Criticam e
Apreciam e
comentam……
e revelam
….a vida dos outros com pormenores e detalhes que não lembram ao Diabo nem a nós perguntar quanto mais cogitar tampouco saber.
Não nos interessavam, sequer, essas secretas preciosidades porque….e apenas porque… desconhecemos em profundidade o alvo da peçonha alheia uma vez que bom cego será sempre aquele que não quer ver ou (melhor ainda) que não tem interesse nenhum em enxergar o que não tem qualquer importância ou mesmo utilidade para ser sabido.
Confuso?!
Confusa será a mente daqueles que a isto, e a nada mais, se dedicam….com tempo de sobra para tudo!!, sendo essa a parte mais (ou menos) curiosa, confusa e inexplicável deste maquinismo atroz.
Que me interessa a mim saber das histórias de alcova, lençóis (alguidar ou outros utensílios congéneres) de a, b ou c?, ou conhecer os vícios e hábitos daqueles que nada me dizem?
Com que objectivo obscuro desdenham e desprezam a vida dos outros com o derradeiro intuito de comprarem a condenada e rebaixada mercadoria a custo zero para si e a preço incalculável para o triste visado?
Não sei se sou eu que complico e, por ser tão claro para mim o que sou e vejo, não sei clarificar melhor o que me arrelia nos falsos bonzinhos que entre nós coabitam e connosco convivem. Condeno veementemente os que vivem a vida d’ outros e no meio deste enxovalhanço lancinante se dão bem ao lançarem o veneno sozinhos e, no mesmo segundo, e à socapa, sorverem o indispensável antídoto.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Afazeres
Uma grande parte das nossas vidas é escrita, registada e, escrupulosamente, listada. Há uma necessidade organizacional inata em nós que nos faz listar o que é importante, o que é útil e (muitas vezes) não é, mas que não tencionamos olvidar.
É a lista das compras que é urgente fazer, a lista dos casamentos e prendas a receber, o rol dos convivas que queremos convidar, a relação do que queremos na mala antes de viajar, a lista das prendas que desejamos ofertar, o ror das pessoas cujos aniversário não pretendemos esquecer, a relação dos livros que ainda queremos ler, a lista dos ingredientes daquela sobremesa perfeita a rematar o jantar a dois, a lista dos sonhos por concretizar e dos sítios estupendos que queremos conhecer.
De todas estas listas que fazemos mental, intelectual e até fisicamente, a maioria das vezes sem sabermos, podem ser de dois tipos: as ‘de certeza’ e as ‘talvez’. É incrível como só me dei conta disto 31 anos após ter nascido….mas é verdade! Talvez ande um nadinha distraída. As primeiras são as que temos mesmo que fazer, impreterivelmente e sem lugar para dúvida. As segundas queremos fazer ou podem vir a ser feitas mas não significa que a nossa vida dependa disso ou tenhamos um prazo cronológico muito definido para as realizarmos. Uma coisa aprendi, mas também não era difícil, ainda que eu ande, como já disse, desatenta: uma ‘talvez’ pode vir a transformar-se numa ‘de certeza’, mas uma ‘de certeza’ nunca será uma ‘talvez’.
É a lista das compras que é urgente fazer, a lista dos casamentos e prendas a receber, o rol dos convivas que queremos convidar, a relação do que queremos na mala antes de viajar, a lista das prendas que desejamos ofertar, o ror das pessoas cujos aniversário não pretendemos esquecer, a relação dos livros que ainda queremos ler, a lista dos ingredientes daquela sobremesa perfeita a rematar o jantar a dois, a lista dos sonhos por concretizar e dos sítios estupendos que queremos conhecer.
De todas estas listas que fazemos mental, intelectual e até fisicamente, a maioria das vezes sem sabermos, podem ser de dois tipos: as ‘de certeza’ e as ‘talvez’. É incrível como só me dei conta disto 31 anos após ter nascido….mas é verdade! Talvez ande um nadinha distraída. As primeiras são as que temos mesmo que fazer, impreterivelmente e sem lugar para dúvida. As segundas queremos fazer ou podem vir a ser feitas mas não significa que a nossa vida dependa disso ou tenhamos um prazo cronológico muito definido para as realizarmos. Uma coisa aprendi, mas também não era difícil, ainda que eu ande, como já disse, desatenta: uma ‘talvez’ pode vir a transformar-se numa ‘de certeza’, mas uma ‘de certeza’ nunca será uma ‘talvez’.
domingo, 25 de maio de 2008
Um simples 'gosto de ti'
A vida é uma aprendizagem constante.
Muito próxima dos 31, recordo uma frase que todos conhecem 'Só sei que nada sei'. Viver com sabedoria significa perder a arrogância, insensatez e crença absoluta de que temos muito a ensinar aos outros e nada para aprender com eles.
Algo que me faz sentir diferente das outras pessoas é que aprendi, muito cedo, que o tempo encurta a vida (entre outras coisas) e que temos o dever de dizer aos que gravitam em torno de nós o que sentimos por eles, todos os dias da nossa existência.
Nunca me inibi de dizer 'Gosto de ti', sem pensar, assim, simples! O que me move? Não saber quanto tempo tenho e quantas oportunidades a vida me vai dar para o dizer a quem merece, as vezes que me der na veneta.
De uma forma má, mesquinha, torta e estúpida aprendi que não o devo ou posso fazer quando me apetece. As pessoas, na generalidade, não estão preparados para aceitar ou mesmo retribuir. (De registar que nunca o fiz como um pedido camuflado para que me digam o mesmo, mas posso regozijar-me de ter 'ensinado' algumas pessoas a fazê-lo, a mim e a outros, de uma forma que nunca tinham feito antes). Quando aprendemos a fazê-lo, torna-se um hábito tão natural como bocejar ou espreguiçarmo-nos.
Parece estúpido, mas não deixa de ser uma realidade torta e verdadeira a forma como os que não são da família têm tanta dificuldade em aceitar isto! Porquê?? Não me canso de perguntar....mas sei a resposta. Deram-me a conhecer a resposta. Afinal, um simples 'Gosto de ti' pode originar más interpretações em quem tem o coração fechado e palas nos olhos: significado - não posso dizê-lo a quem é comprometido sob pena de serem interpretadas entrelinhas na mensagem como: investida de cariz carnal ou/e até sexual. ABSURDO E RIDÍCULO.
Isto tudo para dizer que reduzi, infimamente, a 'lista' de pessoas a quem passei a ofertar um inocente, simples e (des)confortante 'Gosto de ti'. Há coisas que é preferível, afinal, guardarmos para nós mesmos. Pensar e não dizer.
Uma lição dura e triste que se aprende de onde menos se espera. Mas aprende-se. Ao invés de renovarmos os votos de amizade e carinho profundos por alguém que achamos merecedor através de um simples 'Gosto de ti', melhor mesmo é não dizermos nada.
É como digo, estamos constante e eternamente a aprender.
Muito próxima dos 31, recordo uma frase que todos conhecem 'Só sei que nada sei'. Viver com sabedoria significa perder a arrogância, insensatez e crença absoluta de que temos muito a ensinar aos outros e nada para aprender com eles.
Algo que me faz sentir diferente das outras pessoas é que aprendi, muito cedo, que o tempo encurta a vida (entre outras coisas) e que temos o dever de dizer aos que gravitam em torno de nós o que sentimos por eles, todos os dias da nossa existência.
Nunca me inibi de dizer 'Gosto de ti', sem pensar, assim, simples! O que me move? Não saber quanto tempo tenho e quantas oportunidades a vida me vai dar para o dizer a quem merece, as vezes que me der na veneta.
