Pimenta no cú dos outros... é refresco.
(gosto deste ditado)
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Outono
Outono….
…é a queda da folha, da temperatura, dos amores de Verão, da vontade de sair, do desejo de, pecaminosamente, devorar gelados, do cabelo (que não pára de tombar ‘...e qualquer dia estou careca’!!!) …
…é o desaparecer do bronzeado; é a alteração desta hora deprimente que encurta o dia e agiganta a noite; é a vontade (que a preguiça do calor fez adormecer) de voltar a fazer desporto como única receita fiável para descarregar o stress e carregar baterias até às próximas (e tão merecidas) férias…
…é o revolver arcas, armários e gavetas à procura do agasalho e conforto da lã, do angorá e da flanela; é o ‘grito’ pelo cachecol, pelas meias, pelas luvas, pelo gorro e pelas golas altas; é o arroxear das extremidades do corpo (orelhas, nariz, dedos de pés e mãos) numa tentativa inglória de que o sangue combata o frio que usurpa o lugar ao calor; é a saga dos lábios doridos e gretados beijados, agora, pela geada da manhã e pelo sincelo da noite; é a troca da sexy e mínima camisa de noite pelo longo e morno pijama; é o satisfazer do desejo do sabor e do cheiro das castanhas assadas, de ouvir e sentir o crepitar da madeira e das pinhas no fogo no início da temporada da lareira …
(e que saudades tenho das pinhas que tanto tinham para ‘alimentar o fogo’).
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
GP quê?
São úteis. Substituem mapas ou bússola em terra firme. Carro moderno que se preze traz GPS incorporado. Carro que não se preze tem dono prevenido que o apetrecha com o imprescindível (se actualizado) artefacto electrónico.
Somos país de gente simpática, disponível, afável que quer ajudar e ‘morre’ por uma oportunidade para o fazer, mesmo quando ninguém lhe pede ajuda. A Era GPS inibe a comunicação.
O que vai ser feito daqueles brilhantes episódios novelescos onde estamos perdidos no meio de nenhures e circulamos kms à espera de encontrar vivalma (im)prestável que nos socorra? e…quando encontramos um raríssimo espécimen……ESPEREM…recordem…. (façam uma analepse porque já aconteceu a todos) – a pessoa é tão velha e fica tão perplexa (mas feliz, ao mesmo tempo…há anos que faz aquele trajecto e nunca ninguém parou para troca de dois deditos de conversa deitada fora); fala um dialecto ‘arrastado e embrulhado’ tão estranho e incompreensível (apesar de emissor e receptor terem a Língua Portuguesa em comum); não distingue e até confunde todo e qualquer tipo de direcção (frente, esquerda, direita…) – só nos dá vontade de desaparecer desde o primeiro segundo, que dali não vamos ‘achar’ rumo certo nenhum (‘e como é que eu não previ esta merda??!!’), antes vamos embrenhar-nos, mais ainda, na obscuridade do desconhecido, mas, porque somos bem educados e até sentimos compaixão por estas ‘almas’ tão esquecidas, ouvimos a explicação até ao final, sem a ouvirmos (se pensarmos bem – porque só conseguimos pensar ‘Como é que me livro desta?’)…..e quando, finalmente, seguimos caminho (deixando para trás um sorriso estampado pelo dever cumprido), ainda ficamos a pensar se a pessoa com quem estivemos a falar seria mesmo uma mulher (é que tinha barba!), se seria um homem (barba justificada) ou até mesmo um cacto com propriedades falantes (barba justificada, de novo) – acredito em tudo desde que vi O Feiticeiro de Oz.
Pesados os prós e contras: o GPS até faz jeito; sai barato o co-piloto sem direito a ordenado, subsídio de alimentação, seguro de saúde, permanentemente, disponível 24 (horas) sobre 7 (dias da semana) com a vantagem de o podermos insultar sem direito a ripostar.
