, medida ou peso que meça ou faça as contas ao amor. É algo que se sente ou não se sente. Quando se sente, luta-se com suor, lágrimas, unhas e dentes até ao último fôlego ou rasgo de vida.
Entusiasmam-me a sede e o apetite voraz do teu agora vivido intensa e agudamente.
Encorajam-me os teus momentos mais lúcidos em que sem hesitação falas do que sentes e anseias com avidez e certeza.
Alentam-me as tuas palavras num turbilhão proferidas, com pedidos de promessas e ofertas de um afecto perfeito, exequível e eterno.
Conforta-me o teu saudável ciúme correspondido sem meias palavras e sem preconceitos.
Acalentam-me os teus desejos em harmonia e uníssono com os meus que pensava amortecidos e extintos.
Anima-me o tempo que queres só para nós.
Preocupa-me a tua intermitência e o teu espaço de dúvida.
Inquieta-me que o teu estares pronto para tudo se esvaia em descuido.
Agita-me pensar em arriscar e esvaziar o que sinto.
Alarma-me que o bom que tivemos não supere o mau que nos inquieta o espírito.
A prova que Deus não existe é não ter feito os homens carneiros para se alimentarem das ervas do monte ou porcos para a bolota. Fez-nos Homens, machos e fêmeas, carentes de amar e ser amados. Às vezes custa tanto e é tão sofredor.
Corrijo o que disse....somos nós e não Deus quem nos fez fazermos do amor uma coisa árdua: quando queremos o que (achamos que) não temos quando já temos o que nos faz feliz ou complicamos o que é fácil e bom e cambiamo-lo ao desbarato e sem licitação por atritos e conflitos invalidados num punhado de nada.
Não há psi20, métrica, medida ou peso que meça ou faça as contas ao amor. É algo que se sente ou não se sente. Quando se sente, luta-se com suor, lágrimas, unhas e dentes até ao último fôlego ou rasgo de vida.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Mudanças
Poupamos muito tempo quando percorremos um caminho e sabemos, de antemão, o que procuramos. A vida é busca incessante, por vezes ingrata. Tempo é dinheiro, dizem os entendidos. E se no poupar é que está o ganho a partir daqui é só economizar. Os mesmos entendidos apregoam que o dinheiro faz mover o mundo. Discordo, totalmente. O AMOR faz mover o mundo. Seja o amor pelo níquel ou aquele que sentimos uns pelos outros.
A receita?....bem, não há receitas. É aceitar que nem todos as dádivas da vida são boas. Lutar pelas que valem a pena e consentir com o que não se pode mudar. O caminho que queremos é o amor. Ninguém vive sem ele e toda a gente o procura. Uns conseguem-no sem muito procurar, é antes ele que os encontra. Outros há que vasculham até em baixo do último calhau do caminho e nada. Se todos os caminhos vão dar a Roma (já percorri a minha rua de fio a pavio e não cheguei lá!), nem todos os percursos vão dar ao Amor.
Alguém criou o homem e a mulher e depois, certamente entediado, criou este sentimento sem o qual nos sentimos sem Norte. É a única explicação plausível. Não há receita, mas há ditado popular que diz que quem busca sempre alcança. Se o alcance é o que sonhámos? Pode não ser. Mas o que sonhámos na infância não é o mesmo que na idade adulta. Começámos por querer a ficção do príncipe encantado que nos alforria da masmorra em cavalo alado e nos faz voar pelos céus do bem-querer e do afecto. Quando percebemos, já espigadotes, que o príncipe pode até ser o sapo ou a rã, mas tem uma certa piada e nos faz sentir bem...que se lixe o ‘imperador’ e venha o anfíbio esverdeado.
Aprendemos a lidar com aquilo que temos, a escapar do mal que já vivemos e a valorizar quem nos acompanha SÓ porque se sente bem com o nosso sorriso. Às vezes, está ali mesmo ao nosso ladinho e nem demos conta. Anos a fio, cegos com o vislumbre e encandeamento do sonho, um dia, felizmente, acordados para a realidade.
Capacitemo-nos que o ‘grande’ problema que podemos sentir que temos hoje entre mãos, entre braços e entre pés (ou tudo misturado - não tivéssemos nós grande capacidade para empolar e pôr pilhas no que está mal) pode desaparecer num ápice como amendoim em tromba de elefante, tragado em menos de dez segundos, com direito a toque de sineta. Basta, para isso, que olhemos à nossa volta e deixemos que ‘estranhos’ nos amem e aceitemos esse amor como convite para uma coisa maior.
Escutei, incessantemente, enquanto petiz ‘Não fales com estranhos ou com pessoas que não conheces’. Hoje penso, “É dos ‘conhecidos’ que devemos ter medo. São esses que nos fazem mal, com a nossa inocente ‘conivência’”. Ensinamentos distintos (mas nem tanto assim) que só com o passar dos anos e, felizmente, só com a convivência com pessoas de algum calibre passamos a compreender.
A receita?....bem, não há receitas. É aceitar que nem todos as dádivas da vida são boas. Lutar pelas que valem a pena e consentir com o que não se pode mudar. O caminho que queremos é o amor. Ninguém vive sem ele e toda a gente o procura. Uns conseguem-no sem muito procurar, é antes ele que os encontra. Outros há que vasculham até em baixo do último calhau do caminho e nada. Se todos os caminhos vão dar a Roma (já percorri a minha rua de fio a pavio e não cheguei lá!), nem todos os percursos vão dar ao Amor.