De uma forma má, mesquinha, torta e estúpida aprendi que não o devo ou posso fazer quando me apetece. As pessoas, na generalidade, não estão preparados para aceitar ou mesmo retribuir. (De registar que nunca o fiz como um pedido camuflado para que me digam o mesmo, mas posso regozijar-me de ter 'ensinado' algumas pessoas a fazê-lo, a mim e a outros, de uma forma que nunca tinham feito antes). Quando aprendemos a fazê-lo, torna-se um hábito tão natural como bocejar ou espreguiçarmo-nos.
Parece estúpido, mas não deixa de ser uma realidade torta e verdadeira a forma como os que não são da família têm tanta dificuldade em aceitar isto! Porquê?? Não me canso de perguntar....mas sei a resposta. Deram-me a conhecer a resposta. Afinal, um simples 'Gosto de ti' pode originar más interpretações em quem tem o coração fechado e palas nos olhos: significado - não posso dizê-lo a quem é comprometido sob pena de serem interpretadas entrelinhas na mensagem como: investida de cariz carnal ou/e até sexual. ABSURDO E RIDÍCULO.
Isto tudo para dizer que reduzi, infimamente, a 'lista' de pessoas a quem passei a ofertar um inocente, simples e (des)confortante 'Gosto de ti'. Há coisas que é preferível, afinal, guardarmos para nós mesmos. Pensar e não dizer.
Uma lição dura e triste que se aprende de onde menos se espera. Mas aprende-se. Ao invés de renovarmos os votos de amizade e carinho profundos por alguém que achamos merecedor através de um simples 'Gosto de ti', melhor mesmo é não dizermos nada.
É como digo, estamos constante e eternamente a aprender.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
'ências'
Simples, difíceis.
Doces, amargas.
Ásperas, suaves.
Duradouras, fugazes.
A vida é repleta de ências.
Intermitências periódicas, cíclicas, alternadas. Interrupções momentâneas e intercalares a espaços curtos ou longos, mais ou menos sofridos, antecipados e ultrapassados. Amo agora para odiar mais tarde e voltar a amar; sofro aqui para curar ali e gemer acolá; rio hoje pelo riso de ontem e hei-de rir mais além; tapo agora o destapado de antigamente e de sempre que me cobre a cabeça e descobre os pés numa luta incerta entre o início e o fim.
Transcendências sublimes e heróicas. Elevadas e grandiosas formas que encontramos para nos engrandecermos em situações desgraçadas ou infelizes. É a excelência que encontramos sem saber que a possuíamos intrínseca e encerrada em nós mesmos, libertada, assim, de forma superior, excelsa e magnificente.
Tendências, não de moda, trapos ou coisas congéneres mas de transformações, mutações e metamorfoses de comportamento não por seguirmos uma moda ou um costume mas porque, a par do revolver e agitar do tempo, crescemos e aprendemos e mudamos e cambiamos uma atitude por outra ainda que o estímulo (bom ou mau) se mantenha inalterável.
Remanências perdidas e achadas. Fiapos, farrapos, retalhos e centelhas. O que sobeja, sobra e resta. O que avulta depois das contas feitas e refeitas. É o excedente que deveria ser sempre categórico e quase nunca o é. Nem tudo o que sobra é bom. Muitas são as vezes que não sabemos o que fazer com esse resto. Quase sempre o guardamos: num bolso, num canto, numa gaveta, num ficheiro, num pensamento. Pode não ter utilidade, mas ainda assim fica abrigado e acautelado para mais tarde renascer numa lembrança ou relação in vitro.
Condescendências faz parte da lista das minhas ências favoritas. É flexível, maleável, dobradiça. A chave para nos acomodarmos e ajustarmos aos outros e às suas vontades, manias e intenções. O caminho certo e genuíno para o bom entendimento, o encontrar sentido naquilo que não faz sentido nos outros, o compreender e entender e conviver e viver bem com isso, o desapertar a mordaça ou a algema que prende e amarra. Aceitar o que não tem que estar pré concebido ou estabelecido. A norma não é a regra e entre dois não há regulamentos, regimes ou leis. Há harmonia, entendimento, serenidade, consonância, melodia, música até.
Inconsistências são os algozes que matam, impiedosamente, a ência anterior. Um dia estamos bem, outro mal: essa será a ordem natural das coisas não fosse o ser humano caracteristicamente inconstante e insatisfeito por natureza. Não falo obviamente dessa inconstância, mas daquela outra que prega rasteiras, é matreira e aparece sem aviso. É doente e por se votar à doença arruína e estraga sem arranjo (que para estas coisas dos sentimentos não há garantias, só responsabilidades). Apresenta-se com laivos de doença psíquica e moralmente perigosa. Está embutida e enclausurada, oportunamente à espreita de deslize, descuido ou descanso da guarda para o ataque final.
Turbulências é tudo o que acontece quando todas as outras ências não se encaixam, entrosam, misturam ou harmonizam. Poucos são os que sobrevivem, num par, a esta rebaldaria. A lista tornar-se-ia interminável.
Doces, amargas.
Ásperas, suaves.
Duradouras, fugazes.
A vida é repleta de ências.
Intermitências periódicas, cíclicas, alternadas. Interrupções momentâneas e intercalares a espaços curtos ou longos, mais ou menos sofridos, antecipados e ultrapassados. Amo agora para odiar mais tarde e voltar a amar; sofro aqui para curar ali e gemer acolá; rio hoje pelo riso de ontem e hei-de rir mais além; tapo agora o destapado de antigamente e de sempre que me cobre a cabeça e descobre os pés numa luta incerta entre o início e o fim.
Transcendências sublimes e heróicas. Elevadas e grandiosas formas que encontramos para nos engrandecermos em situações desgraçadas ou infelizes. É a excelência que encontramos sem saber que a possuíamos intrínseca e encerrada em nós mesmos, libertada, assim, de forma superior, excelsa e magnificente.
Tendências, não de moda, trapos ou coisas congéneres mas de transformações, mutações e metamorfoses de comportamento não por seguirmos uma moda ou um costume mas porque, a par do revolver e agitar do tempo, crescemos e aprendemos e mudamos e cambiamos uma atitude por outra ainda que o estímulo (bom ou mau) se mantenha inalterável.
Remanências perdidas e achadas. Fiapos, farrapos, retalhos e centelhas. O que sobeja, sobra e resta. O que avulta depois das contas feitas e refeitas. É o excedente que deveria ser sempre categórico e quase nunca o é. Nem tudo o que sobra é bom. Muitas são as vezes que não sabemos o que fazer com esse resto. Quase sempre o guardamos: num bolso, num canto, numa gaveta, num ficheiro, num pensamento. Pode não ter utilidade, mas ainda assim fica abrigado e acautelado para mais tarde renascer numa lembrança ou relação in vitro.
Condescendências faz parte da lista das minhas ências favoritas. É flexível, maleável, dobradiça. A chave para nos acomodarmos e ajustarmos aos outros e às suas vontades, manias e intenções. O caminho certo e genuíno para o bom entendimento, o encontrar sentido naquilo que não faz sentido nos outros, o compreender e entender e conviver e viver bem com isso, o desapertar a mordaça ou a algema que prende e amarra. Aceitar o que não tem que estar pré concebido ou estabelecido. A norma não é a regra e entre dois não há regulamentos, regimes ou leis. Há harmonia, entendimento, serenidade, consonância, melodia, música até.
