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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Not a blogger

Há coisas que não entendo num blog. Com tudo o que este tem de obrigatoriedade, nos dias de hoje. O espartilho de que tem que ter um certo 'tom' ou ser sobre tema A,B ou C. Quando criei este blog, há muitos anos, foi numa altura em que queria escrever, deliberar, opinar sobre algumas coisas. Foi catártico durante o tempo que teve que ser. Um tempo de solteirice aguda :) em que as horas não escasseavam para tudo o que se queria fazer. Deixei-o adormecido. quieto. parado. morto. Aconteceu tudo no meio dessa mortandade e o agora. Uma paixão arrebatadora. um filho. Este filho. O meu Manuel. O meu filho. Cliché de todas as mães que se prezem e dignas desse nome - 'a minha vida'. Cliché mais bom, este, que respiramos, vivemos, ansiamos. Não há nada que se assemelhe. Aquele segundo em que sai de dentro de ti e te percorre eletricamente a sensação alucinante de que nunca mais estás sozinha e nunca mais terás vontade de viver no fio de faca nenhuma, a expensas de vontades alheias a não ser daquele ser que nasceu de amor em estado puro, visceral, cúmplice, arrebatador, infinito. Engraçada esta coisa de entendermos os nossos pais através dos nossos filhos: as advertências, a preocupação, a ansiedade, o amor próprio que se esvai em amor pelo outro, o nada que se transforma em tudo, o acessório que se evapora no essencial, o medo de não ser suficiente e não saber gerir a familía nuclear esboroada em separação de progenitores e morte do meu pai. O blog ficou cada vez mais longe, mais apagado, a password olvidada, o esgaravatar de uma luta para esquecer a tristeza de que um 'era para sempre' se tornou num acabou. O pavor de não possuir forças para criar um filho sozinha: sem competência, estágio maternal, ou antecâmara de preparação; a ausência de um pai/avô babado que não chega a ver o suficiente de um neto altamente desejado e com um mundo de amor para dar, roubado por um cancro maldito e feroz. Hoje vou reanimá-lo. Encontrei a password. vai ficar em banho-maria. Vou voltar cá. De vez em quando.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vidas

Sentia que sabia o que era pelo que tinha sido sabendo claramente o que seria amanhã. O que conhecia da vida parecia muito não passando, afinal, de uma reentrância de nada.

O ‘mata-bicho’ era sempre o mesmo: (basicamente o espelho de tudo na vida, repetido e renovado vezes sem conta) um naco de broa já envelhecido intermitentemente mergulhado na caneca de leite com uma pálida cevada, minguado em dias de semana e trabalho, dilatado em dia de Domingo de missa, de hóstia e de dar Graças-A-Deus mais que o costume.

Despertava antes do dia acordar, combinava o parco banho de água gelada com a geada orvalhada que durava lá fora, agasalhava-se e aconchegava no alforge a familiar porção de broa combinada com o naco de toucinho fumado que lhe amparava o estômago na fadiga do dia e na canseira dos caminhos da serra e das cabras.

Estas, com as ovelhas que pastorava havia anos, eram as companheiras perfeitas desde que se lembrava que o mundo era (o seu) mundo e que talvez tivesse nascido apenas para aquilo. Não percebia nada de anatomia, tecnologia, astronomia, política ou economia. A única versão que conhecia desta última era traduzida em alqueires de milho ou câmbio directo de mel por leite ou tudo que fizesse falta e não se produzisse lá em casa.

Nunca tinha usado maquilhagem nem saltos altos e a única jóia que tinha era um fio de pérolas muito remotamente autênticas deixado pela mãe num testamento ajustado. Tinha na alma e na pele marcadamente vincados o calor e o frio dos dias difíceis. Não conhecera outros. Tinha crescido ou talvez não … nem sabia. Tornara-se irmã, mulher, casada, mãe e, na maioria das vezes, sem se ter dado conta. Desconhecia as letras e as cartas de amor e os livros bonitos que via nos filhos, ignorava o que era enrubescer de afeição ou ruborizar de desejo, inexplicáveis que eram as ânsias de quem nunca amou ou conheceu o amor como teria merecido.

Tinha sido e era feliz.
Pois não será ou terá sido bem-aventurado aquele que não conheceu outras vidas?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Little Big Things

Pensarmos nas coisas, dissecá-las, anatomizá-las e, depois, ainda, decidir o que fazer com a polpa que aproveitamos delas não é, nunca foi nem será tarefa fácil. Entendamos ‘coisas’ como aquilo que nos dizem, ouvimos, lemos, as verdades ciciadas, os pensamentos furtivos, as acrobacias literárias contidas num livro traduzidas em habilidades estilísticas e recursos mais ou menos expressivos que nos rasgam a boca em O.

