Espaço virtual de escritas, leituras, opiniões, dissertações, críticas, abusos, diarreias mentais, provas da obstipação cerebral medíocre dos pensamentos de alguns, desentupimentos de sentimentos, libertação de emoções estranguladas…dá para tudo, basicamente.
Dá para o seu dono (se é que se pode alcunhar de dono o senhorio de um espaço onde não vigora nem vinga o direito da propriedade privada) e para todos os curiosos que o lêem, dragam, esmiúçam, retalham, interpretam, profanam e até ofendem.
Um blog é um Universo - depois de desonrado o propósito mais puro da sua nascença e prodigalizada bem-aventurança pode fazer-se e dizer-se tudo o que aos seus usuários apetecer e aprouver.
Aparece de tudo.
Louvores de quem gosta de nós e nos aprecia, flirts saudáveis entre panegíricos de carinho e de escrita, flirts nada salutares e até inoportunos, genuínas apreciações e autêntico interesse no que dactilografamos, provocações mais ou menos arquitectadas sobre o que pensamos, picardias sub-repticiamente desenvolvidas, divergências de opinião pouco saudáveis e com propósitos muito pouco escrupulosos, maledicências despropositadas e mal disfarçadas de pseudo-elogios em patranhas, ardis, astúcias e artimanhas pouco brilhantes.
Para isto se cria a censura (in blog).
Nada democrática e muito pouco consonante com o regime em vigor, mas conveniente, vantajosa e absolutamente necessária.
Não se publica apenas o que é bom e está em sintonia com a nossa opinião, mas também o discordante; não só o real e verídico, mas também o fantasiado…é este o propósito de um blog – conter o que ao dono lhe apetecer e estar disponível para ser lido, dissecado, esventrado e desvendado por outros e até por si mesmo, mas NUNCA para servir a mentira e a idiotice dos sem nome que abusam de um espaço não-seu para tecerem fios e tramas do que a ninguém interessa (nem mesmo a eles próprios!).
Este meu escancarar visa não só expor a nu o que se passa no meu espaço, mas também o que se passa no espaço dos outros, pois certamente não serei a única ‘vítima’ da parvoíce-cibernauta-anónima (excelente título para um grupo de auto-ajuda!)
(Acho que isto já foi escorrido por aqui algures, mas nunca é de mais relembrar para ajudar os sem-lugar a encontrarem o sítio onde pertencem – esta verdade metaforizada dos blogs aplica-se, infelizmente, a tantas outras circunstâncias da vida).
domingo, 3 de agosto de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Ela e a Outra
Ela é bonita.
Não se sente assim por já lho terem dito ou porque é agradável a imitação que vê reflectida no espelho, mas porque é o que sente. Este legado não tem nada de herança genética, congénita, inata ou familiar. O que está lá dentro é que conta.
Muito mais do que a cópia que o espelho lhe aponta, prefere a que o ‘retrovisor’ lhe prova – se é que é possível que seja este que lhe lê os sarrabiscos garatujados lá ‘dentro’ ao invés das linhas que observa cá ‘fora’.
Ela é inteligente.
Não porque leu enciclopédias sem fim ou quer estudar até ao remate dos seus dias, mas porque se tornou sensível aos outros e às suas verdades. Escolheu ser conhecedora e observar o que existe aos olhos de todos, recusando a mesquinhez e a mediocridade dos outros que cegam e invadem vidas e coisas alheias. Sabe falar e estar. Sabe ser conveniente. Procura nos livros e na música o que a vida tem, mas não lhe permite ver e palpar.
Ela é comodista.
Não na forma como os ociosos sabem sê-lo quando se deitam sobre as suas próprias migalhas incapazes de se moverem para o que quer que seja, incluindo ocorência de terramoto, mas de uma forma saudável porque sabe o que quer e essa sapiência lhe sugere que a sua opção é e vai permanecer imutável apenas porque já é perfeita. Para quê alterar o que consideramos bom e seguro por algo desconhecido e abusivamente invasor.
Ela é apaixonada.
Exactamente da mesma forma que todos os amantes piegas o são. Adora e alimenta toda a lamechice dos pinga-amores, das cartas (de amor) ridículas, dos sentimentos febris, jugulares e pululantes de desejo exaltado. Às vezes não o mostra porque os outros ‘condenam’ e olham de soslaio quem assim ama e repentinamente confundem doença de amor com amor doente – que diferença abissal!
Às vezes transforma-se na outra.
