Desilusões amorosas todos temos. Desde tenra idade e precoce infância aprendemos a amar de forma distinta. E tão diversa é esta forma se se trata de humano em versão macho ou versão fêmea. 90% do mulherio é todo virado para o Romantismo, para as comédias românticas a par das tragédias gregas, para as flores e os mares de rosas ou tulipas (cada qual escolha a flôr que quiser), para o folclore dos poemas de amor, para as atenções redobradas com a pessoa que amam, para os slows-dor-de-corno que tocam na rádio. Anulam-se prazeirosamente em prol da sua cara-metade, que é qualquer uma com quem partilhem vida, naquele momento. Aborboletam tudo, pintam momentos de arco-íris, enfeitam com lantejoulas, purpurinas e gloss cor de lollypop toda e qualquer patranha que lhes contem ao ouvido, desde que venha em versão voz de mel sussurrada ao ouvido. São felizes assim. Se em duas torradas do pequeno-almoço, que fazem, uma se queima ....é essa que comem, e oferecem a boa ao seu ‘amorzinho’, se as laranjas espremidas só dão para copo e meio de sumo é o meio que bebem, o cheio já sabem para quem vai, se há trinta tarefas para fazer porque não fazer 25 e deixar apenas 5 para ele (que anda tão cansado)?
As mulheres que assim são, existem mesmo! São genuínas. Não mentem nem fazem, como se ouve por aí, para depois dizer que fazem. Amam. Dão tudo. São felizes assim. A cuidar, mimar, tratar, nutrir, bem-querer. Mas gostam de reconhecimento, não de agradecimento. RECONHECIMENTO. O amor que sentem, define-as. Porque acreditam no que lhes dizem, nas promessas siciadas de protecção de um amor-para-sempre indestrutível e inderrubável. Palermas são pois não aprendem NUNCA a acreditar, sim, no que vêem e não no que ouvem.
Não olvidada esta máxima, tão mais facilitada a vida. Palavras leva-as o vento, toda a vida se ouviu dizer. E se as palavras não condizem com o que vemos ser feito, qual é a dúvida??? A culpa é nossa e só nossa. As consequências também, porque quem diz o que não sente, age em conformidade com isso e o sofrimento incutido nos outros que os amam passa ligeira e com tamanha leveza esfumaçando promessas vãs feitas sem pensar ou sentir, desejos fortuitos compreendidos como para toda a vida que, para nós, era longa e eterna. Tudo acaba, de forma abrupta, sem direito a explicação, respeito, consideração pelo amor vociferado, nunca sentido como outrora interpretámos. Matam-nos as esperanças, dilaceram-nos projectos, esquartejam-nos o que pensámos ter havido de bom e dizem-nos que nunca existiu e que nunca bastou!!
Não teremos vivido ambos a mesma vida?, não teremos passado pelas mesmas experiências?. Não teremos habitado a mesma casa,partilhado famílias, sofá, mesa e cama? Não. Um disse o que nunca chegou a sentir, falou do que nunca esteve disposto a fazer, prometeu o que nunca fez tenção de cumprir. Outro interpretou à letra e junto ao peito o que entendeu e acreditou ser verdadeiro, sem coragem para jamais pôr em causa. Na ruptura, um está repleto de certezas e sem recordações, outro aprende a viver vazio de translúcidas memórias não esquecidas.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
(Recém) vida de uma (recém) mãe (recém) solteira
Ainda está fresca numa expectante e feliz memória a imagem de mulher sentada na sanita à espera de um resultado que a medo, muito medo se desejava positivo. Não podia crer que pudesse acontecer-lhe ficar de esperanças assim, tão fácil quando há já tento tempo se mentalizara que poderia amar filhos de outro e nunca um seu a que pudesse ousar chamar ‘de verdade’. Dez minutos depois de testado o fio amarelo escorrido por um pauzinho adivinhatório conseguiria descortinar se o destino lhe reservara o sinal – ou +. Mas quais dez minutos!....um minuto depois apresentou-se um +. Incrédula, leu e releu as instruções. Virou-as de trás para a frente, de cabeça para baixo. Depressa pensou ‘deve ser assim... aparece o +, mas passados dez minutos passa para –‘. Esperou, fumou e, esperou....mais de meia hora! duas priscas mais tarde, resolveu levantar-se da sanita ao mesmo tempo que absorvia a inacreditável notícia....estava GRÁVIDA.