Cada um (des)complica as verdades, as mentiras e as dúvidas à sua maneira e a seu bel-prazer. Alguns, não poucos, lêem, vêem, ouvem e experimentam sem nunca perceberem peva de coisa nenhuma ou quererem ler os segundos ou terceiros sentidos naquilo que as almas mais sensíveis, mas exoneradamente mais inócuas, são, escrevem, agem e falam.

Verdades, mentiras, interpretações, sensibilidades e inteligências à parte, o que importa, acima de tudo, é que estejam atentos e não passem absortos por esta única oportunidade de vida que é só esta e mais nenhuma.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Insatisfação

Os eternos insatisfeitos com a mania de que o não são, são uma imutabilidade constante nesta vida e a suprema ironia do negócio está na posição instável e volúvel que tomam e pela qual regem, com insaciável e ambicioso ceptro, a sua existência.

Têm constante vontade volatilizada de beber e comer até o que não querem ou antes mesmo de saber que na realidade o não querem e se surpreendem, no fim, de alguma vez o terem querido. Não por gula exagerada ou voracidade excessiva, mas por não saberem se é bem disto ou daquilo que necessitam, convencidos que estão de que de tudo carecem.

Tudo lhes acontece, quase sempre nada, mas convencidos de que o Universo está contra e não merecedor do seu talento arreigado, digno amor e benemérito zelo. São sempre melhores e mais benfeitores do que todos os outros, encontrando defeitos nos não-dignos-ou-eternamente-aquém-daquilo-que-são - os falhados.

Que vaidosos ficam quando se convencem disso a expensas de nunca descobrirem as inerentes lacunas da obscuridade pedante e emproada em que vivem, num síndrome de doença auto-imune ou direito-reservado-a-filhos-da-puta-vitimizados-por-encomenda. Porque depois são sempre vítimas e a culpa é sempre dos demais, nunca deles, e por isso estão, naturalmente, escusados de pedir desculpa quando enfiam a pata toda na poça enlodada e arrastam os outros com eles a banhos conspurcados sem nunca terem pedido ou desejado fazê-lo.

A terapia existe e a descontaminação da maleita reside, com base mais do que sustentada, em assumir o papel e a função à qual se devotam com tamanho empenho.
Para quê esconder o que está lá e é visível a todos? Poupam na pseudo camuflagem porque não embusteiam quem nunca se deixou enredar no embuste, nem mesmo aqueles forçosamente destacados e distinguidos para participar (sem o saberem) em tamanhas patranhas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A vizinha

Tem cara de avental aprumado, molho de chaves tilintante preso a um souvenir emigrante oferta de uns sobrinhos desterrados em Paris, chinelos ligeiros e buço farto. Profissão? Viúva de militar reformado do tempo do monóculo, disposta vezes sem conta a olhar pela casa (e pela vida) dos outros enquanto estes se ausentam de férias ou com outro propósito qualquer. O seu El Dorado? Fica autorizada, quase de papel passado, a cuscar o que existe em gavetas, arcas e baús e todo e qualquer documento a que consiga pôr a mão, o olho e a memória.

Sabe de tudo. No currículo não lhe faltam ‘estrangeirinhas’ arranjadas com um punhado de moradores, não fosse ela o protótipo de cão perdigueiro em estágio para pisteiro, no reles sentido do termo. Cursou a arte de frinchar portas, janelas e acessos, festas e encontros com a medíocre desculpa de um ‘o vizinho enche-me esta chávena com o açúcar que me acabou de repente?’ (quão conveniente a escassez de mantimentos às vezes se torna) à espera de um ‘Entre, entre....fique à vontade’ sem saberem que ELA não precisa de convite.

É omnisciente e omnipresente e não lhe escapa o número de cigarros que o vizinho do lado fuma por todas as beatas que este arremessa da janela, assim como as cartas, contas e todos os assuntos da sua não competência que coscuvilha com a ajuda da sua inseparável caneta-lanterna que usa orgulhosa logo que o carteiro distribui o correio nos apartados dos outros.

Um assunto que deveras a apraz: os adultérios dos demais (que a não existirem ela bem os inventa) dos quais sabe mais que os próprios adúlteros e os quais (existentes e não existentes) apregoa a fim de preservar a moral e os bons costumes em relação aos quais se proclamou juíza suprema. Destes e doutros assuntos trata ela e para fazer valer o seu papel, deveras importante, usa artefactos que não lembram ao diabo como o copo de vidro que empunha cada vez que encosta a orelha, mais ágil que o próprio pé em corrida para autocarro perdido, às paredes e às vidas alheias ou o cajado ameaçador que usa para cutucar o tecto e alertar os transgressores de que não é permitido fazer ruído a partir das 22h – qual Gestapo no controle do recolher obrigatório em tempo de Guerra Mundial – “ quem abusa um minuto que seja, merece morrer!”.

