Porque um filho nasce,
porque um dependente se liberta,
porque nos despedimos de alguém,
porque uma amiga nos trata,
porque se deixa um emprego,
porque se perde um cão, companheiro de vida.
Porque se quer arrancar o coração do peito,
porque quem amamos adoece,
porque o amor enferma,
porque se quer morrer,
porque se quer viver.
Porque querer não é poder ter
porque chorar pode ser não sofrer
porque rir pode ser esconder.
Porque um dia nos disseram, vais ser feliz
porque um dia provamos não ser assim
porque quem está perto não deixa de estar
porque quem já esteve tivemos que abjurar.
Porque o sol esteve cá e foi um dia bom,
porque a nuvem veio e ficou ruim
porque o tempo apaga
quando há dias assim.
(15 de Abril de 2010 (…) há dias assim)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Curtas
Sabia que a vida conseguia ser filha-da-puta.
Não sabia era que conseguia sê-lo tanto de uma só vez.
Não sabia era que conseguia sê-lo tanto de uma só vez.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Salva-se a alma
Salvou-se uma alma transformada em duas ou mais, discorrido o devido tempo que amacia e abranda o que não se escolheu e nos foi por mote e divisa própria imposto.
Escolhe-se amar e travam-se batalhas por se achar que não se sabe ou consegue viver do resto. O que sobra e sobeja, aparentemente fraco, é com o que se conta aqui e ali. Despojos de sentimentos de eco-ponto amarrotados e quem sabe reciclados se a vontade, tentação, instigação ou fraqueza o permitirem.
Paga-se para ver, luta-se para ficar ou opta-se por não ceder ou dar mais. Porque não chega, não é suficiente, não se querem pessoas aos gomos, em partes ou em talhadas, rotas, esboroadas, em migalhas. Controla-se onde se pertence ou quer pertencer. Rebentam-se grilhões e cativeiros em nós, mas o jugo da dependência dos outros é mais do que acessório. Fica, é presente, tem vida própria, agride, fere e dói...sempre.
Se a vida fosse SÓ como nós queremos....a luta, a garra com todo o sentido bélico da coisa, seria outra!
Escolhe-se amar e travam-se batalhas por se achar que não se sabe ou consegue viver do resto. O que sobra e sobeja, aparentemente fraco, é com o que se conta aqui e ali. Despojos de sentimentos de eco-ponto amarrotados e quem sabe reciclados se a vontade, tentação, instigação ou fraqueza o permitirem.
Paga-se para ver, luta-se para ficar ou opta-se por não ceder ou dar mais. Porque não chega, não é suficiente, não se querem pessoas aos gomos, em partes ou em talhadas, rotas, esboroadas, em migalhas. Controla-se onde se pertence ou quer pertencer. Rebentam-se grilhões e cativeiros em nós, mas o jugo da dependência dos outros é mais do que acessório. Fica, é presente, tem vida própria, agride, fere e dói...sempre.
Se a vida fosse SÓ como nós queremos....a luta, a garra com todo o sentido bélico da coisa, seria outra!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Gostava que fosse meu
«(...)As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar.
O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...)
Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...)
O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela.
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...)
O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.
Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...)
As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...)
Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»
MEC
O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...)
Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...)
O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela.
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...)
O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.
Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...)
As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...)
Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»
MEC
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Só porque sim…(texto, postumamente, censurado pela própria)
Porque és carinhoso, afectuoso, terno, bom, cordial, extremoso, apaixonado, amante, enamorado, dedicado, inteligente, espirituoso, independente e devoto. Por teres afoiteza e arrojo para arriscar em soalho arisco consumado em material desertor. Porque arriscas em ti, em mim e em nós e me arrimas quando quero largar. Deponho e apeio, vezes sem conta, a vontade de estar e palmilhar mais caminho. Não é falta de amor, afecto ou desvelo. Por excesso, sim, de cuidado e cautela. Não quero, em ti ou em mim, joelhos esfolados, espíritos logrados, almas escoriadas por nós ou por outros. Faço e desfaço sem querer demolir pois se quem conta um conto adiciona um ponto sem mais nada querer do que apenas acrescentar e dar vida a uma história, o que se dirá de quem desconta pontos e subtrai contos do tanto que poderia haver para escrever e não se escreve por impaciência, excessiva e malfadada experiência, imperfeito, mas seguro, espírito de desistência (…) mea culpa, mea maxima culpa.
Amo-te assim….só porque sim…..
Amo-te assim….só porque sim…..
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Voltas
Sabia que a boa nova chegaria um dia e como suplemento a responsabilidade do que fazer com ela.
A época ditava o que se sabia velho, novo e ainda por nascer. Desconhecedores os sujeitos, agora, do real efeito de tamanho fardo.
O tempo fora ladrão, daqueles que roubam tamanha riqueza sem levarem castigo ou punição. O mesmo tempo que assassinamos sem nunca percebermos que é ele quem nos mata a nós próprios sem pedido de licença escrito ou falado, prévio ou póstumo.