Inconsistências são os algozes que matam, impiedosamente, a ência anterior. Um dia estamos bem, outro mal: essa será a ordem natural das coisas não fosse o ser humano caracteristicamente inconstante e insatisfeito por natureza. Não falo obviamente dessa inconstância, mas daquela outra que prega rasteiras, é matreira e aparece sem aviso. É doente e por se votar à doença arruína e estraga sem arranjo (que para estas coisas dos sentimentos não há garantias, só responsabilidades). Apresenta-se com laivos de doença psíquica e moralmente perigosa. Está embutida e enclausurada, oportunamente à espreita de deslize, descuido ou descanso da guarda para o ataque final.
Turbulências é tudo o que acontece quando todas as outras ências não se encaixam, entrosam, misturam ou harmonizam. Poucos são os que sobrevivem, num par, a esta rebaldaria. A lista tornar-se-ia interminável.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
A falha
O enigma não está no diz-que-disse, maledicência, calúnia ou trapalhice do embuste em sintonia com a falta de verdade que planta, rega, colhe, almoça, lancha e janta dúvidas de inexactidão e falta de rigor em vida(s) alheia(s).
Com a cusquice, a mordacidade e a má-língua estamos já nós, mais ou menos, habituados, aclimatados e acostumados. É que para a ruindade também se cria hábito ou não fosse o mal-dizer os outros uma usança rotineira e o desporto predilecto de uma boa maioria de pessoas - excitados que ficam como boi picado de mosca que até a língua se lhes enrola e encortiça na sequidão de muita saliva gasta a tagarelar a vida d’outrem e a infectar, poluir e contaminar, com a própria peçonha, a paz dos outros.
A solução é só uma e, ainda por cima, simples: ficar alerta e de antenas no ar (com os cornos não funciona pela sua escassa delicadeza) com o ‘radar’ ao rubro e vigilante para apreender que quando nos começam a tratar mal basta apenas encomendar uma pele mais grossa que sirva de capa a esta mais fina com a qual nascemos e que nem na luta com os UVA’s e UVB’s se safa sozinha!
A verdadeira dificuldade apresenta-se entre os, supostamente, bem-queridos com quem lidamos e vivemos dia-após-dia e com quem não conseguimos falar ou, mais gravoso ainda, comunicar.
Apontar o dedo é simples. Filosofar, então, nem se fala!
A culpa (variada, múltipla e farta – aquela que usamos como disfarce) é do tempo do relógio (porque é sempre pouco, imparável e vitorioso); do tempo lá fora (porque a chuva deprime e o calor apachorrenta); do trabalho (porque nos consome o dito tempo e debilita a tolerância); da falta de amor (porque o egoísmo é muito e nos ensinaram que amar mesmo e a sério PRIMEIRO é a nós mesmos e só depois aos outros); do feitio (porque é sempre boa desculpa para tudo, um excelente réu para o injustificável - distinto carcereiro, carrasco ou executor da má fortuna com sentença desprezível e questionável por ser a mais esfarrapada!), etc, etc, etc…
Vivo numa geração precipitada. Egoísta, desistente, desertora, fugitiva. Detentora de todos os meios emotiva, literária e tecnologicamente falando e, ainda assim, abstémica e evadida. Tudo pacífico, se profundamente conhecesse o sítio para onde pretende ir e o que quer escolher – mas não sabe. Deixa-se levar. É o go with the flow onde tudo parece transitório, provisório, breve e fugaz. Hoje estamos aqui e falamos, amanhã, quem sabe, noutro sítio ou até no mesmo, a tentar ‘comunicar’, mas sem nos entendermos. Geração esquisita, mimada, satisfeita na sua vastíssima insatisfação ou no vice-versa. Pouco lutadora pelo que deve, produtiva no que não deve, adepta do caminho fácil e curto e do atalho sem esforço.
Comparativamente pior que a anterior, em inúmeros aspectos, a minha é a geração ‘rasca’. Da vindoura prefiro nem sequer falar!
Com a cusquice, a mordacidade e a má-língua estamos já nós, mais ou menos, habituados, aclimatados e acostumados. É que para a ruindade também se cria hábito ou não fosse o mal-dizer os outros uma usança rotineira e o desporto predilecto de uma boa maioria de pessoas - excitados que ficam como boi picado de mosca que até a língua se lhes enrola e encortiça na sequidão de muita saliva gasta a tagarelar a vida d’outrem e a infectar, poluir e contaminar, com a própria peçonha, a paz dos outros.
A solução é só uma e, ainda por cima, simples: ficar alerta e de antenas no ar (com os cornos não funciona pela sua escassa delicadeza) com o ‘radar’ ao rubro e vigilante para apreender que quando nos começam a tratar mal basta apenas encomendar uma pele mais grossa que sirva de capa a esta mais fina com a qual nascemos e que nem na luta com os UVA’s e UVB’s se safa sozinha!
A verdadeira dificuldade apresenta-se entre os, supostamente, bem-queridos com quem lidamos e vivemos dia-após-dia e com quem não conseguimos falar ou, mais gravoso ainda, comunicar.
Apontar o dedo é simples. Filosofar, então, nem se fala!
A culpa (variada, múltipla e farta – aquela que usamos como disfarce) é do tempo do relógio (porque é sempre pouco, imparável e vitorioso); do tempo lá fora (porque a chuva deprime e o calor apachorrenta); do trabalho (porque nos consome o dito tempo e debilita a tolerância); da falta de amor (porque o egoísmo é muito e nos ensinaram que amar mesmo e a sério PRIMEIRO é a nós mesmos e só depois aos outros); do feitio (porque é sempre boa desculpa para tudo, um excelente réu para o injustificável - distinto carcereiro, carrasco ou executor da má fortuna com sentença desprezível e questionável por ser a mais esfarrapada!), etc, etc, etc…
Vivo numa geração precipitada. Egoísta, desistente, desertora, fugitiva. Detentora de todos os meios emotiva, literária e tecnologicamente falando e, ainda assim, abstémica e evadida. Tudo pacífico, se profundamente conhecesse o sítio para onde pretende ir e o que quer escolher – mas não sabe. Deixa-se levar. É o go with the flow onde tudo parece transitório, provisório, breve e fugaz. Hoje estamos aqui e falamos, amanhã, quem sabe, noutro sítio ou até no mesmo, a tentar ‘comunicar’, mas sem nos entendermos. Geração esquisita, mimada, satisfeita na sua vastíssima insatisfação ou no vice-versa. Pouco lutadora pelo que deve, produtiva no que não deve, adepta do caminho fácil e curto e do atalho sem esforço.
Comparativamente pior que a anterior, em inúmeros aspectos, a minha é a geração ‘rasca’. Da vindoura prefiro nem sequer falar!
segunda-feira, 7 de abril de 2008
4 de Abril de 2008 (a cara (data) não bate com a careta)
Há oito dias sem net.
Há três dias regressada de férias.
Muito para escrever, falar e desabafar. Gravar testemunhos diários, reais, fidedignos. Passados, presentes e futuros promissores (antes assim do que em devedoras promissórias. Prefiro as promessas cumpridas).
É formigueiro que sinto nas falanges, falangetas e falanginhas. Toda a mão impregnada de uma formigância de escrever. Poderia ser num papel, em madeira, no chão ou em pedra. O rascunho de um testemunho jogado fora ou apagado quando a utilidade do mesmo - a cura para o formigar sentido - fosse finalmente alcançada.
Muito falei, discuti, ‘esperneei’, reclamei, gritei....horas e euros gastos a fio...não há vontade ou Avé Maria técnica que me ouça ou salve e que me conserte a falha de net que transita entre exterior e interior ou o raio-que-o-valha - porque entre quem me atende o telefone e quem vem cá a casa, o marasmo e a inércia são tudo menos promessas cumpridas.