É a Inquisição plantada desde o R/C até ao último piso, a ASAE num fiscalizar apertado e estrangulador, in loco, in extremis, per sempre!!!! Estranha forma de vida!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ela e a Outra

Ela é bonita.
Não se sente assim por já lho terem dito ou porque é agradável a imitação que vê reflectida no espelho, mas porque é o que sente. Este legado não tem nada de herança genética, congénita, inata ou familiar. O que está lá dentro é que conta.
Muito mais do que a cópia que o espelho lhe aponta, prefere a que o ‘retrovisor’ lhe prova – se é que é possível que seja este que lhe lê os sarrabiscos garatujados lá ‘dentro’ ao invés das linhas que observa cá ‘fora’.
Ela é inteligente.
Não porque leu enciclopédias sem fim ou quer estudar até ao remate dos seus dias, mas porque se tornou sensível aos outros e às suas verdades. Escolheu ser conhecedora e observar o que existe aos olhos de todos, recusando a mesquinhez e a mediocridade dos outros que cegam e invadem vidas e coisas alheias. Sabe falar e estar. Sabe ser conveniente. Procura nos livros e na música o que a vida tem, mas não lhe permite ver e palpar.
Ela é comodista.
Não na forma como os ociosos sabem sê-lo quando se deitam sobre as suas próprias migalhas incapazes de se moverem para o que quer que seja, incluindo ocorência de terramoto, mas de uma forma saudável porque sabe o que quer e essa sapiência lhe sugere que a sua opção é e vai permanecer imutável apenas porque já é perfeita. Para quê alterar o que consideramos bom e seguro por algo desconhecido e abusivamente invasor.
Ela é apaixonada.
Exactamente da mesma forma que todos os amantes piegas o são. Adora e alimenta toda a lamechice dos pinga-amores, das cartas (de amor) ridículas, dos sentimentos febris, jugulares e pululantes de desejo exaltado. Às vezes não o mostra porque os outros ‘condenam’ e olham de soslaio quem assim ama e repentinamente confundem doença de amor com amor doente – que diferença abissal!

Às vezes transforma-se na outra.
Não da forma como os idiotas associam este pronome a sinónimo de amante ou segunda escolha (pobres coitados que não pensam que estoutra é a melhor ‘desculpa’ para arcar com as culpas da merda de vida que levam por não terem coragem de se comportar como amantes que arriscam e vivem muito do pouco ou nada que levam….apenas porque amam incondicionalmente)!, mas porque esses outros a ‘obrigam’ a sê-lo dada a sua (deles) incomensurável e desmedida mediocridade patológica.
Todos se transformam noutra coisa qualquer dependendo do estímulo, isto sim é uma verdade insofismável.

É assim que Ela se transforma. É assim que a Outra renasce vezes e vezes sem conta sem nunca tomar de vez o lugar que a Ela cabe. Muito embora a Outra lhe usurpe o lugar, de quando em vez, é Ela a genuína, a pura, a verdadeira. Nasceu Ela. Não sabe se vai morrer a Outra.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A casa dela

A casa era dela. Tinha sido em vida e ainda o era, hoje, na morte. Nunca tinham lá entrado depois do 'acidente'. O pó assentara em tudo que era friso, vidro, recanto, tecido, madeira, ferro, caixilho, moldura. Pó do ar, pó da vida, pó das cinzas (que os suicidas, aqui, são cremados). Gavetas e armários fechados, uma ex-vida encerrada e guardada para relembrar mais tarde, perfume de corpo enclausurado na roupa abandonada, arrumada ou deixada ao acaso.

A coragem tinha que vir. Esperava-a há dias e meses. Não deveria custar assim tanto abrir uma gaveta em busca de um escrevinhanço qualquer com um motivo, uma explicação. Abriu uma escrivaninha. Papéis, documentos, notas soltas, mas nada que explicasse o desejo desta mulher pela morte. Queria explicações e dolorosas razões que tivessem levado a opção de morrer daquela mulher que ali se sentara naquela cadeira, que acendera aquele candeeiro, que lera aqueles papéis e escrevera e rabiscara com aquela caneta.

