Frase quase obrigatória quando uma gaja adoece e falta um diazinho ao trabalho ‘Então, ‘tás melhorzinha? Ontem não vieste!’. E uma gaja em condições lá tem que explicar a verdade que ‘a diarreia ‘tava que não se podia, que não me aguentava nas canetas. Maldita açorda de gambas que comi ontem’. Ou a verdade nua e crua ou a invenção da desculpa de gaja do costume ‘veio-me o período’. Preferível dizer a verdade, ou não fossem as minhas misérias adoentadas exactamente as mesmas das quais padece qualquer comum mortal.
Também não deixaria de ser verdade se dissesse que as canetas fraquejavam, não só do cansaço de maratonar até à sanita, mas também da estafa do trabalho em excesso e do espírito macaco-de-imitação que parece acompanhá-lo. Podia até, no meio do corredor, entre uma ida à fotocopiadora e a interpelação de um colega ‘saudoso’ ou ‘cusco’ divagar acerca do cansaço. Olhar para o sete estrelo e perder-me numa profunda explicação (sem qualquer interesse para o receptor e apenas com sentido para o emissor...eu própria):
‘... que Portugal continua a ser um país de trabalhadores e cheguem-se para lá os molengões que não merecem o pão que comem. Dos que dão o corpo ao manifesto, há os que são os primeiros a chegar (nem sempre os que levam a recompensa, é um facto), e isso sempre é uma grande compensação. Trata lá tu deste berbicacho, e o chefe a olhar, é preciso provar aos colegas que és tão bom quanto eles; encetas então a tarefa que é árdua, põem-te o trabalho em cima dos ombros e até estes já gemem com o esforço, arreias como um burro porque a ‘carga’ e a responsabilidade são pesadas, os joelhos fraquejam, ranges os dentes, a cabeça a moer, a pilha de papéis à tua volta a aumentar (que já nem miragem tens do colega da frente), retesas os rins, costelas e todos os ossos do corpo sentada naquela malfadada cadeira, bufas porque não vês onde está o ‘gato’ que te ensarilha o que parecia tão fácil, dás murros na mesa quando estavas quase lá e alguma coisa te distraiu ou atrapalhou a tarefa, sentes o sangue aflorar-te na cara, transpiras em bica (vira para a cá a ventoinha que estou quase a acabar) e o relógio tic-tac tic-tac, que há prazo para acabar, e as horas inimigas em trabalho rápido e doloroso de parto. Já só te apetece desistir, mas como dos fracos não reza a história e os olhos dos colegas ‘não vai conseguir; será que está quase?; vai pedir ajuda?; não consegue sozinha...’ aguçam-te o espírito extenuado que vai buscar forças onde não sabe que tem ou existem – e o que pede a cabeça violentada é que desistas, que não aguentas ‘mas quem te mandou a ti dizer que fazias?’, e depois pensas que preferes rebentar a ter que encarar o ‘fracalhota’ – tudo para não ficar mal vista.
Se fosse isto que tivesse saído da boca para fora no meio do tal corredor e no meio da tal ida à fotocopiadora, certamente que quando terminasse a divagação ou devaneio, estava a falar sozinha. O ‘cusco’ já se tinha posto a monte há muito, que fracalhote também não é e há trabalho para fazer.
Fraco o espírito, cansado o físico, abatida ou insípida a resposta, fiquemo-nos pela bela da diarreia, que muitos já padeceram dela – satisfaz-se a cusquice e guarda-se o resto cá dentro para quem verdadeiramente nos ouve. A diarreia não passa de mais um tema de conversa no corredor, como falar do mau ou bom tempo no elevador. Absorventes de tempos mortos e silêncios parados que é preciso aniquilar com um sorriso entredentes ‘Muito obrigada, boa tarde...a chuva não vai embora ou o sol hoje é para todos...blá, blá, blá’.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Mudanças
Poupamos muito tempo quando percorremos um caminho e sabemos, de antemão, o que procuramos. A vida é busca incessante, por vezes ingrata. Tempo é dinheiro, dizem os entendidos. E se no poupar é que está o ganho a partir daqui é só economizar. Os mesmos entendidos apregoam que o dinheiro faz mover o mundo. Discordo, totalmente. O AMOR faz mover o mundo. Seja o amor pelo níquel ou aquele que sentimos uns pelos outros.