Mas que raio custa aos tipos da TV CABO (sim, são eles!!) arranjarem a merda do cabo, ou linha, ou conexão, ou fio, ou o que quer que seja que me liga ao meu blog. Aquele do qual já sinto saudades e me impregna deste formigueiro manual e cerebral, que me afecta o sistema nervoso central, Kreutzfeld-Jakobiamente falando, e que me deixa desvairada.
Quero deixar a marca e o registo sem ser num papel avulso ou sem ter que escrever e fazer save-my documents-copy-pastes-e-afins em pens, disquetes e merdas do género para depois, finalmente, ‘postar’. Quero garatujar e sentir o texto crescer in loco, sem ter que pedir, pedinchar ou esperar pela net de outrém e poder escrever no sítio que é meu, do qual tenho password, mas não tenho ‘chave’ mestra que permita a passagem para a entrada no ‘meu mundo’.
Não é para ninguém ler, não é para tornar público. É para sentir que está lá, gravado e que existe desvinculado da mente, concretizado, desmembrado e dissecado em letra e a ganhar corpo em texto, ainda que seja em página virtual.
Quem corre por gosto não cansa, dizem os entendidos. De Seca a Meca já fiz o que possível e impossível, já suei até as estopinhas. Resta-me esperar. E como quem aguarda sempre alcança.....alguma coisa há-de surgir (em breve, espero eu!). Enquanto isso, vou ‘mendigar’ a alguma alma caridosa que me deixe escrever o que quero e sinto até que me seja devolvido o ‘leasing’ da chave mestra ‘roubada’ à socapa enquanto o papo se estendia ao sol, em terras de Moçambique. Uma gaja não se pode distrair um minuto que estes gajos vêm atrás das nossas costas faralhar o que estava direito e pô-lo torto. Não há direito.
Há três dias regressada de férias.
Muito para escrever, falar e desabafar. Gravar testemunhos diários, reais, fidedignos. Passados, presentes e futuros promissores (antes assim do que em devedoras promissórias. Prefiro as promessas cumpridas).
É formigueiro que sinto nas falanges, falangetas e falanginhas. Toda a mão impregnada de uma formigância de escrever. Poderia ser num papel, em madeira, no chão ou em pedra. O rascunho de um testemunho jogado fora ou apagado quando a utilidade do mesmo - a cura para o formigar sentido - fosse finalmente alcançada.
Muito falei, discuti, ‘esperneei’, reclamei, gritei....horas e euros gastos a fio...não há vontade ou Avé Maria técnica que me ouça ou salve e que me conserte a falha de net que transita entre exterior e interior ou o raio-que-o-valha - porque entre quem me atende o telefone e quem vem cá a casa, o marasmo e a inércia são tudo menos promessas cumpridas.
Mas que raio custa aos tipos da TV CABO (sim, são eles!!) arranjarem a merda do cabo, ou linha, ou conexão, ou fio, ou o que quer que seja que me liga ao meu blog. Aquele do qual já sinto saudades e me impregna deste formigueiro manual e cerebral, que me afecta o sistema nervoso central, Kreutzfeld-Jakobiamente falando, e que me deixa desvairada.
Quero deixar a marca e o registo sem ser num papel avulso ou sem ter que escrever e fazer save-my documents-copy-pastes-e-afins em pens, disquetes e merdas do género para depois, finalmente, ‘postar’. Quero garatujar e sentir o texto crescer in loco, sem ter que pedir, pedinchar ou esperar pela net de outrém e poder escrever no sítio que é meu, do qual tenho password, mas não tenho ‘chave’ mestra que permita a passagem para a entrada no ‘meu mundo’.
Não é para ninguém ler, não é para tornar público. É para sentir que está lá, gravado e que existe desvinculado da mente, concretizado, desmembrado e dissecado em letra e a ganhar corpo em texto, ainda que seja em página virtual.
Quem corre por gosto não cansa, dizem os entendidos. De Seca a Meca já fiz o que possível e impossível, já suei até as estopinhas. Resta-me esperar. E como quem aguarda sempre alcança.....alguma coisa há-de surgir (em breve, espero eu!). Enquanto isso, vou ‘mendigar’ a alguma alma caridosa que me deixe escrever o que quero e sinto até que me seja devolvido o ‘leasing’ da chave mestra ‘roubada’ à socapa enquanto o papo se estendia ao sol, em terras de Moçambique. Uma gaja não se pode distrair um minuto que estes gajos vêm atrás das nossas costas faralhar o que estava direito e pô-lo torto. Não há direito.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Precious things
‘Não há amor como o primeiro’, dizem os entendidos ‘velhos do Restelo’ da sabedoria popular. A preciosidade deste conhecido ‘tesouro’ está na experiência de vida e na sabença e ensinança do Zé (nem-sempre) Povinho que faz desta realidade uma certeza com exactidão bastante elucidativa, ‘quase-eruditamente’ falando, de que uma coisa ganha valor e maior relevância quando é única e singular.
O valor inflacionado ou ‘alto preço’ desta justeza não terá tanto a ver com o facto de as primeiras coisas serem sempre, necessariamente, melhores ou superiores, mas sim com o caso de se tornarem especiais por terem sido pioneiras e, mais ainda, porquanto não voltaram a suceder ou a repetir-se.
Exclusividade e pioneirismo.
(Será aqui, por exemplo, que reside a mais valia dos números ímpares – estranhamente, mais valiosos e perfeitos que os pares - têm exclusividade pioneira). Parecem imperfeitos – ‘o que fazemos àquele apêndice que sobra ali e não tem serventia nenhuma’?! Pois bem, têm o valor acrescentado de nos darem mais uma opção, mais um caminho, mais uma escolha. O par já é par….não há grande misticismo, cada par está destinado matrimonialmente (so to speak) com outro, faz parelha, combina e encaixa tipo peça de puzzle.) (‘Perdoem-me o extenso parêntesis! – perco-me sempre com estas descobertas’).
Temos o dever de sermos rigorosos. Não se dá valor a alguém ou algo por dá-cá-aquela-palha ou apenas porque é pioneiro (a primeira vez que nos aparece a menstruação ou a primeira vez que ela deixa de aparecer sem ser por gravidez desejada ou indesejada (menopausa) não é nada bom, não me lixem!!).
Há uma rol de sentimentos à mistura que nos fazem gostar desse algo ou alguém - porque é único, nos faz rir, nos faz caminhar em algodão, nos faz querer viver ou reviver, nos faz bem, nos dá prazer, em suma é especial.
A vida com saúde é o bem mais precioso e incomparável que nos foi ofertado de mão beijada. Só existe uma, e é esta. Quantos de nós a desperdiçamos ou esbanjamos, mandando à fava o seu pioneirismo e importância? Esquecidos que estamos de que só há esta (excepto para quem acredita no blá-blá-blá-depois-da-morte), deixamo-nos andar e fazemos más escolhas a saber (e sem duvidar) que são péssimas, mas queremos fazê-las SÓ … porque achamos que temos que fazer qualquer coisa. Chiça!!! … que eternos insatisfeitos com confusas, confundidas e desligadas mentes!
Que azarada e mal fadada sorte a destes (mal) remediados que ‘compram’ ilusória, aparente e vã pompa-e-circunstância de uma merda de vida comezinha e de política de rapó-tacho (a ver se sobrou alguma coisa) só para dizer que um dia a (sobre)viveram. Quem não sabe fazer melhor, não tem culpa nenhuma - uma grande verdade. Outra culpa terão aqueles que têm ajuda, não a enxergam ou aproveitam quando a têm ou nem sequer a procuram nos sítios mais óbvios. A idiotice manifesta-se, também, nestas pequenas/grandes coisas.