A forma do sofá da sala era a do corpo dela. A da cama também. Decidiu senti-la e apoderar-se dessas formas. Nem que fosse por uns breves minutos. Nunca mais se sentará aqui, cogitou. Não se deitará jamais nesta cama, a dobra do lençol não será jamais feita e aconchegada ao corpo, o pijama primorosamente dobrado manter-se-á assim, intacto, morto, imóvel, a luz do candeeiro de leitura não voltará a acender-se, a teia de aranha reluzente e envolvente no canto do tecto não será removida, os chinelos imóveis não voltarão a caminhar, o roupão atrás da porta não voltará a esvoaçar pelo corredor, o gemido de sono sobressaltado não voltará a ouvir-se.

Decidiu deixar tudo como estava.
Para quê encontrar o papel, a justificação, a tristeza, a dor? Preferia senti-la assim: 'Viva' dentro de casa, nos seus pertences, nas suas coisas, nos seus imcompreendidos gatafunhos, na sua poeira, no cheiro imortalizado na sua roupa.
Amava-a. Tanto, ainda.
Sabia que não podia voltar atrás e devolver vida porque ela a quis perder. Era tarde. A morte é certa, mas quando procurada é precoce e reprovável. Deus 'castiga' os suicidas. Não ia, também, ele castigá-la à procura de motivos. 'Tocar' nela, hoje, e 'senti-la' tinha sido o suficiente.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A vida estica?

Não, não estica.
É um fio condutor. Uma linha, não necessariamente direita nem ténue. Tem curvas, voltas e dobras sinuosas. É una, indivisível, não se parte ou interrompe para voltar mais tarde. Não fica em suspenso, pendente ou adiada.

É para viver, aproveitar, assistir, coabitar, fruir, usufruir, gozar. Está destinada. Não podemos esticá-la ou alongá-la (a não ser com uma existência muito regrada e, mesmo assim, sem grandes certezas). Não há elixir, magia, poção ou panaceia que a prolongue.

Pode ser encurtada. Por nós ou outrem.
Pode ser interrompida, voluntária ou involuntariamente. A primeira opção muito radical, extrema e desesperada. A segunda pode acontecer mascarada de doença, enfermidade, acidente, incidente ou crime; na maioria das vezes é por nós encarada ou interpretada como castigo, punição, pena, condenação. Não há ninguém que quando tocado pela falta de saúde ou acidente deixe de pensar ‘Porquê eu?’. Mais rapidamente pensamos assim do que temos tempo para pronunciar o nome de Jack Splat Kevorkian (médico americano defensor da prática da eutanásia).

Chamemos os nomes às coisas - a interrupção da vida é a morte. Contra ela ninguém pode ou domina. Acontece e não tem volta….a menos que seja naqueles casos em que um entendido nos diz que temos 6 meses de vida e acabámos por viver muito mais do que isso. Não lhe chamemos erro, então, chamemos benesse, dádiva ou segunda oportunidade. Um susto. Aparentemente, péssimo, por sinal, mas que nunca nos deixa indiferentes ou passivos perante um prenúncio de morte. De facto, tem um lado bom. Faz-nos despertar para a vida. Consequência de um anúncio de óbito. Beliscamo-nos para nos sentirmos vivos, sedentos, famintos e ávidos de viver.

Quem não sabe estar….

Hoje, eu e uma grande amiga tivemos que ‘levar’ (este é o termo perfeito) com a idiotice dos outros. Mais do que idiotice: a imbecilidade, a cretinice, a sandice, a mediocridade. Pessoas com um perfil já aqui tão exaustivamente tocado, mas que ainda nos surpreendem no dia a dia! Os fungos, os vírus, a peçonha em forma humana. Parasitas que se querem apropriar da vida alheia porque não têm vida ou mais o que fazer senão destruir o que está de pé. Não fosse o sustentáculo fiável (antes fraco, adoentado e frágil), a coisa poderia até correr mal. Venceriam os venenosos e intriguistas, perderiam os incautos e desprevenidos.

Ter paz não é nada fácil.
Há sempre atribulações e tramas para desbaratar a fim de debelar a concórdia existente.
Não se podem guardar as armas e as espadas. Quando pensamos que a merda já não mexe, está ‘morta’ e enterrada a 7 palmos abaixo da terra, longe da vista e da pele, eis que se levanta do nada, mal cheirosa, ridícula, grotesca e ‘armada’ em invencível.
Cómica e risível….esta maldade gratuita sem fundamento ou alicerce que não seja a má-formação de quem tem muito tempo e pouca imaginação para votar ao desperdício. Entraves que amordaçam e calam (por breves momentos) as boas palavras que poderia ter para dizer ou escrever.

Absolutos perdedores. Podem até conquistar qualquer coisa aqui ou ali, mas quando chegam acolá, ou dão de caras com algo mais forte e profundo, não vingam….há sempre alguém mais inteligente a quem não ‘papam nada na cabeça’.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Eu ordeno!