Melhor seria se nós, humanos, viéssemos apetrechados, de origem, com um Tomtom que ajudasse a dar resposta às dúvidas existenciais ‘Onde estou?, Para onde vou?, ou quero ir?'.
Somos país de gente simpática, disponível, afável que quer ajudar e ‘morre’ por uma oportunidade para o fazer, mesmo quando ninguém lhe pede ajuda. A Era GPS inibe a comunicação.
O que vai ser feito daqueles brilhantes episódios novelescos onde estamos perdidos no meio de nenhures e circulamos kms à espera de encontrar vivalma (im)prestável que nos socorra? e…quando encontramos um raríssimo espécimen……ESPEREM…recordem…. (façam uma analepse porque já aconteceu a todos) – a pessoa é tão velha e fica tão perplexa (mas feliz, ao mesmo tempo…há anos que faz aquele trajecto e nunca ninguém parou para troca de dois deditos de conversa deitada fora); fala um dialecto ‘arrastado e embrulhado’ tão estranho e incompreensível (apesar de emissor e receptor terem a Língua Portuguesa em comum); não distingue e até confunde todo e qualquer tipo de direcção (frente, esquerda, direita…) – só nos dá vontade de desaparecer desde o primeiro segundo, que dali não vamos ‘achar’ rumo certo nenhum (‘e como é que eu não previ esta merda??!!’), antes vamos embrenhar-nos, mais ainda, na obscuridade do desconhecido, mas, porque somos bem educados e até sentimos compaixão por estas ‘almas’ tão esquecidas, ouvimos a explicação até ao final, sem a ouvirmos (se pensarmos bem – porque só conseguimos pensar ‘Como é que me livro desta?’)…..e quando, finalmente, seguimos caminho (deixando para trás um sorriso estampado pelo dever cumprido), ainda ficamos a pensar se a pessoa com quem estivemos a falar seria mesmo uma mulher (é que tinha barba!), se seria um homem (barba justificada) ou até mesmo um cacto com propriedades falantes (barba justificada, de novo) – acredito em tudo desde que vi O Feiticeiro de Oz.
Pesados os prós e contras: o GPS até faz jeito; sai barato o co-piloto sem direito a ordenado, subsídio de alimentação, seguro de saúde, permanentemente, disponível 24 (horas) sobre 7 (dias da semana) com a vantagem de o podermos insultar sem direito a ripostar.
Melhor seria se nós, humanos, viéssemos apetrechados, de origem, com um Tomtom que ajudasse a dar resposta às dúvidas existenciais ‘Onde estou?, Para onde vou?, ou quero ir?'.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
O Silêncio

Podemos ser tentados a achar que o silêncio é o nada, o vazio; é inaudível, incolor, inodoro, insosso, sem valor.
Que visão tão redutora…
O silêncio é arma, é grito, é opinião, é voz para quem não pode ou quer falar; tem significado e pode fazer mais sentido do que um punhado de palavras; incomoda (ou não), é mordaz, é crítico; preenche, faz falta, apazigua, acalma, dá um estatuto a quem quer (ou não quer) opinar.
É o voto em branco, mas que é voto e tem valor; é o choro engolido do miúdo de 8 anos que acabou de esfolar o joelho e, dolorosamente, cumpre a (tão mal) incutida máxima de que ‘um homem não chora’; é o cordão que liga ao mundo o surdo-mudo que comunica por gestos, mímica e ‘salamaleques’ e lê, nas bocas dos outros, as linhas e entrelinhas de uma voz que lhe é surda; é a forma de vida de quem vegeta numa cama ou cadeira enferma de invalidez precoce ou de quem está suspenso numa anestesia geral aguardando que a vida continue umas horas, umas dores e uma cicatriz adiante; é a voz dos raptados, violados, tidos e mantidos em forçado cativeiro que querem gritar uma liberdade ansiosa e, demoradamente, aguardada, mas mantida num sepulcro total e sem hipótese de fuga; é o lamento sofrido de quem perde alguém para a morte e se enluta num sinónimo de dor e numa capacidade mutável de aceitar a perda como consequência inegável da vida.