Não da forma como os idiotas associam este pronome a sinónimo de amante ou segunda escolha (pobres coitados que não pensam que estoutra é a melhor ‘desculpa’ para arcar com as culpas da merda de vida que levam por não terem coragem de se comportar como amantes que arriscam e vivem muito do pouco ou nada que levam….apenas porque amam incondicionalmente)!, mas porque esses outros a ‘obrigam’ a sê-lo dada a sua (deles) incomensurável e desmedida mediocridade patológica.
Todos se transformam noutra coisa qualquer dependendo do estímulo, isto sim é uma verdade insofismável.
É assim que Ela se transforma. É assim que a Outra renasce vezes e vezes sem conta sem nunca tomar de vez o lugar que a Ela cabe. Muito embora a Outra lhe usurpe o lugar, de quando em vez, é Ela a genuína, a pura, a verdadeira. Nasceu Ela. Não sabe se vai morrer a Outra.
Não se sente assim por já lho terem dito ou porque é agradável a imitação que vê reflectida no espelho, mas porque é o que sente. Este legado não tem nada de herança genética, congénita, inata ou familiar. O que está lá dentro é que conta.
Muito mais do que a cópia que o espelho lhe aponta, prefere a que o ‘retrovisor’ lhe prova – se é que é possível que seja este que lhe lê os sarrabiscos garatujados lá ‘dentro’ ao invés das linhas que observa cá ‘fora’.
Ela é inteligente.
Não porque leu enciclopédias sem fim ou quer estudar até ao remate dos seus dias, mas porque se tornou sensível aos outros e às suas verdades. Escolheu ser conhecedora e observar o que existe aos olhos de todos, recusando a mesquinhez e a mediocridade dos outros que cegam e invadem vidas e coisas alheias. Sabe falar e estar. Sabe ser conveniente. Procura nos livros e na música o que a vida tem, mas não lhe permite ver e palpar.
Ela é comodista.
Não na forma como os ociosos sabem sê-lo quando se deitam sobre as suas próprias migalhas incapazes de se moverem para o que quer que seja, incluindo ocorência de terramoto, mas de uma forma saudável porque sabe o que quer e essa sapiência lhe sugere que a sua opção é e vai permanecer imutável apenas porque já é perfeita. Para quê alterar o que consideramos bom e seguro por algo desconhecido e abusivamente invasor.
Ela é apaixonada.
Exactamente da mesma forma que todos os amantes piegas o são. Adora e alimenta toda a lamechice dos pinga-amores, das cartas (de amor) ridículas, dos sentimentos febris, jugulares e pululantes de desejo exaltado. Às vezes não o mostra porque os outros ‘condenam’ e olham de soslaio quem assim ama e repentinamente confundem doença de amor com amor doente – que diferença abissal!
Às vezes transforma-se na outra.
Não da forma como os idiotas associam este pronome a sinónimo de amante ou segunda escolha (pobres coitados que não pensam que estoutra é a melhor ‘desculpa’ para arcar com as culpas da merda de vida que levam por não terem coragem de se comportar como amantes que arriscam e vivem muito do pouco ou nada que levam….apenas porque amam incondicionalmente)!, mas porque esses outros a ‘obrigam’ a sê-lo dada a sua (deles) incomensurável e desmedida mediocridade patológica.
Todos se transformam noutra coisa qualquer dependendo do estímulo, isto sim é uma verdade insofismável.
É assim que Ela se transforma. É assim que a Outra renasce vezes e vezes sem conta sem nunca tomar de vez o lugar que a Ela cabe. Muito embora a Outra lhe usurpe o lugar, de quando em vez, é Ela a genuína, a pura, a verdadeira. Nasceu Ela. Não sabe se vai morrer a Outra.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Senso-(des)comum
Para falar verdade não sei muito bem o que querem dizer, mas ouço muitas vezes falar através de portas, janelas e outras saídas travessas no ‘bom-senso’ que todos desejam imperador.
Sem saber muito bem quem é o magistrado nesta justa causa com a poderosa incumbência de limitar e delimitar o que é o bom-senso, não posso deixar de pensar em quem terá justeza suficiente para delinear o traço de onde acaba o bom e começa o ‘mau-senso’. Já para não falar na posição que ocupa, algures pelo meio, o senso comum (de repente, não me ocorre nenhum nome!).