Façam desta vida a Vossa vida (Só podem vivê-la uma vez).
Façam deste ano o Vosso ano (Pode ser o melhor de todos e também o último).
Façam deste mundo o Vosso mundo (Viver a sério...só mesmo neste).
Façam dos amigos os Vossos amigos. (São poucos e vale a pena lutar por alguns).
Façam da família a Vossa família. (É preciso viver, ou aprender a viver, com ela).
Façam do amor o Vosso amor. (Mesmo quando vos disserem que não é aquele).

Parecem tarefas impossíveis, por vezes. Todas elas estão ao alcance de uma mão, da nossa vontade, da comunhão com os outros e com o mundo. Não falseiem, não trapaceiem, não tomem caminhos mais curtos ou atalhos porque quase sempre não resultam, ou só resultam para os 'espertos' e nós, quase nunca, pertencemos a essa classe.

Se eu me deitar aqui, sozinha, quieta...se eu me deitar só aqui, nada acontece. A menos que alguém esteja disposto a deitar-se, esperar comigo e esquecer o mundo. Esqueçam o que Vos disseram ou contaram...tudo, de uma vez. Corrijam o mal que houver para corrigir e o que ainda for possível.
Façam o impossível para consertar aquilo que realmente desejarem. Ignorem o que não tiver conserto, passa a ser remedeio e...essa parte?, não interessa mesmo nada. Quando muito resulta o Hansaplast e, mesmo esse?, descola com a água, com a transpiração e acaba por cair e por vos deixar ficar mal. Não há curas milagrosas só a vontade e o desejo de fazer melhor.

Eu Vos ordeno!
Perdoem quem não vos perdoou e até nem merece.
Amem mesmo os que vos falham, mas já fizeram bem um dia.
Guardem para vocês o que merece ser guardado.
Deitem fora o pior e reciclem o bom que sobrou.
Persigam as boas pessoas e ensinem as más.
Apaguem da memória quem de propósito vos faz sofrer.




segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Sucess...


Sucess...
Everybody wants it.
It's good to have goals in life.
Sometimes it´s hard.
But not impossible.
A good start is to make a list of what you want.
The best way is to look fot things you already have and improve them.
Seek perfection.
But try to look for that perfection on your imperfections.
Do the same with other people.
Be optimistic without being too critical about all sorts os things.
The choice is simple.
Don't wait for other people to decide.
Pick your chances.
Take those chances.
Trust yourself.
Try your best.
Seek the light....or don't.
Because in the dark there mey be fear....but there's also hope,

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sermos observados


É uma constante diária. Não nos apercebemos, mas estamos constantemente sob ‘vigilância’, sem contar com as relaxantes horas de sono (se dormirmos sozinhos, claro!).

Há coisas inatas que fazemos a toda a hora sem nos apercebermos – são tiques, ‘vícios’, hábitos, rotinas, pequenas distracções, deslizes - e fazemo-las em todo o lado – em casa, no carro, no shopping, no restaurante. Estão tão ‘dentro’ da nossa pele e são tão intrínsecas, tão naturais que nem damos conta e, se pensamos nelas,….pimba!….é sempre depois de as termos feito.

Falo da forma como mexemos no cabelo, coçamos partes corporais menos próprias, olhamos os outros, limpamos (tão deselegantemente) o nariz, lambemos os lábios, roemos as unhas, sorrimos sozinhos, cantarolamos para nós mesmos sem percebermos que os outros nos ouvem, arregalamos as sobrancelhas, resmungamos para dentro, estrebuchamos com alguém, fazemos cara de maus ou choramos contrafeitos.

Não temos que achar que somos o centro do mundo, mas a verdade, nua e crua, é que a maioria dos nossos movimentos é observada por maquinismos de vídeo-vigilância, telefones (que gravam e filmam tudo e todos….se o Sr. Graham Bell visse uma coisa destas revolvia-se, violentamente, no túmulo) e pelos demais, pelas pessoas como nós, que fazem tudo igualzinho sem se aperceberem da figura que fazem(os).

Somos voyeurs das vidas e dos movimentos dos outros. E estas imagens até valem dinheiro. Basta ser-se famoso….ser eu ‘apanhada’ a tirar um ‘macaco’ do nariz ou ser a Eva Longoria é bem diferente, convenhamos!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Apesar de tudo…

A vida é estupenda.