A receita?....bem, não há receitas. É aceitar que nem todos as dádivas da vida são boas. Lutar pelas que valem a pena e consentir com o que não se pode mudar. O caminho que queremos é o amor. Ninguém vive sem ele e toda a gente o procura. Uns conseguem-no sem muito procurar, é antes ele que os encontra. Outros há que vasculham até em baixo do último calhau do caminho e nada. Se todos os caminhos vão dar a Roma (já percorri a minha rua de fio a pavio e não cheguei lá!), nem todos os percursos vão dar ao Amor.
Alguém criou o homem e a mulher e depois, certamente entediado, criou este sentimento sem o qual nos sentimos sem Norte. É a única explicação plausível. Não há receita, mas há ditado popular que diz que quem busca sempre alcança. Se o alcance é o que sonhámos? Pode não ser. Mas o que sonhámos na infância não é o mesmo que na idade adulta. Começámos por querer a ficção do príncipe encantado que nos alforria da masmorra em cavalo alado e nos faz voar pelos céus do bem-querer e do afecto. Quando percebemos, já espigadotes, que o príncipe pode até ser o sapo ou a rã, mas tem uma certa piada e nos faz sentir bem...que se lixe o ‘imperador’ e venha o anfíbio esverdeado.
Aprendemos a lidar com aquilo que temos, a escapar do mal que já vivemos e a valorizar quem nos acompanha SÓ porque se sente bem com o nosso sorriso. Às vezes, está ali mesmo ao nosso ladinho e nem demos conta. Anos a fio, cegos com o vislumbre e encandeamento do sonho, um dia, felizmente, acordados para a realidade.
Capacitemo-nos que o ‘grande’ problema que podemos sentir que temos hoje entre mãos, entre braços e entre pés (ou tudo misturado - não tivéssemos nós grande capacidade para empolar e pôr pilhas no que está mal) pode desaparecer num ápice como amendoim em tromba de elefante, tragado em menos de dez segundos, com direito a toque de sineta. Basta, para isso, que olhemos à nossa volta e deixemos que ‘estranhos’ nos amem e aceitemos esse amor como convite para uma coisa maior.
Escutei, incessantemente, enquanto petiz ‘Não fales com estranhos ou com pessoas que não conheces’. Hoje penso, “É dos ‘conhecidos’ que devemos ter medo. São esses que nos fazem mal, com a nossa inocente ‘conivência’”. Ensinamentos distintos (mas nem tanto assim) que só com o passar dos anos e, felizmente, só com a convivência com pessoas de algum calibre passamos a compreender.
A receita?....bem, não há receitas. É aceitar que nem todos as dádivas da vida são boas. Lutar pelas que valem a pena e consentir com o que não se pode mudar. O caminho que queremos é o amor. Ninguém vive sem ele e toda a gente o procura. Uns conseguem-no sem muito procurar, é antes ele que os encontra. Outros há que vasculham até em baixo do último calhau do caminho e nada. Se todos os caminhos vão dar a Roma (já percorri a minha rua de fio a pavio e não cheguei lá!), nem todos os percursos vão dar ao Amor.
Alguém criou o homem e a mulher e depois, certamente entediado, criou este sentimento sem o qual nos sentimos sem Norte. É a única explicação plausível. Não há receita, mas há ditado popular que diz que quem busca sempre alcança. Se o alcance é o que sonhámos? Pode não ser. Mas o que sonhámos na infância não é o mesmo que na idade adulta. Começámos por querer a ficção do príncipe encantado que nos alforria da masmorra em cavalo alado e nos faz voar pelos céus do bem-querer e do afecto. Quando percebemos, já espigadotes, que o príncipe pode até ser o sapo ou a rã, mas tem uma certa piada e nos faz sentir bem...que se lixe o ‘imperador’ e venha o anfíbio esverdeado.
Aprendemos a lidar com aquilo que temos, a escapar do mal que já vivemos e a valorizar quem nos acompanha SÓ porque se sente bem com o nosso sorriso. Às vezes, está ali mesmo ao nosso ladinho e nem demos conta. Anos a fio, cegos com o vislumbre e encandeamento do sonho, um dia, felizmente, acordados para a realidade.
Capacitemo-nos que o ‘grande’ problema que podemos sentir que temos hoje entre mãos, entre braços e entre pés (ou tudo misturado - não tivéssemos nós grande capacidade para empolar e pôr pilhas no que está mal) pode desaparecer num ápice como amendoim em tromba de elefante, tragado em menos de dez segundos, com direito a toque de sineta. Basta, para isso, que olhemos à nossa volta e deixemos que ‘estranhos’ nos amem e aceitemos esse amor como convite para uma coisa maior.