Alguém criou o homem e a mulher e depois, certamente entediado, criou este sentimento sem o qual nos sentimos sem Norte. É a única explicação plausível. Não há receita, mas há ditado popular que diz que quem busca sempre alcança. Se o alcance é o que sonhámos? Pode não ser. Mas o que sonhámos na infância não é o mesmo que na idade adulta. Começámos por querer a ficção do príncipe encantado que nos alforria da masmorra em cavalo alado e nos faz voar pelos céus do bem-querer e do afecto. Quando percebemos, já espigadotes, que o príncipe pode até ser o sapo ou a rã, mas tem uma certa piada e nos faz sentir bem...que se lixe o ‘imperador’ e venha o anfíbio esverdeado.
Aprendemos a lidar com aquilo que temos, a escapar do mal que já vivemos e a valorizar quem nos acompanha SÓ porque se sente bem com o nosso sorriso. Às vezes, está ali mesmo ao nosso ladinho e nem demos conta. Anos a fio, cegos com o vislumbre e encandeamento do sonho, um dia, felizmente, acordados para a realidade.
Capacitemo-nos que o ‘grande’ problema que podemos sentir que temos hoje entre mãos, entre braços e entre pés (ou tudo misturado - não tivéssemos nós grande capacidade para empolar e pôr pilhas no que está mal) pode desaparecer num ápice como amendoim em tromba de elefante, tragado em menos de dez segundos, com direito a toque de sineta. Basta, para isso, que olhemos à nossa volta e deixemos que ‘estranhos’ nos amem e aceitemos esse amor como convite para uma coisa maior.
Escutei, incessantemente, enquanto petiz ‘Não fales com estranhos ou com pessoas que não conheces’. Hoje penso, “É dos ‘conhecidos’ que devemos ter medo. São esses que nos fazem mal, com a nossa inocente ‘conivência’”. Ensinamentos distintos (mas nem tanto assim) que só com o passar dos anos e, felizmente, só com a convivência com pessoas de algum calibre passamos a compreender.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Pensamento do dia
One evening's love starts with a kiss. Tonight let's be lovers...say you will.
(DMB - What else?)
(DMB - What else?)
Deixei-me cair tão forte, dentro de ti:
como uma distraída em areia movediça lutando para me libertar, mas sabendo que a certeza era o fim;
como o afogado que vem à tona, vezes sem conta, em golfadas e litradas de água mortais, esbracejantes, derradeiras e sem fôlego.
Estava sentada, serena.
Passaste pela ‘minha porta’, ao meu encontro, disposto a amar-me e com promessas. Quiseste que te amasse e incitaste-me, ‘Fá-lo! Sente-o sem medo!’.
Fiz-te sentir um miúdo, mas sabia que não o eras. E as brincadeiras de menino já não faziam sentido.
Deixei-me cair, tão forte, dentro de ti.
É por isso que, contigo, não posso dizer o que sinto.
Quis ficar, mas pensei (depois de tudo)
‘tenho que sair daqui para fora’
por ter caído, tão profundamente, em ti.
Quis ficar, mas penso
que vou sair daqui.
como uma distraída em areia movediça lutando para me libertar, mas sabendo que a certeza era o fim;
como o afogado que vem à tona, vezes sem conta, em golfadas e litradas de água mortais, esbracejantes, derradeiras e sem fôlego.
Estava sentada, serena.
Passaste pela ‘minha porta’, ao meu encontro, disposto a amar-me e com promessas. Quiseste que te amasse e incitaste-me, ‘Fá-lo! Sente-o sem medo!’.
Fiz-te sentir um miúdo, mas sabia que não o eras. E as brincadeiras de menino já não faziam sentido.
Deixei-me cair, tão forte, dentro de ti.
É por isso que, contigo, não posso dizer o que sinto.
Quis ficar, mas pensei (depois de tudo)
‘tenho que sair daqui para fora’
por ter caído, tão profundamente, em ti.
Quis ficar, mas penso
que vou sair daqui.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Sem título (ainda)
Era uma estrela de cinema. Pelo menos era o que ele achava. Nunca a tinha visto por ali, mas bastou olhar uma vez para ficar inteiramente convencido. Até nervoso estava, tanto, mas tanto que até se pôs a garatujar assinaturas na toalha de papel da mesa que sempre tinha achado sem graça, preferia toalhas de pano, mas que hoje lhe convinha tão bem para disfarçar os nervos.
Jantava todos os dias no Salmoura. Sempre e de há uns anos para cá era uma das suas rotinas diárias. O mesmo ‘Boa noite, senhor José, como estamos, hoje?’, a mesma resposta ‘Boa noite, senhor Dr. Vou já atendê-lo’. Não que não gostasse da comida da Dª Natércia, sua empregada há tantos anos, mas todos os dias olhava para o prato encoberto por outro com o esmero, a dedicação e o primor que só ela sabia preparar, acompanhado do mesmo bilhete ‘Que lhe saiba bem, menino’, e todos os dias o oferecia de presente ao seu gato Homero que tão satisfeito lambia os bigodes depois do repasto. Nunca ninguém soube: nem a Dona Natércia que era o Homero que se lambuzava com a sua dedicação, nem o Sr. José que ele tinha, diariamente, conduto distinto para jantar e que preferia o seu bife, nem ele próprio porque prescindia do calor da comida da Dª Natércia a favor da afabilidade do bife do dono do restaurante. Seria o bife ou o hábito do ritual, da mesma cara, do mesmo vinho, da mesma toalha de papel que tanto o irritava até àquele dia? Não sabia. Sabia que todos os dias passava em casa depois do trabalho, afagava o gato, lia o bilhete, destapava o prato desejado pelo felino, voltava costas e caminhava ao encontro do bife do Sr. José.