Se, às vezes, distraídos não nos damos conta desta verdade é, somente, porque estamos assim mesmo…distraídos.
Andamos sempre ocupados com as nossas coisas, com os atritos de nossa própria autoria ou (co)autorizados por outros e a pensar no que corre menos bem que, invariavelmente, deixamos de pensar o quão gratificante a vida pode ser.
Empolamos a vida profissional em detrimento da familiar. Entregamo-nos mais ao trabalho, com a verdade de que é ele que nos paga as contas, do que às pessoas. Temos ‘medo’ de responder mal no emprego e estamos mais prontos a fragilizar os laços familiares ou de amizade.

Quase nunca pensamos nisso. Muitas vezes sobrevivemos adormecidos para a verdade de que as pessoas são o mais importante. O mundo é feito delas e é delas que se faz o mundo. Vivemos para nos relacionarmos.
Quase sempre acabamos por pensar, um dia, que podíamos ter feito mais, melhor e diferente. Infelizmente, às vezes, é tarde de mais. A realidade piora quando a pessoa já morreu. Aí sim, a culpa é enorme. Não há reviravolta nem marcha à ré. Sofremos com o pouco que fizemos e mais ainda com o tanto que podíamos ter feito. Perdemos o tempo que sempre foi escasso, inexorável e irreversível. Martirizamo-nos. Mais pelo nosso egoísmo do que pela flagrante e mascarada distracção.

Que esplêndido é sentir uma carícia na mão, um afastar de cabelo dos olhos disfarçado de festa, um olhar fraterno de gratidão por aquilo que somos, um acenar de cabeça consentindo e aprovando aquilo em que nos tornamos, um sorriso orgulhoso quando nos mantemos perto, um abraço que debita amor porque retribuímos.

Viver é bom.
No seio de boas pessoas, ainda melhor. No colo das ‘nossas pessoas’ então, nem se fala. Viver bem é amar os outros e demonstrá-lo. Sem medo, sem rede, sem quê’s ou porquê’s. Só porque sim.

Mais do que isto…


É fácil transformarmo-nos em peritos ou filósofos em relação àquilo que vemos, especialmente quando sentados num sofá com um copo de whisky a emoldurar-nos a mão e a inflamar-nos o espírito.

Quando, feitos actores, encarnamos este tipo de personagem, o que vemos, basicamente, é muito semelhante à visão que temos quando conduzimos um carro: observamos a paisagem que nos vai nascendo à frente e, quando muito, fugazmente, a que ‘retrovisoramente’ assistimos ou a que nos vai escapando dos lados. Redutoramente, não observamos o que se passa em cima ou em baixo.

A lua, por exemplo, ‘mora’ lá em cima, todos os dias empurra o mar fora e dentro, controla o ciclo menstrual, apadrinha a desova do peixe-rei e todas as histórias de amor e, dizem as estatísticas que, na sua fase cheia, o crime por homicídio cresce três vezes mais do que o normal.

A água está presente em todo o lado. No mar, no céu, na terra, nos olhos, no copo, no banho, na pele. Mata por excesso e por escassez. Dá vida e tira. Limpa, lava, suja, molha, infiltra-se.

A terra é vida semeada. É fonte de alimento. É também para pisar, amar, fecundar, conquistar, vender, comprar, cuidar. É territorial e patrimonial. Acolhe, divide e une. É chão, é berço, é objecto desejado e tantas vezes impiedosamente roubado, é tradução de poder em nome do qual se mata, esfola e escraviza.

O ser humano é mãe, pai, homem, mulher, criança. É empregado, é patrão, escravo de algo ou alguém. É bom, mau, cruel - tanto faz. Não deixa de o ser, mesmo quando não parece. Existe também nos outros, naquilo que nos é dado ver e no que está escondido. É composto, indivisível, complicado e simples. Falha e acerta, ama e ‘desama’, esconde e revela, escolhe e não escolhe. Não é perfeito, embora pretenda ser – é, antes, humano.

Significado: há sempre mais do que isto.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O preço da verdade

(inspirado em factos reais - numa conversa de ‘pé de orelha’ em jeito de desabafo)

As pessoas estão preparadas para desabafar a sua vida, mas depois aceitam mal, ou nem sequer aceitam, o que os outros têm a dizer acerca do assunto. Perguntam a opinião por tudo e por nada, desejando a concórdia e nunca o contrário.