Um turbilhão de emoções afloraram em cada poro, em cada pêlo. Estava apavoradamente feliz. Tanta inveja tinha sentido da irmã, sabedora de uma gravidez sem contar, apenas pouco mais de uma semana antes. A primeira pessoa a quem ligou, inusitadamente, foi ao futuro cunhado. Tinha sido o prenunciador: fora por seu incentivo que, naquele dia, ao final da tarde, de um penúltimo dia de Dezembro , tinha parado o carro, entrado numa farmácia e comprado o amedrontado teste. O que pensar? O que fazer? Parar de fumar isso era certo e tinha que ser já! Contar a quem? E se não for verdade? Queria acreditar que sim. A vida tinha-lhe trazido um presente de Natal tardio....o melhor de sempre. Será que merecia tamanha oferenda nunca equiparada ao incenso, à mirra e a todo o ouro dos magos? Isso!, muito melhor do que isso, trouxera-lhe o menino.
Depois do primeiro choque, a família. Dois netos, dois sobrinhos, dois filhos....e de uma só vez. Que interessavam, nos tempos de agora, as divergências desencontradas do dia a dia, o desacerto de agulhas que nunca deixaram de apontar no mesmo sentido?, acreditava ela. Era o fim desejado, o culminar de um amor nunca posto em causa, independentemente de tudo. Era a felicidade a abraçar uma casa, a confortar e unir uma família fermentada e acrescentada pelo que de mais precioso pode advir de duas pessoas a amar em uníssono: um filho. Não há lexema, língua ou palavras que expliquem. Esperava-se uma exfusiante resposta. Veio em formato comedido, a medo e decidiu entender-se porquê. Traduziu-se, mais tarde, o verdadeiro e indecifrável motivo. Não esperado ou imaginado. Dilacerante. Escreveu assim por ser esta uma narração omnisciente e omnipresente numa primeira pessoa que prefere deixar este texto assim: aberto, esperançoso, cheio de potencialidades, que pudessem sem reescritas e não tenham sido vividas. Assim.
Um turbilhão de emoções afloraram em cada poro, em cada pêlo. Estava apavoradamente feliz. Tanta inveja tinha sentido da irmã, sabedora de uma gravidez sem contar, apenas pouco mais de uma semana antes. A primeira pessoa a quem ligou, inusitadamente, foi ao futuro cunhado. Tinha sido o prenunciador: fora por seu incentivo que, naquele dia, ao final da tarde, de um penúltimo dia de Dezembro , tinha parado o carro, entrado numa farmácia e comprado o amedrontado teste. O que pensar? O que fazer? Parar de fumar isso era certo e tinha que ser já! Contar a quem? E se não for verdade? Queria acreditar que sim. A vida tinha-lhe trazido um presente de Natal tardio....o melhor de sempre. Será que merecia tamanha oferenda nunca equiparada ao incenso, à mirra e a todo o ouro dos magos? Isso!, muito melhor do que isso, trouxera-lhe o menino.
Depois do primeiro choque, a família. Dois netos, dois sobrinhos, dois filhos....e de uma só vez. Que interessavam, nos tempos de agora, as divergências desencontradas do dia a dia, o desacerto de agulhas que nunca deixaram de apontar no mesmo sentido?, acreditava ela. Era o fim desejado, o culminar de um amor nunca posto em causa, independentemente de tudo. Era a felicidade a abraçar uma casa, a confortar e unir uma família fermentada e acrescentada pelo que de mais precioso pode advir de duas pessoas a amar em uníssono: um filho. Não há lexema, língua ou palavras que expliquem. Esperava-se uma exfusiante resposta. Veio em formato comedido, a medo e decidiu entender-se porquê. Traduziu-se, mais tarde, o verdadeiro e indecifrável motivo. Não esperado ou imaginado. Dilacerante. Escreveu assim por ser esta uma narração omnisciente e omnipresente numa primeira pessoa que prefere deixar este texto assim: aberto, esperançoso, cheio de potencialidades, que pudessem sem reescritas e não tenham sido vividas. Assim.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Há dias que não se esquecem.