Quem julga, trata, conceitua, absolve ou condena o que pertence a cada equipa permanece incógnito. Se cada um catalogar o que lhe apetece pelo seu próprio conceito de moral e pela sua tão pessoal e íntima visão do mundo, então cada um pode fazer e pensar o que lhe apetecer!, sem correr o risco de cair em erro ou mau julgamento, pois se não há árbitro à altura para sancionar o que está ou não errado a fim de o tornar correcto….talvez o erro esteja mesmo em ponderarmos entre o bom e o mau senso – se é que esta dicotomia existe! Não existem melhores ou piores juízos, tinos, sisos, sensos. Em cada indivíduo, eles são, apenas, diferentes.
Baseados naquilo que achamos bom ou mau, julgamos pessoas e situações, damos conselhos, avaliamos comportamentos, traçamos caminhos, tomamos posições, encontramos preferências, esquecendo, na maioria das vezes, que o nosso senso comum diverge do dos outros e que o que para nós é bom ou mau pode não ser concordante com o que os demais pensam. O que para uns é fastio e enfado, para outros pode ser alegria e divertimento, firmeza para uns será sinal de fraqueza para outros, valentia poderá ser cobardia, excesso de expansividade poderá ser camuflada timidez….a lista seria interminável.
Sem saber muito bem quem é o magistrado nesta justa causa com a poderosa incumbência de limitar e delimitar o que é o bom-senso, não posso deixar de pensar em quem terá justeza suficiente para delinear o traço de onde acaba o bom e começa o ‘mau-senso’. Já para não falar na posição que ocupa, algures pelo meio, o senso comum (de repente, não me ocorre nenhum nome!).
Quem julga, trata, conceitua, absolve ou condena o que pertence a cada equipa permanece incógnito. Se cada um catalogar o que lhe apetece pelo seu próprio conceito de moral e pela sua tão pessoal e íntima visão do mundo, então cada um pode fazer e pensar o que lhe apetecer!, sem correr o risco de cair em erro ou mau julgamento, pois se não há árbitro à altura para sancionar o que está ou não errado a fim de o tornar correcto….talvez o erro esteja mesmo em ponderarmos entre o bom e o mau senso – se é que esta dicotomia existe! Não existem melhores ou piores juízos, tinos, sisos, sensos. Em cada indivíduo, eles são, apenas, diferentes.
Baseados naquilo que achamos bom ou mau, julgamos pessoas e situações, damos conselhos, avaliamos comportamentos, traçamos caminhos, tomamos posições, encontramos preferências, esquecendo, na maioria das vezes, que o nosso senso comum diverge do dos outros e que o que para nós é bom ou mau pode não ser concordante com o que os demais pensam. O que para uns é fastio e enfado, para outros pode ser alegria e divertimento, firmeza para uns será sinal de fraqueza para outros, valentia poderá ser cobardia, excesso de expansividade poderá ser camuflada timidez….a lista seria interminável.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Coragem
É dos fracos que a história não reza. São os fortes que lhes ganham a corrida aos pontos e nos momentos mais importantes. Não deveriam ser estes, mas os puramente românticos a ter lugar no pódio e a trajar a camisola amarela. Tinha que dizer isto hoje, pois foi hoje (e é tão raro) que presenciei um acto de amor.
Trabalho num edifício que tem uma vista panorâmica privilegiada da cidade do Porto, muito próximo da Ponte da Arrábida. Estava a executar mais uma das muitas tarefas enfadonhas que me cumpre fazer quando olho lá para fora e vejo uma avioneta a rasgar o céu com uma mensagem que dizia: ‘Amo-te Patrícia. Fica comigo’.
Fiquei totalmente rendida. Ficámos totalmente rendidas. Eu e todas as outras mulheres do departamento, arrisco mesmo a espraiar a rendição a todas as mulheres do edifício que tem nada mais, nada menos do que nove andares. E que eu saiba essa tal de Patrícia nem sequer cá trabalha! Não há justiça neste mundo!
Fiquei a pensar ‘e se este tipo se deu a este trabalho (e dinheiro) todo para esta mulher nem sequer ver a mensagem’? – que desperdício de euros, esforço, recursos, coragem e paixão. É por um momento deste que uma mulher espera uma vida inteira. Abençoados os homens/amantes com este tipo de sensibilidade (para alguns será desespero) e com coragem e ambição para aparecerem a ‘nu’ perante o ser amado e com público a assistir. Uma coisa vos garanto, todas as mulheres que assistiram a isto ficaram embevecidas e asseguro-vos que a maior percentagem delas nem sequer se chamava Patrícia!