O valor inflacionado ou ‘alto preço’ desta justeza não terá tanto a ver com o facto de as primeiras coisas serem sempre, necessariamente, melhores ou superiores, mas sim com o caso de se tornarem especiais por terem sido pioneiras e, mais ainda, porquanto não voltaram a suceder ou a repetir-se.
Exclusividade e pioneirismo.
(Será aqui, por exemplo, que reside a mais valia dos números ímpares – estranhamente, mais valiosos e perfeitos que os pares - têm exclusividade pioneira). Parecem imperfeitos – ‘o que fazemos àquele apêndice que sobra ali e não tem serventia nenhuma’?! Pois bem, têm o valor acrescentado de nos darem mais uma opção, mais um caminho, mais uma escolha. O par já é par….não há grande misticismo, cada par está destinado matrimonialmente (so to speak) com outro, faz parelha, combina e encaixa tipo peça de puzzle.) (‘Perdoem-me o extenso parêntesis! – perco-me sempre com estas descobertas’).
Temos o dever de sermos rigorosos. Não se dá valor a alguém ou algo por dá-cá-aquela-palha ou apenas porque é pioneiro (a primeira vez que nos aparece a menstruação ou a primeira vez que ela deixa de aparecer sem ser por gravidez desejada ou indesejada (menopausa) não é nada bom, não me lixem!!).
Há uma rol de sentimentos à mistura que nos fazem gostar desse algo ou alguém - porque é único, nos faz rir, nos faz caminhar em algodão, nos faz querer viver ou reviver, nos faz bem, nos dá prazer, em suma é especial.
A vida com saúde é o bem mais precioso e incomparável que nos foi ofertado de mão beijada. Só existe uma, e é esta. Quantos de nós a desperdiçamos ou esbanjamos, mandando à fava o seu pioneirismo e importância? Esquecidos que estamos de que só há esta (excepto para quem acredita no blá-blá-blá-depois-da-morte), deixamo-nos andar e fazemos más escolhas a saber (e sem duvidar) que são péssimas, mas queremos fazê-las SÓ … porque achamos que temos que fazer qualquer coisa. Chiça!!! … que eternos insatisfeitos com confusas, confundidas e desligadas mentes!
Que azarada e mal fadada sorte a destes (mal) remediados que ‘compram’ ilusória, aparente e vã pompa-e-circunstância de uma merda de vida comezinha e de política de rapó-tacho (a ver se sobrou alguma coisa) só para dizer que um dia a (sobre)viveram. Quem não sabe fazer melhor, não tem culpa nenhuma - uma grande verdade. Outra culpa terão aqueles que têm ajuda, não a enxergam ou aproveitam quando a têm ou nem sequer a procuram nos sítios mais óbvios. A idiotice manifesta-se, também, nestas pequenas/grandes coisas.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Perdoar
Na nossa vida, apenas uma coisa é certa, além dos impostos que pagamos, as meias que as avós sempre nos oferecem na época natalícia e a morte. Não importa o que tentamos ou queremos fazer. Não importa se as nossas intenções foram ou são boas. Cometemos erros. Magoamos outras pessoas e acabamos por nos magoar. Se algum dia desejamos recuperar-nos, há apenas uma coisa a dizer - 'Eu perdoo'.
Perdoar é esquecer. Melhor ainda, perdoar e esquecer (pelo menos é o que ouço dizer por aí).
É um excelente conselho. Não muito prático ou fácil, mas um bom conselho.
Quando alguém nos magoa, queremos magoar de volta. Quando erram connosco, queremos estar certos e ter a razão como amparo ou companhia.
Sem perdão, a pontuação não empata e as velhas feridas não curam ou fecham. O máximo que podemos esperar é que um dia tenhamos a sorte de esquecer. Isso é possível.
Perdoar é esquecer. Melhor ainda, perdoar e esquecer (pelo menos é o que ouço dizer por aí).
É um excelente conselho. Não muito prático ou fácil, mas um bom conselho.
Quando alguém nos magoa, queremos magoar de volta. Quando erram connosco, queremos estar certos e ter a razão como amparo ou companhia.
Sem perdão, a pontuação não empata e as velhas feridas não curam ou fecham. O máximo que podemos esperar é que um dia tenhamos a sorte de esquecer. Isso é possível.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Três desejos
É muito famosa a lenda ou o mito do génio da lâmpada que depois de ser bem esfregado….PUFFF!!, com roupa mais ou menos gay, aparece e nos concede três desejos (aos quais, muito sinceramente, acho que todos deveríamos ter direito. ‘Merda, esta tinha sido uma boa alínea para eu ter colocado no texto onde falo do 3 como número especial. Talvez um dia acrescente, quando me lembrar’).
Esses desejos deviam ser registados logo à nascença, na Conservatória do Registo Civil, para ficarem bem firmados, assinados e não esquecidos. O problema é que pela nossa tenra idade, face ao analfabetismo inerente a qualquer recém-nascido, nem a escolha dos tais desejos, nem a assinatura de compromisso dos mesmos, seria possível! Ok….alguma coisa se haveria de arranjar! Nem que os nossos pais ou familiares fossem obrigados a deixar uma caução em dinheiro ou géneros a fim de assegurar que esses três desejos fossem, impreterivelmente, concretizados assim que atingíssemos a maioridade. Assim tínhamos duas prendas: o gozo dos direitos civis (ainda me hão-de dizer quais são!) e os tais três desejos. Que luxo!
Como poderão imaginar iria haver uma grande repetição de desejos. Os homens iam SEMPRE desejar, pelos menos, uma gaja ‘boa’ na vida e toda a mulher ia querer que, pelo menos, uma vez na vida, algum homem achasse que ela é essa gaja ‘boa’. Os outros desejos iam variar consoante a estupidez, a avareza, a ambição e a inteligência (ou falta dela) das pessoas.
Sou da opinião de que deveria haver, ainda, uma distinção bem definida e vincada entre aquilo que são desejos e sonhos. Em vez de termos só 3 dos primeiros, devíamos ter, também, 3 dos segundos.
Ora feitas as contas, aos trinta anos, tenho 2 sonhos realizados: já vi DMB ao vivo no meu país (conhecer o Eduardo, no concerto, foi um excelente bónus) e já pisei solo americano. Estou a caminho do terceiro – pisar solo africano. Já viram se não tivesse direito aos 3 sonhos!!!!? Aos 30 anos a minha vida tinha perdido toda a magia!! Assim fico mais feliz por poder sonhar que ainda me restam outras tantas alternativas e posso fazer ‘cagadas’ sem jeito ou compostura porque tenho ainda mais três créditos para consertar, remediar ou minimizar os estragos.
Esses desejos deviam ser registados logo à nascença, na Conservatória do Registo Civil, para ficarem bem firmados, assinados e não esquecidos. O problema é que pela nossa tenra idade, face ao analfabetismo inerente a qualquer recém-nascido, nem a escolha dos tais desejos, nem a assinatura de compromisso dos mesmos, seria possível! Ok….alguma coisa se haveria de arranjar! Nem que os nossos pais ou familiares fossem obrigados a deixar uma caução em dinheiro ou géneros a fim de assegurar que esses três desejos fossem, impreterivelmente, concretizados assim que atingíssemos a maioridade. Assim tínhamos duas prendas: o gozo dos direitos civis (ainda me hão-de dizer quais são!) e os tais três desejos. Que luxo!