Hoje sentia-se diferente. Não que o bife estivesse mais tenro ou o Sr. José mais terno. Não que o dia lhe tivesse corrido melhor ou pior. Mas depois de a ver, a vida parecia bem mais aprazível. Olhava de soslaio para que não pensassem que era uma espécie de perseguidor ou voyeur. Sentiu-se mal por ela, por eles. Desde que tinham chegado, as únicas palavras trocadas tinham sido acerca das opções do menu. Comiam em silêncio. O olhar dela tristonho e sem brilho. Estava apagada, da forma como só as estrelas de cinema sabem ficar quando obrigadas a interpretar um triste papel. Não era feliz, ou pelo menos não estava feliz, ao lado daquele homem, também ele com dentadura de artista e com ar infeliz, mas seguro de si.
Naquele instante sentiu-se arrojado e afoito, capaz de a amar profunda, íntima e eternamente. Tinha desaparecido o rotineiro, acanhado e acobardado homem que o representava e só lhe apetecia levantar-se da cadeira, caminhar até ela, abotoar-lhe a mão e fugir dali. Subitamente, o suor escorria-lhe na fronte, a ânsia assanhada e sincopada, a inquietação incontrolada e descuidada, as mãos suadas do desassossego exasperado, as pálpebras nervosas como se sentisse o ritmo cardíaco na visão vigilante, as palavras entupidas e emudecidas na garganta, as pernas narcotizadas ao movimento, o coração galopante nas certezas e incertezas da atitude que desejava ardentemente tomar, a vontade frouxa e depois moribunda. Do lado dela, nem um sinal. Era isso que ele esperava: um olhar, um indício, um ‘força, coragem, é a ti que eu quero, salva-me daqui’!
Seria tudo da sua imaginação? Dar-se-ia o caso de que ela não estava triste, mas apenas exaurida. Todos sabemos que as estrelas de cinema sabem fingir e têm aquela dificuldade em ‘despir-se’ da personagem. Podia ter-se dado o caso de que ela tivesse estado a filmar antes do jantar e ainda estivesse imbuída daquele espírito.
Desde pequeno que era assim. Empolgava-se com algo, fazia o ‘filme’, alimentava o entusiasmo e depois abrandava, travava o impulso e não se permitia levar o desejo até ao fim. Não tinha coragem. Tinha receio de se tornar ridículo, de falhar, de não parecer prometedor o suficiente. Decidiu deixar de ser expansivo, pôs freio na ansiedade apaixonada, travou o medo que já sentia de não a ter ou de a perder sem nunca a ter tido, riscou os gatafunhos na toalha de papel, olhou para o prato, fechou os talheres, pagou a conta com um ‘Boa noite, Sr. José’, e saiu.
Nunca mais a viu, não lhe sabe o nome, mas sabe que aquela mulher era especial e não há dia em que não pense se na cabeça dela ele já passou, um dia.
Jantava todos os dias no Salmoura. Sempre e de há uns anos para cá era uma das suas rotinas diárias. O mesmo ‘Boa noite, senhor José, como estamos, hoje?’, a mesma resposta ‘Boa noite, senhor Dr. Vou já atendê-lo’. Não que não gostasse da comida da Dª Natércia, sua empregada há tantos anos, mas todos os dias olhava para o prato encoberto por outro com o esmero, a dedicação e o primor que só ela sabia preparar, acompanhado do mesmo bilhete ‘Que lhe saiba bem, menino’, e todos os dias o oferecia de presente ao seu gato Homero que tão satisfeito lambia os bigodes depois do repasto. Nunca ninguém soube: nem a Dona Natércia que era o Homero que se lambuzava com a sua dedicação, nem o Sr. José que ele tinha, diariamente, conduto distinto para jantar e que preferia o seu bife, nem ele próprio porque prescindia do calor da comida da Dª Natércia a favor da afabilidade do bife do dono do restaurante. Seria o bife ou o hábito do ritual, da mesma cara, do mesmo vinho, da mesma toalha de papel que tanto o irritava até àquele dia? Não sabia. Sabia que todos os dias passava em casa depois do trabalho, afagava o gato, lia o bilhete, destapava o prato desejado pelo felino, voltava costas e caminhava ao encontro do bife do Sr. José.
Hoje sentia-se diferente. Não que o bife estivesse mais tenro ou o Sr. José mais terno. Não que o dia lhe tivesse corrido melhor ou pior. Mas depois de a ver, a vida parecia bem mais aprazível. Olhava de soslaio para que não pensassem que era uma espécie de perseguidor ou voyeur. Sentiu-se mal por ela, por eles. Desde que tinham chegado, as únicas palavras trocadas tinham sido acerca das opções do menu. Comiam em silêncio. O olhar dela tristonho e sem brilho. Estava apagada, da forma como só as estrelas de cinema sabem ficar quando obrigadas a interpretar um triste papel. Não era feliz, ou pelo menos não estava feliz, ao lado daquele homem, também ele com dentadura de artista e com ar infeliz, mas seguro de si.