Porque um filho nasce,
porque um dependente se liberta,
porque nos despedimos de alguém,
porque uma amiga nos trata,
porque se deixa um emprego,
porque se perde um cão, companheiro de vida.
Porque se quer arrancar o coração do peito,
porque quem amamos adoece,
porque o amor enferma,
porque se quer morrer,
porque se quer viver.
Porque querer não é poder ter
porque chorar pode ser não sofrer
porque rir pode ser esconder.
Porque um dia nos disseram, vais ser feliz
porque um dia provamos não ser assim
porque quem está perto não deixa de estar
porque quem já esteve tivemos que abjurar.
Porque o sol esteve cá e foi um dia bom,
porque a nuvem veio e ficou ruim
porque o tempo apaga
quando há dias assim.
(15 de Abril de 2010 (…) há dias assim)
porque um dependente se liberta,
porque nos despedimos de alguém,
porque uma amiga nos trata,
porque se deixa um emprego,
porque se perde um cão, companheiro de vida.
Porque se quer arrancar o coração do peito,
porque quem amamos adoece,
porque o amor enferma,
porque se quer morrer,
porque se quer viver.
Porque querer não é poder ter
porque chorar pode ser não sofrer
porque rir pode ser esconder.
Porque um dia nos disseram, vais ser feliz
porque um dia provamos não ser assim
porque quem está perto não deixa de estar
porque quem já esteve tivemos que abjurar.
Porque o sol esteve cá e foi um dia bom,
porque a nuvem veio e ficou ruim
porque o tempo apaga
quando há dias assim.
(15 de Abril de 2010 (…) há dias assim)
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Curtas
Sabia que a vida conseguia ser filha-da-puta.
Não sabia era que conseguia sê-lo tanto de uma só vez.
Não sabia era que conseguia sê-lo tanto de uma só vez.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Salva-se a alma
Salvou-se uma alma transformada em duas ou mais, discorrido o devido tempo que amacia e abranda o que não se escolheu e nos foi por mote e divisa própria imposto.
Escolhe-se amar e travam-se batalhas por se achar que não se sabe ou consegue viver do resto. O que sobra e sobeja, aparentemente fraco, é com o que se conta aqui e ali. Despojos de sentimentos de eco-ponto amarrotados e quem sabe reciclados se a vontade, tentação, instigação ou fraqueza o permitirem.
Paga-se para ver, luta-se para ficar ou opta-se por não ceder ou dar mais. Porque não chega, não é suficiente, não se querem pessoas aos gomos, em partes ou em talhadas, rotas, esboroadas, em migalhas. Controla-se onde se pertence ou quer pertencer. Rebentam-se grilhões e cativeiros em nós, mas o jugo da dependência dos outros é mais do que acessório. Fica, é presente, tem vida própria, agride, fere e dói...sempre.
Se a vida fosse SÓ como nós queremos....a luta, a garra com todo o sentido bélico da coisa, seria outra!
Escolhe-se amar e travam-se batalhas por se achar que não se sabe ou consegue viver do resto. O que sobra e sobeja, aparentemente fraco, é com o que se conta aqui e ali. Despojos de sentimentos de eco-ponto amarrotados e quem sabe reciclados se a vontade, tentação, instigação ou fraqueza o permitirem.
Paga-se para ver, luta-se para ficar ou opta-se por não ceder ou dar mais. Porque não chega, não é suficiente, não se querem pessoas aos gomos, em partes ou em talhadas, rotas, esboroadas, em migalhas. Controla-se onde se pertence ou quer pertencer. Rebentam-se grilhões e cativeiros em nós, mas o jugo da dependência dos outros é mais do que acessório. Fica, é presente, tem vida própria, agride, fere e dói...sempre.
Se a vida fosse SÓ como nós queremos....a luta, a garra com todo o sentido bélico da coisa, seria outra!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Gostava que fosse meu
«(...)As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar.
O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...)
Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...)
O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela.
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...)
O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.
Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...)
As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...)
Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»
MEC
O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...)
Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...)
O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela.
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...)
O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.
Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...)
As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...)
Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»
MEC
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