Como poderão imaginar iria haver uma grande repetição de desejos. Os homens iam SEMPRE desejar, pelos menos, uma gaja ‘boa’ na vida e toda a mulher ia querer que, pelo menos, uma vez na vida, algum homem achasse que ela é essa gaja ‘boa’. Os outros desejos iam variar consoante a estupidez, a avareza, a ambição e a inteligência (ou falta dela) das pessoas.
Sou da opinião de que deveria haver, ainda, uma distinção bem definida e vincada entre aquilo que são desejos e sonhos. Em vez de termos só 3 dos primeiros, devíamos ter, também, 3 dos segundos.
Ora feitas as contas, aos trinta anos, tenho 2 sonhos realizados: já vi DMB ao vivo no meu país (conhecer o Eduardo, no concerto, foi um excelente bónus) e já pisei solo americano. Estou a caminho do terceiro – pisar solo africano. Já viram se não tivesse direito aos 3 sonhos!!!!? Aos 30 anos a minha vida tinha perdido toda a magia!! Assim fico mais feliz por poder sonhar que ainda me restam outras tantas alternativas e posso fazer ‘cagadas’ sem jeito ou compostura porque tenho ainda mais três créditos para consertar, remediar ou minimizar os estragos.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Vícios
Há de vários tipos. Revelam-se em nós, ou revelamo-nos neles, de várias formas e feitios. Os mais comummente conhecidos ou (ingénua e) socialmente temidos são: o álcool, o tabaco, a droga.
Não existe adicto consciente que não queira livrar-se do vício, algum dia, nalgum tempo, nalgum lugar. Os 'inconscientes' não se querem livrar porque simplesmente não o vêem. A urgência é sentir.
Dizem que o tabaco é prazer. E é. Como fumadora, assumo essa verdade inquestionável, mas sei que faz mal e sei que tenho que deixar. Um dia deixo. Não hoje, não amanhã, um dia. ('Que seja rápido, porque esta nova lei 'do fumo' (justificada pela falta de civismo da maioria dos portugueses, admito) trata-nos como cães ao abandono ou como se tivéssemos o ébola ? parece-me fundamentalismo a mais. Talvez a solução seja começar a mascar o tabaco em vez de o fumar!). Fumo pouco e por prazer. Hummmmm? o prazer. Ora aí está o meu motivo que faz com que seja difícil deixar este vício. Porque é bom, dá prazer, deleite, gozo; pode não dar bem-estar, mas traz satisfação, agrado, aprazimento.
Deixar um vício, qualquer que seja ele, não é fácil. Estamos melhor sem ele, estamos certos disso, mas não o conseguimos ou queremos abandonar. A coisa deteriora-se, em larga escala, se o nível de dependência for muito elevado. Ficamos amarrados e a amarra é forte e hercúlea, por vezes, parece mesmo indestrutível. Desamarrá-la oferece dor, sofrimento, tormento, tortura, abstinência, privação, desamparo, inquietação, degradação, desajuste e até doença. Podemos ser viciados no trabalho, em música, em sexo, em cola, em chocolate, em medicamentos, em jogo, em violência, no perigo, na adrenalina, na cafeína, na morte, no crime, na televisão, em alguém, numa relação (boa ou má).
Procuramos compensações para falhas e conseguimos, muitas vezes, adoptar comportamentos maníaco-depressivos em relação a alguns vícios. Deixamos que estes ganhem vida e vontade sobre nós. Verdadeiros predadores em busca de presa. Tornam-nos impotentes ou, pelo menos, é isso que parece.
Sentimo-nos preparados e capazes de tudo em prol dos mesmos. Esquecemos o mundo e distorcemos a realidade interpretando-a direita quando está torta. Chegamos mesmo a perder o juízo e somos capazes de aceitar ou fazer o inaceitável, tornando-o aceitável (ou vice-versa) na nossa mente e no nosso corpo.
Não raras vezes sabemos que não queremos aquilo, enumeramos na nossa cabeça os motivos, fazemos uma lista, certificamo-nos que está correcta, justificamo-la ponto por ponto, levamos os outros a crerem como nós, decidimos que não queremos e?, depois?, vamos atrás, e aceitamos, e perseguimos, e fraquejamos, e usamos e deixamo-nos ir. É o mal que sabemos que nos faz e o reconhecer que sem esse mal ainda ficamos pior. É a sensação deprimente de que estamos a fazer o contrário do que decidimos e?.não conseguimos inverter, talvez, apenas, subverter! Esta coisa da vontade é mesmo muito relativa. Iludimo-nos num controlo que nunca tivemos, qual marioneta ou joguete na 'mão' de quem manda ou comanda a vida. Ensinaram-nos que o livre arbítrio é 'coisa' nossa, mas, por vezes, não parece nada.
Não existe adicto consciente que não queira livrar-se do vício, algum dia, nalgum tempo, nalgum lugar. Os 'inconscientes' não se querem livrar porque simplesmente não o vêem. A urgência é sentir.
Dizem que o tabaco é prazer. E é. Como fumadora, assumo essa verdade inquestionável, mas sei que faz mal e sei que tenho que deixar. Um dia deixo. Não hoje, não amanhã, um dia. ('Que seja rápido, porque esta nova lei 'do fumo' (justificada pela falta de civismo da maioria dos portugueses, admito) trata-nos como cães ao abandono ou como se tivéssemos o ébola ? parece-me fundamentalismo a mais. Talvez a solução seja começar a mascar o tabaco em vez de o fumar!). Fumo pouco e por prazer. Hummmmm? o prazer. Ora aí está o meu motivo que faz com que seja difícil deixar este vício. Porque é bom, dá prazer, deleite, gozo; pode não dar bem-estar, mas traz satisfação, agrado, aprazimento.
Deixar um vício, qualquer que seja ele, não é fácil. Estamos melhor sem ele, estamos certos disso, mas não o conseguimos ou queremos abandonar. A coisa deteriora-se, em larga escala, se o nível de dependência for muito elevado. Ficamos amarrados e a amarra é forte e hercúlea, por vezes, parece mesmo indestrutível. Desamarrá-la oferece dor, sofrimento, tormento, tortura, abstinência, privação, desamparo, inquietação, degradação, desajuste e até doença. Podemos ser viciados no trabalho, em música, em sexo, em cola, em chocolate, em medicamentos, em jogo, em violência, no perigo, na adrenalina, na cafeína, na morte, no crime, na televisão, em alguém, numa relação (boa ou má).
Procuramos compensações para falhas e conseguimos, muitas vezes, adoptar comportamentos maníaco-depressivos em relação a alguns vícios. Deixamos que estes ganhem vida e vontade sobre nós. Verdadeiros predadores em busca de presa. Tornam-nos impotentes ou, pelo menos, é isso que parece.
Sentimo-nos preparados e capazes de tudo em prol dos mesmos. Esquecemos o mundo e distorcemos a realidade interpretando-a direita quando está torta. Chegamos mesmo a perder o juízo e somos capazes de aceitar ou fazer o inaceitável, tornando-o aceitável (ou vice-versa) na nossa mente e no nosso corpo.