Naquele instante sentiu-se arrojado e afoito, capaz de a amar profunda, íntima e eternamente. Tinha desaparecido o rotineiro, acanhado e acobardado homem que o representava e só lhe apetecia levantar-se da cadeira, caminhar até ela, abotoar-lhe a mão e fugir dali. Subitamente, o suor escorria-lhe na fronte, a ânsia assanhada e sincopada, a inquietação incontrolada e descuidada, as mãos suadas do desassossego exasperado, as pálpebras nervosas como se sentisse o ritmo cardíaco na visão vigilante, as palavras entupidas e emudecidas na garganta, as pernas narcotizadas ao movimento, o coração galopante nas certezas e incertezas da atitude que desejava ardentemente tomar, a vontade frouxa e depois moribunda. Do lado dela, nem um sinal. Era isso que ele esperava: um olhar, um indício, um ‘força, coragem, é a ti que eu quero, salva-me daqui’!
Seria tudo da sua imaginação? Dar-se-ia o caso de que ela não estava triste, mas apenas exaurida. Todos sabemos que as estrelas de cinema sabem fingir e têm aquela dificuldade em ‘despir-se’ da personagem. Podia ter-se dado o caso de que ela tivesse estado a filmar antes do jantar e ainda estivesse imbuída daquele espírito.
Desde pequeno que era assim. Empolgava-se com algo, fazia o ‘filme’, alimentava o entusiasmo e depois abrandava, travava o impulso e não se permitia levar o desejo até ao fim. Não tinha coragem. Tinha receio de se tornar ridículo, de falhar, de não parecer prometedor o suficiente. Decidiu deixar de ser expansivo, pôs freio na ansiedade apaixonada, travou o medo que já sentia de não a ter ou de a perder sem nunca a ter tido, riscou os gatafunhos na toalha de papel, olhou para o prato, fechou os talheres, pagou a conta com um ‘Boa noite, Sr. José’, e saiu.
Nunca mais a viu, não lhe sabe o nome, mas sabe que aquela mulher era especial e não há dia em que não pense se na cabeça dela ele já passou, um dia.
Dia do amor
Gosto deste dia.
O dia da benquerença e do São Valentim auxiliado por todos os anjinhos papudos, roliços, corados, encaracolados, dourados e semi-nus que voam, sem serem vistos, acima das nossas cabeças para, quando menos esperamos,…plim!!….nos alvejarem, sem permissão ou consentimento, com as setas indolores do afecto e do amor. Setas, se for no bom sentido e o par emparelhado tiver resultado positivo, pernas-para-andar e mostras de juízo amoroso; farpões, se a união for desastrosa como aquelas às quais tantas vezes assistimos. Mas não é dessas que neste dia tão bom se vem aqui falar.
De todos os feriados que existem, esta é A Festividade que merecia folga concedida pelo governo. Um dia votado ao amor para fazermos com a nossa cara-metade TUDO o que nos outros dias não temos tempo ou integral disponibilidade para fazer. Um dia dedicado às escapadelas e escapadinhas (tudo dentro da legalidade e fidelidade, claro), ao amor melado, aos corações ao rubro, às fantasias e aos devaneios amorosos, à febre do sexo intenso, aos minutos de imperturbabilidade pós-sexo, melhores ainda que o próprio acto em si, às carícias, aos desabafos, às rosas escarlates ou as que houver disponíveis, aos segredos, às cumplicidades e ao tempo útil para amar – a melhor coisa do mundo.
É cliché dizer que o dia dos namorados é como o Natal – sempre que um homem quiser. Abaixo os chavões de que o dia dos namorados é todos os dias….porque é que não hão-de deixar um tipo ter um dia especial e olhar para ele como distinto dos outros todos? Para que é que inventam estas querelas para justificar a mesma atitude desinteressada, em relação ao amor, que alguns têm 365 dias por ano?! Não pode uma gaja saber que, pelo menos, no calendário, este dia está assinalado como o dia do Amor e é especial?!
Irra!!! Deixem o comum mortal, pelo menos, hoje, ter direito a um miminho diferente e fazer enriquecer o Senhor-qué-frô, um habitué destas ocasiões e celebrações românticas.
O dia da benquerença e do São Valentim auxiliado por todos os anjinhos papudos, roliços, corados, encaracolados, dourados e semi-nus que voam, sem serem vistos, acima das nossas cabeças para, quando menos esperamos,…plim!!….nos alvejarem, sem permissão ou consentimento, com as setas indolores do afecto e do amor. Setas, se for no bom sentido e o par emparelhado tiver resultado positivo, pernas-para-andar e mostras de juízo amoroso; farpões, se a união for desastrosa como aquelas às quais tantas vezes assistimos. Mas não é dessas que neste dia tão bom se vem aqui falar.