Escutei, incessantemente, enquanto petiz ‘Não fales com estranhos ou com pessoas que não conheces’. Hoje penso, “É dos ‘conhecidos’ que devemos ter medo. São esses que nos fazem mal, com a nossa inocente ‘conivência’”. Ensinamentos distintos (mas nem tanto assim) que só com o passar dos anos e, felizmente, só com a convivência com pessoas de algum calibre passamos a compreender.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Portuguese pride
Cada povo tende a orgulhar-se da sua pátria à sua maneira e por diferentes motivos. Pelo menos, a maioria dos seus habitantes, já que alguns não se envaidecem ou entusiasmam por coisíssima nenhuma.
Já se falou aqui do brio nacional português. Há coisas que nos identificam ou que fazem com que nos reconheçamos, embevecidamente, como portugueses purinhos de gema: a rica gastronomia, o esplêndido sol do Algarve, o fado choradinho e a saudade (tudo sobejamente conhecido e apreciado além fronteiras ou, pelo menos, assim o queremos ver).
Poderíamos, ainda, acrescentar as características que gostamos de ‘vender’ aos outros que caracterizam a populaça deste cantinho à bordinha do mar assentado: os epítetos de descobridores, exploradores, aventureiros, conquistadores. Tudo verdade, HÁ UMA PORRADA de anos atrás! Desde há séculos, tem vindo a ser perder, perder, perder. Conquistar que é bom, nadinha de nada!
Já foi tempo. Agora também está tudo descoberto, não há recantos desconhecidos. Já tudo tem dono e os donos do mundo são…os donos do mundo e vão manter-se assim. A encontrar alguma coisa, serão mesmo os grandes a descobrir o que ainda podem ‘roubar’ (de colónias, ilhas e afins) aos pequenitos COMO NÓS. Depois de Macau, nada mais há de relevante para ‘levar’ daqui.
O fado português colou-se, imensamente, a nós e explica muitíssimo o nosso povo: cantiga de taberna, trova de sofrimento mais que sofrido, de tristeza de alma, de queixume e de lamúria, de pranto e choro desgarrado, de SAUDADE e mal de amor, de lavadeiras e pescadores e tudo o mais que está ligado ao mar, ao rio e às lágrimas. Dá para perceber que não sou fã de fado. Temos excelentes vozes, mas tenho preferência por registos musicais diferentes. Com choradinhos mais actuais sem tanto mofo. O mundo tem ‘problemas’ de hoje que pedem para ser cantados, para quê, continuamente, ‘chorar’ a dor de ontem? O fado modernizou-se alguma coisa (só na idade de quem o canta ou toca, basicamente), mas tem sempre um quê de ‘revisitância’ do passado, da Coimbra dos estudantes, da Lisboa e da Madragoa e, como não podia deixar de ser, da SAUDADE.
E, já agora, o que é que tem de especial termos uma palavra no nosso léxico, que ‘os outros’ não têm, para exprimir a falta que sentimos de alguém????!!!!! Uhhhhh… que especial! Que coisa fantástica e super fenomenal! Sim porque nós ‘temos saudade’ e os outros têm o ‘I miss you’ (sinto a tua falta) ou o ‘j’ai besoin de toi’ (preciso de ti) entre muitas outras expressões congéneres. Pensem bem o que é que preferiam? Que se lixe a palavra saudade, eu prefiro que me digam tudo o resto sem ser compactado numa única palavrinha! :)
Já se falou aqui do brio nacional português. Há coisas que nos identificam ou que fazem com que nos reconheçamos, embevecidamente, como portugueses purinhos de gema: a rica gastronomia, o esplêndido sol do Algarve, o fado choradinho e a saudade (tudo sobejamente conhecido e apreciado além fronteiras ou, pelo menos, assim o queremos ver).
Poderíamos, ainda, acrescentar as características que gostamos de ‘vender’ aos outros que caracterizam a populaça deste cantinho à bordinha do mar assentado: os epítetos de descobridores, exploradores, aventureiros, conquistadores. Tudo verdade, HÁ UMA PORRADA de anos atrás! Desde há séculos, tem vindo a ser perder, perder, perder. Conquistar que é bom, nadinha de nada!
Já foi tempo. Agora também está tudo descoberto, não há recantos desconhecidos. Já tudo tem dono e os donos do mundo são…os donos do mundo e vão manter-se assim. A encontrar alguma coisa, serão mesmo os grandes a descobrir o que ainda podem ‘roubar’ (de colónias, ilhas e afins) aos pequenitos COMO NÓS. Depois de Macau, nada mais há de relevante para ‘levar’ daqui.