Não raras vezes sabemos que não queremos aquilo, enumeramos na nossa cabeça os motivos, fazemos uma lista, certificamo-nos que está correcta, justificamo-la ponto por ponto, levamos os outros a crerem como nós, decidimos que não queremos e?, depois?, vamos atrás, e aceitamos, e perseguimos, e fraquejamos, e usamos e deixamo-nos ir. É o mal que sabemos que nos faz e o reconhecer que sem esse mal ainda ficamos pior. É a sensação deprimente de que estamos a fazer o contrário do que decidimos e?.não conseguimos inverter, talvez, apenas, subverter! Esta coisa da vontade é mesmo muito relativa. Iludimo-nos num controlo que nunca tivemos, qual marioneta ou joguete na 'mão' de quem manda ou comanda a vida. Ensinaram-nos que o livre arbítrio é 'coisa' nossa, mas, por vezes, não parece nada.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
A magia do 3
É uma verdade não absoluta (mas conhecida) que alguns numerais têm ‘propriedades’ especiais. Não que seja perita em ‘numerologia’ ou em coisa alguma, mas isto é bem capaz de ser verdade. É só fazer contas ao 3.
Os grandes clubes nacionais são 3;
Os Reis Magos eram 3 e levaram 3 presentes para o ‘menino’;
As melhores pastilhas elásticas que andam aí no mercado são as Trident :);
As promoções que valem a pena são ‘Pague 2, leve 3’;
Há 3 boas razões para comer um ovo Kinder: é um alimento, é um brinquedo e uma guloseima;
A melhor Playstation é a 3 :);
Os trevos de quatro folhas são os que dão sorte, mas só se encontram os de 3!;
Quando perdemos a virgindade, ‘perdemos os 3’;
O melhor filme de fantasia e ficção The Lord of the Rings vem em forma de trilogia;
Temos a famosa frase (já neste blog comentada) ‘Uma cagada em 3 actos’ (a tal que nunca entendi);
Temos, ainda, a popular e portuguesíssima banda Trio Odemira (como se um não fosse já mau o suficiente!);
O melhor livro que já li foi The New York Trilogy, do Paul Auster (uma obra ficcional brilhante e imperdível);
Resta-nos a sabedoria da frase popular ‘À 3ª é de vez’.
Está em todo o lado e faz parte da vida. É omnipresente e tem significado! Só tenho pena que o Criador, na altura de criar o mundo, não tenha feito um descanso ao 3º dia para além do 7º. É que assim à quarta-feira também não trabalhávamos!
Os grandes clubes nacionais são 3;
Os Reis Magos eram 3 e levaram 3 presentes para o ‘menino’;
As melhores pastilhas elásticas que andam aí no mercado são as Trident :);
As promoções que valem a pena são ‘Pague 2, leve 3’;
Há 3 boas razões para comer um ovo Kinder: é um alimento, é um brinquedo e uma guloseima;
A melhor Playstation é a 3 :);
Os trevos de quatro folhas são os que dão sorte, mas só se encontram os de 3!;
Quando perdemos a virgindade, ‘perdemos os 3’;
O melhor filme de fantasia e ficção The Lord of the Rings vem em forma de trilogia;
Temos a famosa frase (já neste blog comentada) ‘Uma cagada em 3 actos’ (a tal que nunca entendi);
Temos, ainda, a popular e portuguesíssima banda Trio Odemira (como se um não fosse já mau o suficiente!);
O melhor livro que já li foi The New York Trilogy, do Paul Auster (uma obra ficcional brilhante e imperdível);
Resta-nos a sabedoria da frase popular ‘À 3ª é de vez’.
Está em todo o lado e faz parte da vida. É omnipresente e tem significado! Só tenho pena que o Criador, na altura de criar o mundo, não tenha feito um descanso ao 3º dia para além do 7º. É que assim à quarta-feira também não trabalhávamos!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Puré de batata
Descasque as batatas, parta-as ao meio, lave-as e ponha-as a cozer em água temperada com sal. Depois de cozidas, escorra-as e passe-as no ‘pass-vite’. Leve ao lume com uma noz de manteiga, adicione leite, rectifique o sal e mexa, vigorosamente, até obter um puré homogéneo e suave. Prove…hummmm, bolas!, não está no ponto, falta qualquer coisa! Mas o quê? Não me lembro do ingrediente que faz com que o puré tenha aquele gostinho especial.
Há ingredientes que se ‘escondem’ na nossa mente, nestas pequenas ‘receitas’ do dia a dia que supostamente deveríamos saber de cor e na pontinha da língua.
Em relação às pessoas acontece o mesmo. Características e gostos escondidos, porque quase ninguém se mostra a 100%. Pode não ser de propósito, mas simplesmente porque ninguém pergunta e também porque quase sempre julgamos que não há vivalma disposta a ouvir. Era bom que o ser humano nascesse e crescesse legendado. Interior e exterior a descoberto, sem esconde-esconde ou jogo de ‘cabra-cega’.
A minha legenda?
Não gosto que se riam quando falo sério; sou pessimista por natureza; vivo com os meus pais e tenho uma irmã; não gosto de chocolate; sou fundamentalista a favor dos animais; gosto de correr e usar sapatilhas; sou alérgica à penicilina e à mediocridade gritante das pessoas; chá verde é uma das minhas bebidas favoritas logo atrás da Coca-Cola; gosto de bolos de arroz e de acordar cedo; tenho pavor a conduzir e nunca aprendi a andar de bicicleta; adormeço na posição fetal e quase nunca me mexo; adoro a minha mãe mais do que tudo na vida; sinto a falta do meu avô António; sou fã de cinema e de todos os clássicos que me fazem chorar; quando me tocam no sítio certo, derreto-me toda; DMB é a minha banda de eleição; não sou fã de vozes femininas, mas não me importava de acordar todos os dias com a voz da Norah Jones; revolta-me a mentira e a falta de amor; os livros são uma prioridade e a paixão pela escrita de José Saramago também; amo a praia e o sol quente que empurra os gatos para debaixo do tanque; prefiro os finais de tarde a todos os outros momentos do dia.
Pequenas coisas que guardamos para nós. Não nos perguntam. E raramente estamos sensíveis para as interpretar ou reconhecer nos outros. Conhecer estes pequenos pormenores poupava uma grande carga de trabalhos.
Raspa de noz-moscada! Era esse o ingrediente que faltava! O pormenor esquecido para deixar mais saboroso o puré de batata – ‘a cereja deliciosa no topo do bolo’. Como fui capaz de me esquecer dele!
Há ingredientes que se ‘escondem’ na nossa mente, nestas pequenas ‘receitas’ do dia a dia que supostamente deveríamos saber de cor e na pontinha da língua.
Em relação às pessoas acontece o mesmo. Características e gostos escondidos, porque quase ninguém se mostra a 100%. Pode não ser de propósito, mas simplesmente porque ninguém pergunta e também porque quase sempre julgamos que não há vivalma disposta a ouvir. Era bom que o ser humano nascesse e crescesse legendado. Interior e exterior a descoberto, sem esconde-esconde ou jogo de ‘cabra-cega’.
A minha legenda?
Não gosto que se riam quando falo sério; sou pessimista por natureza; vivo com os meus pais e tenho uma irmã; não gosto de chocolate; sou fundamentalista a favor dos animais; gosto de correr e usar sapatilhas; sou alérgica à penicilina e à mediocridade gritante das pessoas; chá verde é uma das minhas bebidas favoritas logo atrás da Coca-Cola; gosto de bolos de arroz e de acordar cedo; tenho pavor a conduzir e nunca aprendi a andar de bicicleta; adormeço na posição fetal e quase nunca me mexo; adoro a minha mãe mais do que tudo na vida; sinto a falta do meu avô António; sou fã de cinema e de todos os clássicos que me fazem chorar; quando me tocam no sítio certo, derreto-me toda; DMB é a minha banda de eleição; não sou fã de vozes femininas, mas não me importava de acordar todos os dias com a voz da Norah Jones; revolta-me a mentira e a falta de amor; os livros são uma prioridade e a paixão pela escrita de José Saramago também; amo a praia e o sol quente que empurra os gatos para debaixo do tanque; prefiro os finais de tarde a todos os outros momentos do dia.