Trabalho num edifício que tem uma vista panorâmica privilegiada da cidade do Porto, muito próximo da Ponte da Arrábida. Estava a executar mais uma das muitas tarefas enfadonhas que me cumpre fazer quando olho lá para fora e vejo uma avioneta a rasgar o céu com uma mensagem que dizia: ‘Amo-te Patrícia. Fica comigo’.
Fiquei totalmente rendida. Ficámos totalmente rendidas. Eu e todas as outras mulheres do departamento, arrisco mesmo a espraiar a rendição a todas as mulheres do edifício que tem nada mais, nada menos do que nove andares. E que eu saiba essa tal de Patrícia nem sequer cá trabalha! Não há justiça neste mundo!
Fiquei a pensar ‘e se este tipo se deu a este trabalho (e dinheiro) todo para esta mulher nem sequer ver a mensagem’? – que desperdício de euros, esforço, recursos, coragem e paixão. É por um momento deste que uma mulher espera uma vida inteira. Abençoados os homens/amantes com este tipo de sensibilidade (para alguns será desespero) e com coragem e ambição para aparecerem a ‘nu’ perante o ser amado e com público a assistir. Uma coisa vos garanto, todas as mulheres que assistiram a isto ficaram embevecidas e asseguro-vos que a maior percentagem delas nem sequer se chamava Patrícia!
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Afazeres
Uma grande parte das nossas vidas é escrita, registada e, escrupulosamente, listada. Há uma necessidade organizacional inata em nós que nos faz listar o que é importante, o que é útil e (muitas vezes) não é, mas que não tencionamos olvidar.
É a lista das compras que é urgente fazer, a lista dos casamentos e prendas a receber, o rol dos convivas que queremos convidar, a relação do que queremos na mala antes de viajar, a lista das prendas que desejamos ofertar, o ror das pessoas cujos aniversário não pretendemos esquecer, a relação dos livros que ainda queremos ler, a lista dos ingredientes daquela sobremesa perfeita a rematar o jantar a dois, a lista dos sonhos por concretizar e dos sítios estupendos que queremos conhecer.
De todas estas listas que fazemos mental, intelectual e até fisicamente, a maioria das vezes sem sabermos, podem ser de dois tipos: as ‘de certeza’ e as ‘talvez’. É incrível como só me dei conta disto 31 anos após ter nascido….mas é verdade! Talvez ande um nadinha distraída. As primeiras são as que temos mesmo que fazer, impreterivelmente e sem lugar para dúvida. As segundas queremos fazer ou podem vir a ser feitas mas não significa que a nossa vida dependa disso ou tenhamos um prazo cronológico muito definido para as realizarmos. Uma coisa aprendi, mas também não era difícil, ainda que eu ande, como já disse, desatenta: uma ‘talvez’ pode vir a transformar-se numa ‘de certeza’, mas uma ‘de certeza’ nunca será uma ‘talvez’.
É a lista das compras que é urgente fazer, a lista dos casamentos e prendas a receber, o rol dos convivas que queremos convidar, a relação do que queremos na mala antes de viajar, a lista das prendas que desejamos ofertar, o ror das pessoas cujos aniversário não pretendemos esquecer, a relação dos livros que ainda queremos ler, a lista dos ingredientes daquela sobremesa perfeita a rematar o jantar a dois, a lista dos sonhos por concretizar e dos sítios estupendos que queremos conhecer.
De todas estas listas que fazemos mental, intelectual e até fisicamente, a maioria das vezes sem sabermos, podem ser de dois tipos: as ‘de certeza’ e as ‘talvez’. É incrível como só me dei conta disto 31 anos após ter nascido….mas é verdade! Talvez ande um nadinha distraída. As primeiras são as que temos mesmo que fazer, impreterivelmente e sem lugar para dúvida. As segundas queremos fazer ou podem vir a ser feitas mas não significa que a nossa vida dependa disso ou tenhamos um prazo cronológico muito definido para as realizarmos. Uma coisa aprendi, mas também não era difícil, ainda que eu ande, como já disse, desatenta: uma ‘talvez’ pode vir a transformar-se numa ‘de certeza’, mas uma ‘de certeza’ nunca será uma ‘talvez’.
domingo, 15 de junho de 2008
Miolo
É profundo o que sinto.
É enorme, está cavado bem fundo, bem lá no fundo. Em palmos ou peso é imensurável, mas em profundeza.....
Tudo o que vivo, transpiro e sinto é mensurável em profundidade. O resto não conta...ou melhor, conta, mas é anexo, apêndice.