De todos os feriados que existem, esta é A Festividade que merecia folga concedida pelo governo. Um dia votado ao amor para fazermos com a nossa cara-metade TUDO o que nos outros dias não temos tempo ou integral disponibilidade para fazer. Um dia dedicado às escapadelas e escapadinhas (tudo dentro da legalidade e fidelidade, claro), ao amor melado, aos corações ao rubro, às fantasias e aos devaneios amorosos, à febre do sexo intenso, aos minutos de imperturbabilidade pós-sexo, melhores ainda que o próprio acto em si, às carícias, aos desabafos, às rosas escarlates ou as que houver disponíveis, aos segredos, às cumplicidades e ao tempo útil para amar – a melhor coisa do mundo.
É cliché dizer que o dia dos namorados é como o Natal – sempre que um homem quiser. Abaixo os chavões de que o dia dos namorados é todos os dias….porque é que não hão-de deixar um tipo ter um dia especial e olhar para ele como distinto dos outros todos? Para que é que inventam estas querelas para justificar a mesma atitude desinteressada, em relação ao amor, que alguns têm 365 dias por ano?! Não pode uma gaja saber que, pelo menos, no calendário, este dia está assinalado como o dia do Amor e é especial?!
Irra!!! Deixem o comum mortal, pelo menos, hoje, ter direito a um miminho diferente e fazer enriquecer o Senhor-qué-frô, um habitué destas ocasiões e celebrações românticas.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Inversão
Tinha tudo para dar certo.
Moral da história:
Tinhas razão. Podemos, mesmo, apaixonar-nos num dia.
Guardo o momento em que te conheci, o ter-te achado especial e diferente, o apaixonar-me sem saber, os poemas de amor (que pareciam) precoces, os lábios secos quando estavas perto, as mãos dadas debaixo da mesa para que ninguém percebesse o que queríamos secreto, a insegurança de te olhar nos olhos com medo que não fosses meu e real, as carícias debaixo de um cobertor ao ar livre em dia de festa.
Guardo a primeira noite de amor, o 'tira a roupa que ficas mais confortável para vermos televisão no quarto', a urgência que tinhas que eu fosse directa do trabalho para tua casa, o cesto das flores campestres, as mensagens bonitas e sempre enviadas antes de adormecer, a música tocada ao piano no meu voicemail, as fugidas com desculpas para comprarmos cigarros só para nos entregarmos num beijo, o ter-te dito que não queria que aquilo fosse, apenas, um amor de Verão.
Lembro-me de dizer que era cedo p'ra tudo e de tu não quereres que fosse tarde de mais, das dúvidas e das inseguranças dos dois, do direito que achavas que tinhas de ser feliz, apesar de todos os impedimentos, da frase 'estas férias e a ausência física vão ser uma prova de fogo' (sapiência precoce para uma 'morte' anunciada).
Guardo tudo isso....era bom, foi bom!
Lembro-me do acidente.......
De querer estar perto e ter que ficar longe: era a cerca, eram as férias, era a mãe, eram os filhos, era o medo transformado em pânico, era a ex e as amigas que eram mais do que isso,foi o ficar reduzida a um postal e duas fotos; foi a transformação, o desassossego, a distância, o cuidado ou a falta dele, a demasiada sensatez, o fazer mal a achar que era o bem. Os maus conselhos dos outros, os bons (poucos), mas não ouvidos. Que era melhor dar espaço e talvez para sempre. A decisão. O abandono (meu e teu). O sentimento de falta de amor.
Hoje não posso esquecer as críticas, os insultos, o nome 'rameira' pelo meio vindo do nada ou, muito pior, vindo do amor que eu tinha, as injustiças, a vingança, a perturbação, a perda de controlo, o fazer mal gratuitamente sem ter noção do estrago, o egoísmo, o desaparecimento da sensibilidade, do respeito, da sensatez, do diálogo, da necessidade, do carinho, da admiração, do sentido de espaço.
Moral da moral da história:
Podia, mesmo, ter dado certo.
Moral da história:
Tinhas razão. Podemos, mesmo, apaixonar-nos num dia.
Guardo o momento em que te conheci, o ter-te achado especial e diferente, o apaixonar-me sem saber, os poemas de amor (que pareciam) precoces, os lábios secos quando estavas perto, as mãos dadas debaixo da mesa para que ninguém percebesse o que queríamos secreto, a insegurança de te olhar nos olhos com medo que não fosses meu e real, as carícias debaixo de um cobertor ao ar livre em dia de festa.
Guardo a primeira noite de amor, o 'tira a roupa que ficas mais confortável para vermos televisão no quarto', a urgência que tinhas que eu fosse directa do trabalho para tua casa, o cesto das flores campestres, as mensagens bonitas e sempre enviadas antes de adormecer, a música tocada ao piano no meu voicemail, as fugidas com desculpas para comprarmos cigarros só para nos entregarmos num beijo, o ter-te dito que não queria que aquilo fosse, apenas, um amor de Verão.
Lembro-me de dizer que era cedo p'ra tudo e de tu não quereres que fosse tarde de mais, das dúvidas e das inseguranças dos dois, do direito que achavas que tinhas de ser feliz, apesar de todos os impedimentos, da frase 'estas férias e a ausência física vão ser uma prova de fogo' (sapiência precoce para uma 'morte' anunciada).
Guardo tudo isso....era bom, foi bom!
Lembro-me do acidente.......