A verdade pode doer. E, às vezes, não é pouco - porque os outros podem ser amigos, mas isso não significa que pensem ipsis verbis como nós. Antes de avançar para o desabafo, devemos ponderar se estamos preparados para a discórdia (dos outros) em relação àquilo que pensamos sobre a vida e à postura que adoptamos em relação à mesma. Às vezes, parece tudo perfeito, mas o castelo de cartas é frágil e não vá alguém, ou mesmo nós próprios com a nossa ‘insegurança’, pregar uma rasteira à rainha de copas e fazer desmoronar tudo em menos de um piscar de olhos. A preparação prévia para ouvir tudo (ou de tudo) é a postura mais saudável: escutamos e filtramos, aprendemos com isso e fortalecemos nós de confiança e amizade (prefiro nós a laços….os últimos são mais fáceis de desatar).
Expormos a alguém conhecido a nossa vida é fragilizarmo-nos, de algum modo: deixamos transparecer o que somos, o que fazemos e o que pensamos. Fazê-lo com um desconhecido é um risco controlado. Se não gostarmos do que nos disser, a solução é virar costas e mandá-lo(a) plantar batatas…nem mais, nem menos.

Pede conselhos aos outros, apenas, quando estiveres preparado para ouvir a verdade.

Depois também existem aqueles a quem nunca pedimos opinião - porque não nos interessa (‘Não sabem como gerir a vida deles, mas para serem abelhudos com a dos outros, até fazem fila!’)- mas eles gostam de a ofertar, gratuitamente.
Outro bom conselho será: ‘Opina só quando alguém te pedir’.

O melhor juiz é sempre a nossa consciência.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Quem pediu conselho?

A vida não é dois dias…é muito mais do que isso.
Irrita-me quando as pessoas usam a sabedoria popular para nos darem a entender que não estamos a aproveitar a vida como deveríamos ….. EU faço o que QUERO com o MEU tempo e ninguém tem nada com isso!!!

Eu é que sei se é muito ou é pouco e o que quero ou não quero fazer com ele ….. porque posso não querer fazer nada, nicles, népia, bolha…..bolas!!!!!
Que gente tão sabichona!
Parece que não têm vida!
Mas alguém lhes pediu opinião??

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Minuta de condomínio

Este documento foi 'encontrado' afixado num prédio residencial para que todos os condóminos e suas visitas o pudessem ler.

QUANDO PENSAMOS QUE NINGÉM NOS OUVE...

Caros vizinhos,

Lamento referir-me a um assunto tão íntimo vosso, mas é por este acabar por não ser realmente privado, que vos alerto.
Todos gostamos de dar uma boa queca, é natural. Todavia, é importante ter consciência se o condomínio 'assiste' a acto tão privado. E assiste. Não visualmente, óbvio, mas a barulheira que é feita no árduo desempenho do acto, certamente 'acorda' os mortos do cemitério à nossa beira.
Confesso que os gemidos femininos até nem incomodam, ouvem-se baixinho e transmitem uma sensualidade que é naturalmente agradável, mas quanto ao resto, o caso muda de figura.
Os barulhos do mobiliário a arrastar, as pancadas ritmadas na parede espalham-se pela estrutura do edifício. Não é preciso ser engenheiro ou licenciado em engenharia para perceber que os ruídos e as vibrações estruturais são os mais difíceis de isolar e os mais incomodativos.
Portanto, ou compram uma cama nova, ou fodem no chão!
Não me fodam é a mim.

Boas fodas.

Alto da Boa Nova, Leça da Palmeira, 3.45AM, 18 de Junho de 2007

O vizinho de baixo!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Perdidos e Achados

Se penso nas pessoas que 'perdi'? Penso.
Se tenho a certeza que as amei? Tenho.
Se me custou? Muito.
Se lhes custou? Talvez.

Todos os dias 'perdemos' ou 'ganhamos' alguém.
Perder, perder mesmo?... acho q só perdi para a Morte. Faz-me falta quem cá esteve, quem amei e, hoje, não posso ver, sentir, ouvir ou tocar. Os que estavam, diariamente, e deixaram de estar...os que perdi para o 'destino'?, não considero perdidos...Talvez façam parte dos (re)visitados, daqueles que estavam, já não estão, mas vão estando, de forma incerta, mais esbatida; 'presentes' nos aniversários, nas festividades importantes e em fases difíceis.

Se sofro porque os 'perdi'? Já sofri...o suficiente (porque há um limite, até para o ilimitado).
Hoje encaro esse sofrimento como necessário, como uma imprescindível aprendizagem para o meu crescimento - das mais importantes de todas - que podemos fazer das perdas ganhos (sendo que o inverso também pode ser possível).