Depois disto, quem se atreve a delinear relações de sinonímia entre o silêncio e o nada?
O silêncio é de ouro. Precioso pelo que não diz, mas principalmente pelo que diz.
Não é fácil
Não é fácil dar a outra face no meio da bronca e antes do rescaldo.
Não é fácil partilhar a última fatia do bolo de chocolate da avó Maria.
Não é fácil aproveitar (bem) tudo aquilo que a vida nos oferece ‘de bandeja’.
Não é fácil perder (ainda que se jogue a feijões) – o ânimo cai, o desalento cresce, a coragem decresce.
Não é fácil perceber como somos todos humanos, mas que alguns conseguem sê-lo mais do que outros.
Não é fácil mantermo-nos à tona quando nos põem os dois pés em cima.
Não é fácil vencer (mais fácil parece sentirmo-nos vencidos).
Não é fácil procurar respostas debaixo das estrelas e receber o silêncio de volta.
Não é fácil ‘partir’ buscando coragem para não voltar.
Não é fácil apanhar os cacos para os colar (detesto puzzles, organigramas e quebra-cabeças).
Não é fácil ler um livro sem nos tentarmos a ‘provar’ o seu cheiro.
Não é fácil ler, esse mesmo livro, sem nos deixarmos levar pelo contador da história.
Não é fácil manter o bom-senso sem que ele caia juntamente com o resto.
Não é fácil saber se escolhemos bem quando decidimos amar.
Não é fácil largar um vício que nos faz mal, mas acalma e faz companhia.
Não é fácil interiorizar que o tempo cura tudo.
É muito fácil perceber que há pessoas que perdem, muito facilmente (perdoem-me a redundância), o respeito e a admiração em relação a outrem.
De bestial a besta vai um passinho muito curto.
Fácil e ‘de caras’ para uns. Difícil ou jamais atingível (e raramente tangível) para outros.
Unam-se na diversidade, procurem e encontrem a compatibilidade, realizem-se na unidade. Encontrem a felicidade nas pequenas coisas.
O mundo, assim, fica perfeito.
Não é fácil partilhar a última fatia do bolo de chocolate da avó Maria.
Não é fácil aproveitar (bem) tudo aquilo que a vida nos oferece ‘de bandeja’.
Não é fácil perder (ainda que se jogue a feijões) – o ânimo cai, o desalento cresce, a coragem decresce.
Não é fácil perceber como somos todos humanos, mas que alguns conseguem sê-lo mais do que outros.
Não é fácil mantermo-nos à tona quando nos põem os dois pés em cima.
Não é fácil vencer (mais fácil parece sentirmo-nos vencidos).
Não é fácil procurar respostas debaixo das estrelas e receber o silêncio de volta.
Não é fácil ‘partir’ buscando coragem para não voltar.
Não é fácil apanhar os cacos para os colar (detesto puzzles, organigramas e quebra-cabeças).
Não é fácil ler um livro sem nos tentarmos a ‘provar’ o seu cheiro.
Não é fácil ler, esse mesmo livro, sem nos deixarmos levar pelo contador da história.
Não é fácil manter o bom-senso sem que ele caia juntamente com o resto.
Não é fácil saber se escolhemos bem quando decidimos amar.
Não é fácil largar um vício que nos faz mal, mas acalma e faz companhia.
Não é fácil interiorizar que o tempo cura tudo.
É muito fácil perceber que há pessoas que perdem, muito facilmente (perdoem-me a redundância), o respeito e a admiração em relação a outrem.
De bestial a besta vai um passinho muito curto.
Fácil e ‘de caras’ para uns. Difícil ou jamais atingível (e raramente tangível) para outros.
Unam-se na diversidade, procurem e encontrem a compatibilidade, realizem-se na unidade. Encontrem a felicidade nas pequenas coisas.
O mundo, assim, fica perfeito.
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