De querer estar perto e ter que ficar longe: era a cerca, eram as férias, era a mãe, eram os filhos, era o medo transformado em pânico, era a ex e as amigas que eram mais do que isso,foi o ficar reduzida a um postal e duas fotos; foi a transformação, o desassossego, a distância, o cuidado ou a falta dele, a demasiada sensatez, o fazer mal a achar que era o bem. Os maus conselhos dos outros, os bons (poucos), mas não ouvidos. Que era melhor dar espaço e talvez para sempre. A decisão. O abandono (meu e teu). O sentimento de falta de amor.
Hoje não posso esquecer as críticas, os insultos, o nome 'rameira' pelo meio vindo do nada ou, muito pior, vindo do amor que eu tinha, as injustiças, a vingança, a perturbação, a perda de controlo, o fazer mal gratuitamente sem ter noção do estrago, o egoísmo, o desaparecimento da sensibilidade, do respeito, da sensatez, do diálogo, da necessidade, do carinho, da admiração, do sentido de espaço.
Moral da moral da história:
Podia, mesmo, ter dado certo.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
E se...
E se o mundo acabar e não tiver tempo para tudo?
E se me faltarem os que amo, por quem dou o mundo?
E se o barco se vira e depressa me afundo?
E se o fio de vida se tornar moribundo?
E se o tanto que tenho se tornar num nada?
E se não te encontrar no topo da escada?
E se morro de amor por não ser amada?
E se tu desistires de uma assentada?
E se adormeço um dia e nunca desperto?
E se vivo para ti de coração aberto?
E se morro no dia em que não ficares perto?
E se não corro para ti quando estiveres liberto?
E se tudo perco e por nada me agito?
E se peço ajuda sem me ouvirem o grito?
E se mexem comigo quando me fico?
E se esmoreço para não mais amar?
E se tudo o que é bom de repente acabar?
E se, apesar de tudo, continuar a falhar?
Começar de novo é um grande princípio.
Ninguém diga que é fácil.
Podemos fazê-lo mudando os outros.
… ou simplesmente a nós mesmos.
O melhor…. é uma parte de cada.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Abecedário Português (de Amor)
Amar-te é…
Abrir-te o meu peito e convidar-te a amar.
Abraçar a tua vida e torná-la nossa.
Ampliar o sentimento todos os dias.
Agradecer, diariamente, a tua presença.
Afagar-te a alma quando estiver inquieta.
Beijar cada centímetro do teu corpo.
‘Beber-te’, sem desperdício, até à última gota.
Brincar distraída quando te tornares absorto.
Cantar encantada por te embalar o sono.
Curar-te as feridas e mágoas abertas;
Chorar, contigo, quando elas não fecham.
Deixar-te entrar para te apaziguar.
Desejar-te em qualquer hora, altura ou lugar.
Dedilhar-te o corpo para teu bel-prazer.
Dar-te o que precisas sem esperar receber.
Envolver-me em ti sem me querer afastar.
Encantar-me com os teus defeitos sem me assustar.
Escavar o nosso terreno amoroso quando estéril e inóspito.
‘Estudar’ o teu corpo em sistema 'braille'.
Embalsamar o nosso amor para que fique intacto;
Esculpi-lo em pedra para o Eternizar.
Ficar sem um pingo de vergonha nas noites de amor.
Fazer-te feliz para todo o sempre.
Fundir-me contigo numa cama quente.
Ganhar-te como prémio, mas nunca de guerra.
Gingar o meu corpo em cima do teu.
Galgar montes e vales, percorrer mar e terra.
Honrar-te sempre, inequivocamente.
Homenagear-te por me fazeres feliz.
Herdar-te em vida e na morte…e p'ra sempre.
Impedir que te vás pois quero que fiques.
Içar-te quando te sentires abaixo do chão.
Ignorar as investidas dos que nos querem mal.
Inquietar-te o desejo de nos amarmos no chão.
Jurar-te amor, eternamente.
Jorrar sobre ti, desesperadamente.
Julgar-te jamais, indubitavelmente.
Lembrar-me que nos pertencemos.
Lançar-me nos teus braços sem rede e sem medo.
Lutar por ti sem nos apercebermos.
Matar só o tempo em que não estamos juntos.
Mandriar contigo na preguiça de Domingo.
Menosprezar conflitos, fricções e atritos.
Namorar-te o corpo, a alma e o espírito.
Nascer e renascer vezes e vezes sem conta.
Oscular-te até que me doam os lábios.
Obrigar-me a ficar quando estou desistente.
Observar o teu sono como o melhor presente.
Procurar-te em cada canto de mim.
Perder-me em ti, em nós e aqui.
Percorrer o teu ser e encaixá-lo no meu.
Querer-te bem e acima de tudo.
Quitar-te a roupa e deixar-te mudo.
Rir de mim, de ti e de nós.
Reencontrar-te quando estiveres perdido.
Reconquistar-te quando for abandonada.
Redimir-me quando me tornar derrotada.
Saber, desde sempre, que foste feito para mim.
Sorrir de ter ver acordar assim.
Tocar-te e sentir a melhor parte do meu corpo a ser tocada.
Tender-te a minha mão mesmo amuada.
Urdir tramas e retalhos de amor para nos manter quentes.
Usurpar o teu corpo nas noites ardentes.
Ver-te em todo o lado e em mim.
Virar-me de frente quando estou zangada.
Venerar-te inteiro no palco do mundo.
Zombar de quem nos quer ameaçar a bem-aventurança.
Zelar para que nada falhe nem hoje, nem nunca.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Presunto Pata Negra
O ser humano é uma coisa preciosa.