Pequenas coisas que guardamos para nós. Não nos perguntam. E raramente estamos sensíveis para as interpretar ou reconhecer nos outros. Conhecer estes pequenos pormenores poupava uma grande carga de trabalhos.
Raspa de noz-moscada! Era esse o ingrediente que faltava! O pormenor esquecido para deixar mais saboroso o puré de batata – ‘a cereja deliciosa no topo do bolo’. Como fui capaz de me esquecer dele!
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
O Silêncio

Podemos ser tentados a achar que o silêncio é o nada, o vazio; é inaudível, incolor, inodoro, insosso, sem valor.
Que visão tão redutora…
O silêncio é arma, é grito, é opinião, é voz para quem não pode ou quer falar; tem significado e pode fazer mais sentido do que um punhado de palavras; incomoda (ou não), é mordaz, é crítico; preenche, faz falta, apazigua, acalma, dá um estatuto a quem quer (ou não quer) opinar.
É o voto em branco, mas que é voto e tem valor; é o choro engolido do miúdo de 8 anos que acabou de esfolar o joelho e, dolorosamente, cumpre a (tão mal) incutida máxima de que ‘um homem não chora’; é o cordão que liga ao mundo o surdo-mudo que comunica por gestos, mímica e ‘salamaleques’ e lê, nas bocas dos outros, as linhas e entrelinhas de uma voz que lhe é surda; é a forma de vida de quem vegeta numa cama ou cadeira enferma de invalidez precoce ou de quem está suspenso numa anestesia geral aguardando que a vida continue umas horas, umas dores e uma cicatriz adiante; é a voz dos raptados, violados, tidos e mantidos em forçado cativeiro que querem gritar uma liberdade ansiosa e, demoradamente, aguardada, mas mantida num sepulcro total e sem hipótese de fuga; é o lamento sofrido de quem perde alguém para a morte e se enluta num sinónimo de dor e numa capacidade mutável de aceitar a perda como consequência inegável da vida.
Depois disto, quem se atreve a delinear relações de sinonímia entre o silêncio e o nada?
O silêncio é de ouro. Precioso pelo que não diz, mas principalmente pelo que diz.
Não é fácil
Não é fácil dar a outra face no meio da bronca e antes do rescaldo.
Não é fácil partilhar a última fatia do bolo de chocolate da avó Maria.
Não é fácil aproveitar (bem) tudo aquilo que a vida nos oferece ‘de bandeja’.
Não é fácil perder (ainda que se jogue a feijões) – o ânimo cai, o desalento cresce, a coragem decresce.
Não é fácil perceber como somos todos humanos, mas que alguns conseguem sê-lo mais do que outros.
Não é fácil mantermo-nos à tona quando nos põem os dois pés em cima.
Não é fácil vencer (mais fácil parece sentirmo-nos vencidos).
Não é fácil procurar respostas debaixo das estrelas e receber o silêncio de volta.
Não é fácil ‘partir’ buscando coragem para não voltar.
Não é fácil apanhar os cacos para os colar (detesto puzzles, organigramas e quebra-cabeças).
Não é fácil ler um livro sem nos tentarmos a ‘provar’ o seu cheiro.
Não é fácil ler, esse mesmo livro, sem nos deixarmos levar pelo contador da história.
Não é fácil manter o bom-senso sem que ele caia juntamente com o resto.
Não é fácil saber se escolhemos bem quando decidimos amar.
Não é fácil largar um vício que nos faz mal, mas acalma e faz companhia.
Não é fácil interiorizar que o tempo cura tudo.
É muito fácil perceber que há pessoas que perdem, muito facilmente (perdoem-me a redundância), o respeito e a admiração em relação a outrem.
De bestial a besta vai um passinho muito curto.
Fácil e ‘de caras’ para uns. Difícil ou jamais atingível (e raramente tangível) para outros.
Unam-se na diversidade, procurem e encontrem a compatibilidade, realizem-se na unidade. Encontrem a felicidade nas pequenas coisas.
O mundo, assim, fica perfeito.
Não é fácil partilhar a última fatia do bolo de chocolate da avó Maria.
Não é fácil aproveitar (bem) tudo aquilo que a vida nos oferece ‘de bandeja’.
Não é fácil perder (ainda que se jogue a feijões) – o ânimo cai, o desalento cresce, a coragem decresce.
Não é fácil perceber como somos todos humanos, mas que alguns conseguem sê-lo mais do que outros.
Não é fácil mantermo-nos à tona quando nos põem os dois pés em cima.
Não é fácil vencer (mais fácil parece sentirmo-nos vencidos).
Não é fácil procurar respostas debaixo das estrelas e receber o silêncio de volta.
Não é fácil ‘partir’ buscando coragem para não voltar.
Não é fácil apanhar os cacos para os colar (detesto puzzles, organigramas e quebra-cabeças).
Não é fácil ler um livro sem nos tentarmos a ‘provar’ o seu cheiro.
Não é fácil ler, esse mesmo livro, sem nos deixarmos levar pelo contador da história.
Não é fácil manter o bom-senso sem que ele caia juntamente com o resto.
Não é fácil saber se escolhemos bem quando decidimos amar.
Não é fácil largar um vício que nos faz mal, mas acalma e faz companhia.
Não é fácil interiorizar que o tempo cura tudo.
É muito fácil perceber que há pessoas que perdem, muito facilmente (perdoem-me a redundância), o respeito e a admiração em relação a outrem.
De bestial a besta vai um passinho muito curto.
Fácil e ‘de caras’ para uns. Difícil ou jamais atingível (e raramente tangível) para outros.
Unam-se na diversidade, procurem e encontrem a compatibilidade, realizem-se na unidade. Encontrem a felicidade nas pequenas coisas.
O mundo, assim, fica perfeito.
sábado, 27 de outubro de 2007
Achtung!

Aprendi uma coisa nova hoje.
Tenham cuidado comigo.
Em conversa com um Sr. (sem nome) fiquei a saber que, afinal, não sou quem pensei que era.
Descobri que tenho um alter ego que sofre de 'mau caractismo', que sou uma pessoa desprezível, 'muito dada', 'sem nível'; tenho problemas gravíssimos de auto-estima; sou 'pobre de espírito', uma 'fulana sem pinta', rídicula, 'má-língua' e que 'destilo veneno' por onde quer que passo!!
Este mundo é bom porque nos reserva belas surpresas e nos presenteia com gente tão atenta e generosa (como este Sr.) que nos abre os olhos para o nosso próprio eu e nos faz descobrir coisas sensacionais.
Dizem que podemos viver uma vida inteira ao lado de uma pessoa sem nunca a conhecermos verdadeiramente...pois bem, aprendi hoje que vivo comigo há 30 anos e nunca me tinha dado conta daquilo que sou. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és....e não é que esta verdade é válida para nós mesmos!!!!??? Nunca pensei que tivesse andado tão mal-acompanhada comigo mesma, estes anos todos!!!!
Vocês, que me consideram amiga, devem pensar bem se, afinal de contas, eu e os meus graves defeitos seremos dignos de vos acompanharmos, como até aqui tem vindo a acontecer. Peço-vos desculpa, mas não foi propositado...era puro desconhecimento de causa!!! E logo eu, que nunca me achei uma pessoa distraída...no melhor trapo cai a nódoa.
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