É na nossa própria (e, por vezes, asinina) cabeça que melhor nos admoestamos. Sem talento, vocação, engenho ou arte para a auto-salvação é, muitas vezes, pela de outrem que mais ansiamos sem logro ou patranha embusteada para nós mesmos. Se coragem nos falta para nos redimirmos dos nossos pecadilhos, falhas ou comportamentos consequentemente desajustados daquilo que ambicionamos, é nos outros que depositamos esperanças, assentamos embalo e alento, confiamos aspirações.
Sabemos que a vida é capaz de ser sacana e patife como só ela sabe? Ou será que consegue, apenas, ser justa em duelo ou disputa privada quando concorre amancebada connosco e nos troca as voltas e meias-voltas em concubinato com aquilo que queremos e ao contrário fazemos?
É certo que a vida corre, o tempo não volta, não cresce, decresce. Obtura, obstrui e arrolha tudo de uma vez. Não é criterioso, marca, não estanca, mas carimba e etiqueta o que contenta, apazigua, alegra, magoa, pisa, lacera, rasga e dói.
A época ditava o que se sabia velho, novo e ainda por nascer. Desconhecedores os sujeitos, agora, do real efeito de tamanho fardo.
O tempo fora ladrão, daqueles que roubam tamanha riqueza sem levarem castigo ou punição. O mesmo tempo que assassinamos sem nunca percebermos que é ele quem nos mata a nós próprios sem pedido de licença escrito ou falado, prévio ou póstumo.
É na nossa própria (e, por vezes, asinina) cabeça que melhor nos admoestamos. Sem talento, vocação, engenho ou arte para a auto-salvação é, muitas vezes, pela de outrem que mais ansiamos sem logro ou patranha embusteada para nós mesmos. Se coragem nos falta para nos redimirmos dos nossos pecadilhos, falhas ou comportamentos consequentemente desajustados daquilo que ambicionamos, é nos outros que depositamos esperanças, assentamos embalo e alento, confiamos aspirações.
Sabemos que a vida é capaz de ser sacana e patife como só ela sabe? Ou será que consegue, apenas, ser justa em duelo ou disputa privada quando concorre amancebada connosco e nos troca as voltas e meias-voltas em concubinato com aquilo que queremos e ao contrário fazemos?
É certo que a vida corre, o tempo não volta, não cresce, decresce. Obtura, obstrui e arrolha tudo de uma vez. Não é criterioso, marca, não estanca, mas carimba e etiqueta o que contenta, apazigua, alegra, magoa, pisa, lacera, rasga e dói.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Se me mudam....
Sempre soube o que queria e afiançou-se que depois de uma série de episódios tramados não ia esfolar os joelhos por dá-cá-aquela-palha.
No tempo que falta ao tempo que sobra desvendou satisfação nas pequenas coisas encetadas, concluídas e valorizadas a sós, por isso mesmo ou só porque sim, numa capacidade fortuita e quase acidental de se abjurar a si própria do que sofre, faz sofrer e é sofredor.
Dito e redito vezes sem conta, não deseja retiros ou isolamentos forçados, não se proibiu amar, mas vedou sentimentos.
Nascida sem resguardo, protecção ou defesa aditada, aderiu ao trapézio com rede, menos holywoodesco, mas mais amparado, refúgio protector de existência bem mais arrimado que permite viver, e não sobreviver, com travão, marcha à ré ou airbags.
Parece gostar do que sente agora: sensação de paixão purificadora descoberta numa catarse bilateral, impressa e refundida em afagos, desvelos e cuidados.
Não lhe parece, ainda, inferior a vida sem amor, agora. Não sabe como se lhe apresentará a questão em dias, semanas ou meses.
Perdeu pequenas/grandes coisas.
Disso está certa, como genuína será a proeza de ter conseguido beneficiar de outras tantas.
Aprenderá, um dia, se, surpreendentemente, a ensinarem a arriscar num limbo noctâmbulo sem pavor de um fimbriado e agitador estalar de dedos.
No tempo que falta ao tempo que sobra desvendou satisfação nas pequenas coisas encetadas, concluídas e valorizadas a sós, por isso mesmo ou só porque sim, numa capacidade fortuita e quase acidental de se abjurar a si própria do que sofre, faz sofrer e é sofredor.
Dito e redito vezes sem conta, não deseja retiros ou isolamentos forçados, não se proibiu amar, mas vedou sentimentos.
Nascida sem resguardo, protecção ou defesa aditada, aderiu ao trapézio com rede, menos holywoodesco, mas mais amparado, refúgio protector de existência bem mais arrimado que permite viver, e não sobreviver, com travão, marcha à ré ou airbags.
Parece gostar do que sente agora: sensação de paixão purificadora descoberta numa catarse bilateral, impressa e refundida em afagos, desvelos e cuidados.
Não lhe parece, ainda, inferior a vida sem amor, agora. Não sabe como se lhe apresentará a questão em dias, semanas ou meses.
Perdeu pequenas/grandes coisas.
Disso está certa, como genuína será a proeza de ter conseguido beneficiar de outras tantas.
Aprenderá, um dia, se, surpreendentemente, a ensinarem a arriscar num limbo noctâmbulo sem pavor de um fimbriado e agitador estalar de dedos.
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