Quando se fala de sentimentos, então...ui, ui....a coisa complica.
Como podemos amar tanto, tanto, tanto ... que até parece que o sentimento não cabe cá dentro e num espaço de milésimos de segundos esse sentimento pode transformar-se numa coisa, até aí, desconhecida. Diz a sabedoria (ou o analfabetismo) popular que o Ódio é o sentimento mais próximo do Amor... tudo bem, aceito e nem contesto.
Isto tudo para dizer que hoje de manhã dei um pontapé na porta do meu quarto (por causa da minha cadela Maria - que muito amo), fartei-me de chorar baba e ranho, fiquei-lhe com um pó (momentâneo, mas indescritível) e ganhei um pé direito todo negro e inchado.
Vale a pena Amar muito! :))))))
Quando se fala de sentimentos, então...ui, ui....a coisa complica.
Como podemos amar tanto, tanto, tanto ... que até parece que o sentimento não cabe cá dentro e num espaço de milésimos de segundos esse sentimento pode transformar-se numa coisa, até aí, desconhecida. Diz a sabedoria (ou o analfabetismo) popular que o Ódio é o sentimento mais próximo do Amor... tudo bem, aceito e nem contesto.
Isto tudo para dizer que hoje de manhã dei um pontapé na porta do meu quarto (por causa da minha cadela Maria - que muito amo), fartei-me de chorar baba e ranho, fiquei-lhe com um pó (momentâneo, mas indescritível) e ganhei um pé direito todo negro e inchado.
Vale a pena Amar muito! :))))))
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Faz-me falta
Que saudades tenho do Verão, do sol, do calor, da areia colada na pele salitrada;
Que saudades tenho da música de amor tocada, enquanto me amavas;
Que saudades tenho de um acordar feliz, radiante e saudável, mesmo em dia de chuva;
Que saudades tenho das noites de amor, privadas, só nossas...
Que saudades sinto do teu desvelo, das juras de amor entre carícias trocadas, ontem, por críticas, amarguras e acusações;
Que saudades tenho do Inverno, do frio que seca e fere o rosto e nos faz enroscar à procura do quente;
Que saudades sinto do cigarro fumado após 'o amor';
Que saudades tenho de deixar o meu cheiro nas tuas coisas, em ti e na tua vida;
Que saudades sinto de um abrir de porta recebido com um sorriso nos lábios;
Que saudades tenho de atirar o respirar quente para um vidro e desenhar um coração inocente num embaciado fugaz;
Que saudades tenho de um beijo roubado que nos tira o chão de debaixo dos pés.
Que saudades .... que saudades.
Que saudades tenho da música de amor tocada, enquanto me amavas;
Que saudades tenho de um acordar feliz, radiante e saudável, mesmo em dia de chuva;
Que saudades tenho das noites de amor, privadas, só nossas...
Que saudades sinto do teu desvelo, das juras de amor entre carícias trocadas, ontem, por críticas, amarguras e acusações;
Que saudades tenho do Inverno, do frio que seca e fere o rosto e nos faz enroscar à procura do quente;
Que saudades sinto do cigarro fumado após 'o amor';
Que saudades tenho de deixar o meu cheiro nas tuas coisas, em ti e na tua vida;
Que saudades sinto de um abrir de porta recebido com um sorriso nos lábios;
Que saudades tenho de atirar o respirar quente para um vidro e desenhar um coração inocente num embaciado fugaz;
Que saudades tenho de um beijo roubado que nos tira o chão de debaixo dos pés.
Que saudades .... que saudades.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Aos descomprometidos...
Peguem numa folha de papel...
Agora numa caneta...
(vá lá, não custa nada!)
Façam uma lista das pessoas que conhecem, que estão sozinhas como vocês e não partilham a vida com uma cara-metade.
Então? Muitas?
Surpreendente, não é?, a quantidade de boas pessoas que não tem a sorte de viver com e para alguém...
Porquê?
Alguém me explique isto!!
Se há tantos escroques que têm, não uma, mas várias pessoas, porque é que há uns que 'procuram' uma alma gémea e não a encontram?
Escrevo isto sem nunca esquecer que há comprometidos que são, ainda, mais solitários. Mas este texto não é para eles :). Que tomem uma decisão... porque se nós, descomprometidos, hoje, estamos sós, também fizemos uma escolha...
Agora numa caneta...
(vá lá, não custa nada!)
Façam uma lista das pessoas que conhecem, que estão sozinhas como vocês e não partilham a vida com uma cara-metade.
Então? Muitas?
Surpreendente, não é?, a quantidade de boas pessoas que não tem a sorte de viver com e para alguém...
Porquê?
Alguém me explique isto!!
Se há tantos escroques que têm, não uma, mas várias pessoas, porque é que há uns que 'procuram' uma alma gémea e não a encontram?
Escrevo isto sem nunca esquecer que há comprometidos que são, ainda, mais solitários. Mas este texto não é para eles :). Que tomem uma decisão... porque se nós, descomprometidos, hoje, estamos sós, também fizemos uma escolha...
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Pêndulo
P endura-me num fio de amor para sempre.
E ncara-me como uma tua necessidade absoluta.
N amora-me o corpo, a mente, o toque, o espírito.
D á-me de volta as promessas de amor.
U sa-me com respeito, porque sou tua e tudo faço.