O que existe de mais precioso é o que está guardado, cosido e costurado no mais íntimo e recôndito espaço de cada um de nós.
Porquê?
Porque o resto todos vêem, observam, contemplam, analisam, tocam, sem consentimento....o que está de fora, o corpo e os seus movimentos, gritos e atitudes estão ao alcance daqueles de quem gostamos muito, pouco ou mesmo nada. Não tem valor especial, não é distinto, é imitação de comportamento repetido em série vez após vez...
O que é único, específico, exclusivo e ímpar em cada indivíduo só se dá a conhecer a um número muitíssimo reduzido de pessoas: os privilegiados.
É dessas e com essas personalidades que se escreve a nossa vida. São eles que fazem parte dela, a compõem e compreendem. São os actores principais no meio de milhares de actores acessórios, acidentais e secundários.
É aos principais que abrimos a porta da frente e, ao mesmo tempo, a porta das traseiras e todas as janelas, frinchas, entradas, saídas, portões, grades, escapatórias, portagens (as quais, deliberadamente, tornamos gratuitas e sem ingresso obrigatório).
Destas almas tão importantes e oportunas não queremos nós separar-nos. Estão agarradas e são absolutamente necessárias....senão a quem poderíamos nós virarmo-nos do avesso? Quem nos iria aplaudir ou ralhar quando os holofotes da ribalta estivessem para nós virados? A quem haveríamos nós de evidenciar ou ofertar o nosso protagonismo? A resposta é fácil.....para quem gravita em torno de nós, no mesmo palco de partilha da vida, dos sentidos e sentimentos mais inócuos e castos. Neste nosso cenário onde não há distinção entre actor principal e secundário, onde todos escrevem história sem maior ou menor grau de omnisciência ou omnipresença. Quem pisa o palco é conhecedor, participa, escreve por linhas direitas e tortas, vive e revive. O ‘público’ é absoluta e necessariamente o mais desconhecedor, está ali por acréscimo (alguém tinha que pagar o bilhete). Estou-me nas tintas para os seus elogios, louvores, críticas, apupos, vaias ou aplausos. Não é destes que reza a minha história.
É enorme, está cavado bem fundo, bem lá no fundo. Em palmos ou peso é imensurável, mas em profundeza.....
Tudo o que vivo, transpiro e sinto é mensurável em profundidade. O resto não conta...ou melhor, conta, mas é anexo, apêndice.
O que existe de mais precioso é o que está guardado, cosido e costurado no mais íntimo e recôndito espaço de cada um de nós.
Porquê?
Porque o resto todos vêem, observam, contemplam, analisam, tocam, sem consentimento....o que está de fora, o corpo e os seus movimentos, gritos e atitudes estão ao alcance daqueles de quem gostamos muito, pouco ou mesmo nada. Não tem valor especial, não é distinto, é imitação de comportamento repetido em série vez após vez...
O que é único, específico, exclusivo e ímpar em cada indivíduo só se dá a conhecer a um número muitíssimo reduzido de pessoas: os privilegiados.
É dessas e com essas personalidades que se escreve a nossa vida. São eles que fazem parte dela, a compõem e compreendem. São os actores principais no meio de milhares de actores acessórios, acidentais e secundários.
É aos principais que abrimos a porta da frente e, ao mesmo tempo, a porta das traseiras e todas as janelas, frinchas, entradas, saídas, portões, grades, escapatórias, portagens (as quais, deliberadamente, tornamos gratuitas e sem ingresso obrigatório).
Destas almas tão importantes e oportunas não queremos nós separar-nos. Estão agarradas e são absolutamente necessárias....senão a quem poderíamos nós virarmo-nos do avesso? Quem nos iria aplaudir ou ralhar quando os holofotes da ribalta estivessem para nós virados? A quem haveríamos nós de evidenciar ou ofertar o nosso protagonismo? A resposta é fácil.....para quem gravita em torno de nós, no mesmo palco de partilha da vida, dos sentidos e sentimentos mais inócuos e castos. Neste nosso cenário onde não há distinção entre actor principal e secundário, onde todos escrevem história sem maior ou menor grau de omnisciência ou omnipresença. Quem pisa o palco é conhecedor, participa, escreve por linhas direitas e tortas, vive e revive. O ‘público’ é absoluta e necessariamente o mais desconhecedor, está ali por acréscimo (alguém tinha que pagar o bilhete). Estou-me nas tintas para os seus elogios, louvores, críticas, apupos, vaias ou aplausos. Não é destes que reza a minha história.
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