Tenho tido boas e más surpresas em relação a alguns (ex) entes queridos: falo de amigos, familiares, colegas, companheiros...
Entre a falência emocional e a obrigatória 'convalescença' (porque a vida não pára), considero, sempre, que o saldo é positivo e que o que não resultou é porque não estava 'destinado'. Às vezes, por mais que façamos, não conseguimos resultado positivo. Não vale a pena pensar 'Se eu (não) tivesse feito isto ou aquilo...' - as relações não são unilaterais, as pessoas e as suas características e vivências são cada vez mais divergentes (apesar do desejo latente de convergência) e, mais dia menos dia, acabam por falhar.
Somos egoístas e pouco tolerantes com o próximo; infernizamos, a troco de lustro no ego, a vida uns dos outros, e aqui, no busílis da questão, é que reside a solução para o problema - aceitar que as perdas são ganhos - ganho paz e 'perco' a pessoa; é a troca do espiritual e emotivo pelo material, pelo físico. Com a idade, vamos aprendendo a valorizar a parte emotiva e a dar menos importância ao invólucro. Há coisas que, definitivamente, se vivem em determinada idade e não noutra porque é descabido, não há apetência ou paciência para.

Também ganhamos na vida quando nos surpreendemos e conhecemos novas pessoas com boa índole, com bons sentimentos, que nos fazem acreditar que vale a pena de novo, que nos 'obrigam' a abrir o peito, a ultrapassar barreiras e medos (muitas vezes inexistentes, mas criados por nós) - verdadeiras 'lufadas de ar fresco' numa vida (a nossa) temporaria e propositadamente 'apagada'.
É nestas pessoas positivas que quero acreditar...é para elas que escrevo este texto.

Perder ou ganhar... ganhar ou perder? Tudo é relativo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pinta-ma outra vez

Pinta-ma outra vez:
A vida que me ofereceste
Essa vida que aceitei,
pensando muito no antes, menos no durante
e pouco no depois.

Pinta-ma outra vez;
Não da forma como o fizeste.
Não da forma como o conseguiste,
Mas da forma que sei que és capaz.

Pinta-ma outra vez...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Espécie Humana

Como os animais se dividem em espécies, estou certa de que também, assim, se dividem os humanos (em várias espécies de indivíduos). Senão vejamos:

1. Temos aqueles que estão de bem com a vida, consigo mesmo ou com a pessoa que escolheram para amar. São sensatos, calmos; sentem-se radiantes, vivem em permanente glória, mesmo quando as coisas correm menos bem; vêem a vida com bons olhos (nunca de viés) e sempre de frente. Não se deixam ir abaixo; lutam, exigem, mas dão; não são 'contornadores' de problemas, não inventam desculpas para os seus erros, nem mesmo para os dos outros, aceitam-nos. A vida é o que é...objectiva e fácil;

2. Temos os que estão de mal com a vida, consigo mesmo ou com a pessoa que escolheram. São pessimistas, amargos, ácidos; vivem sempre em 'desgraça', sentindo-se sempre mal-tratados e incompreendidos por quem lhes quer bem. A vida é madrasta e tudo o que acontece tem a ver com o azar (ou bruxedo), a incompreensão, a maldade (da parte dos outros); é o copo que está 'meio vazio, em vez de meio-cheio'; nada chega ou é suficiente; a vida não é para viver, vai-se suportando, numa sobrevivência 'pobre',...não se apercebendo, muitas vezes, que há pessoas ali mesmo ao lado que, de facto, têm uma vida difícil e a levam, honesta e sabiamente, com um sorriso rasgado nos lábios;

3. Depois temos aqueles que, não tendo vida, querem viver as vidas dos outros e, quando não conseguem, vivem, única e exclusivamente, para as estragar (apenas porque dá prazer....e aqui é que a coisa ganha laivos de sordidez). Quanto a mim, estes são os piores; fogem dos da 1ª espécie (porque não têm a mínima hipótese...perto deles são sombras) e juntam-se aos da 2ª espécie (porque são as presas mais fáceis...deixam-se 'convencer'). Dependendo da aceitação que têm por parte destes, põem em prática as lições aprendidas num qualquer reles manual de "Como aprender a 'lixar' o próximo em 3 tempos". Facilmente, (pois são aproveitadores) conseguem esboroar, escavar, minar, implodir, explodir e rasurar (como se de um caterpillar se tratassem) até não deixarem osso, cabelo ou alma de pé. São usurpadores, dissimulados, angelicais, sorrateiros, oportunistas, aproveitadores, calculistas; estão sempre ali, na hora H, para o que der e vier à espreita da primeira oportunidade para atacarem numa fase de fraqueza. No fundo, não passam de fungos ou vírus que proliferam nas debilidades de alguns (terreno fértil para as suas não-vidas).

Acredito que durante a nossa vivência, neste mundo, as verdadeiras pessoas, feitas de 'boa' massa, possam alternar entre as duas primeiras espécies...ou que características de ambas surjam esporádica ou intermitentemente nas suas experiências...
Quanto à terceira? Não...essa não se mistura. Nasce-se, cresce-se e morre-se assim....porque não conseguem mais.