L ava-me o ser encardido pelo ciúme e o orgulho.
O uve-me os lamentos para me libertares a alma.
Não quero a inconstância de um vai-e-vem pendular, de um vai e volta que, às vezes, não volta...quero ficar e ser....tua.
E ncara-me como uma tua necessidade absoluta.
N amora-me o corpo, a mente, o toque, o espírito.
D á-me de volta as promessas de amor.
U sa-me com respeito, porque sou tua e tudo faço.
L ava-me o ser encardido pelo ciúme e o orgulho.
O uve-me os lamentos para me libertares a alma.
Não quero a inconstância de um vai-e-vem pendular, de um vai e volta que, às vezes, não volta...quero ficar e ser....tua.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Um 2 na vida......ou uma vida a 2?
De quase tudo que é bom numa vida (porque por muito que queiramos só há uma e não duas), quase sempre ter pares é melhor: dois beijos, duas carícias, dois filhos, dois poemas de amor, dois carros na garagem (um deles topline como fermento para o ego), duas noites de sexo ou (melhor ainda) sexo duas vezes por noite, duas pastilhas elásticas, dois sorrisos, duas anedotas, dois truques de magia, duas janelas ou portas, dois girassóis, dois horizontes, duas mãos dadas...
Poderíamos ser tentados a acreditar que o dois é perfeito....mas pode não ser.
Ter dois amantes é mau (para quem tem a cabeça no sítio certo), duas zangas, desilusões ou maleitas também, de sofrimentos em duplicado nem se fala, pares de mentiras e desacertos são os que mais doem.
Ambicionamos quantidade ou qualidade? Almejamos a unidade (perfeição) do um ou a diversidade do dois?
Ouvi dizer, muitas vezes, que o Amor é para os parvos. Se assim é?, quero ser parva toda a vida!
A maioria das pessoas que partilha uma 'vida a dois' fá-lo num (sobre)viver em (in)tolerância, em obrigação, em contas e despesas conjuntas, tão conjuntas, mas tão conjuntas que se ensarilham sozinhas, em dívidas necessárias suportadas e controladas a dois, insuportáveis, usurárias e descontroladas a um.
Uma vida a dois é ver mais longe: é VIVER para alguém que amamos, é não respirar na ausência, é um daltonismo e envelhecimento fatal e fatalista do que nos rodeia, é o murchar por dentro e o gritar em uníssono, mais alto do que tudo, por dentro e para fora, para ser ouvido por todos 'NÃO ME ABANDONES'...; é a urgência de agradar, é o tempo que é curto e inexorável para um enovelar de mãos, um entrelaçar de corpos, um partilhar de carícias a contra-relógio.
Como diria alguém que muito admiro 'Two is the perfect number, but one...'.
Na dúvida ou incerteza, e se o egoísmo não nos cegar ou castrar, escolhamos o 'um'. Mas aquele 'um' que implica dar, abdicar, compreender, entregar, dividir, partilhar, fazer multiplicar. Nunca façam, conscientemente, alguém acreditar num 'um' em osmose, fusão ou sintonia se não estiverem preparados para tal.
Para esse 'um' só os 'heróis crescidos' estão preparados...e esses?, infelizmente, estão em vias de extinção. Não farão duas mãos dadas uma só?
Digam lá? Não é muito melhor?
Poderíamos ser tentados a acreditar que o dois é perfeito....mas pode não ser.
Ter dois amantes é mau (para quem tem a cabeça no sítio certo), duas zangas, desilusões ou maleitas também, de sofrimentos em duplicado nem se fala, pares de mentiras e desacertos são os que mais doem.
Ambicionamos quantidade ou qualidade? Almejamos a unidade (perfeição) do um ou a diversidade do dois?
Ouvi dizer, muitas vezes, que o Amor é para os parvos. Se assim é?, quero ser parva toda a vida!
A maioria das pessoas que partilha uma 'vida a dois' fá-lo num (sobre)viver em (in)tolerância, em obrigação, em contas e despesas conjuntas, tão conjuntas, mas tão conjuntas que se ensarilham sozinhas, em dívidas necessárias suportadas e controladas a dois, insuportáveis, usurárias e descontroladas a um.
Uma vida a dois é ver mais longe: é VIVER para alguém que amamos, é não respirar na ausência, é um daltonismo e envelhecimento fatal e fatalista do que nos rodeia, é o murchar por dentro e o gritar em uníssono, mais alto do que tudo, por dentro e para fora, para ser ouvido por todos 'NÃO ME ABANDONES'...; é a urgência de agradar, é o tempo que é curto e inexorável para um enovelar de mãos, um entrelaçar de corpos, um partilhar de carícias a contra-relógio.
Como diria alguém que muito admiro 'Two is the perfect number, but one...'.
Na dúvida ou incerteza, e se o egoísmo não nos cegar ou castrar, escolhamos o 'um'. Mas aquele 'um' que implica dar, abdicar, compreender, entregar, dividir, partilhar, fazer multiplicar. Nunca façam, conscientemente, alguém acreditar num 'um' em osmose, fusão ou sintonia se não estiverem preparados para tal.
Para esse 'um' só os 'heróis crescidos' estão preparados...e esses?, infelizmente, estão em vias de extinção. Não farão duas mãos dadas uma só?
Digam lá? Não é muito melhor?
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