O fado português colou-se, imensamente, a nós e explica muitíssimo o nosso povo: cantiga de taberna, trova de sofrimento mais que sofrido, de tristeza de alma, de queixume e de lamúria, de pranto e choro desgarrado, de SAUDADE e mal de amor, de lavadeiras e pescadores e tudo o mais que está ligado ao mar, ao rio e às lágrimas. Dá para perceber que não sou fã de fado. Temos excelentes vozes, mas tenho preferência por registos musicais diferentes. Com choradinhos mais actuais sem tanto mofo. O mundo tem ‘problemas’ de hoje que pedem para ser cantados, para quê, continuamente, ‘chorar’ a dor de ontem? O fado modernizou-se alguma coisa (só na idade de quem o canta ou toca, basicamente), mas tem sempre um quê de ‘revisitância’ do passado, da Coimbra dos estudantes, da Lisboa e da Madragoa e, como não podia deixar de ser, da SAUDADE.
E, já agora, o que é que tem de especial termos uma palavra no nosso léxico, que ‘os outros’ não têm, para exprimir a falta que sentimos de alguém????!!!!! Uhhhhh… que especial! Que coisa fantástica e super fenomenal! Sim porque nós ‘temos saudade’ e os outros têm o ‘I miss you’ (sinto a tua falta) ou o ‘j’ai besoin de toi’ (preciso de ti) entre muitas outras expressões congéneres. Pensem bem o que é que preferiam? Que se lixe a palavra saudade, eu prefiro que me digam tudo o resto sem ser compactado numa única palavrinha! :)
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Atraso de mundo
Eu sei.
É tabu. Pschhhhh.
Não se deve (ou evita-se) falar do assunto: racismo.
Instituiu-se, não sei bem onde, que as pessoas tinham raças diferentes e que se distinguiam pela cor da pele: brancos, amarelos, pretos e vermelhos.
A palavra distinção é a mais usada. Quanto a mim forte de mais por vincar excessivamente a diferença ou desigualdade. Já foi, também, dito por aqui, algures, que diferentes...diferentes só mesmo no exterior, pois o Criador de quem tanto se fala, fez-nos (por dentro) iguaizinhos.
Já que levamos com este assunto, desde que eu era um pingo de gente, preciso de dizer que ainda somos, grosso modo, uma cambada de coniventes com as desigualdades (ao invés de aceitarmos que estas diferenças culturais nos tornam, apenas, muito mais ‘ricos’).
Comecemos pelos nomes que damos às pessoas. Ninguém sente constrangimento por dizer ‘o branco, o caucasiano, o Europeu...’, ou por dizer ‘o chinês, o oriental...’, ‘o índio, o indígena...’, mas quando chegamos aos ‘filhos’ ou descendentes de África não sabemos muito bem o que dizer. Evitamos o preto (achamos muito ofensivo e até abusivo – alguns (os escroques) talvez não). Preferimos dizer ‘o de cor’, ‘o escurinho’, ‘o negro’. Se perguntarmos à maioria deles, certamente entenderíamos que preferem ser chamados de pretos, apenas porque foi assim instituído e porque a parte depreciativa que esta palavra tem nas sociedades de ontem, hoje e sempre, fomos nós, ‘bejes’ ,que a criámos.
Falo por mim. Gosto de pretos. Tenho amigos e familiares com esta descendência. Adoro a forma como esta ‘raça’ vive a sua vida. Um povo sofrido, mas alegre, ‘boa onda’ (com excelentes criadores e educadores musicais), lutador e que mais do que nenhum outro, espalhado pelos cinco (continentes) cantos do mundo, teve que conquistar a sangue, suor e lágrimas o tão pouco a que tem direito, hoje.
Melhorámos muito, nós os ‘bejes’. Há uns anos atrás não socializavamos com eles. Fazíamos questão de os ostracizar e ‘perseguir’ nas escolas, nos empregos, nos transportes, na saúde, na televisão, no desporto. Portas abertas para nós e quase sempre fechadas para eles. Oportunismo para nós e falta de oportunidades para eles. Infelizmente, muito racismo anda ainda camuflado. Outro anda às escancaras e ninguém se importa com isso.
Tenho alguns bons conselhos para a sua ‘boa’ sobrevivência ao preconceito instalado na nossa (muitas vezes, vergonhosa) sociedade:
. Não comprem carros muito caros (sobe a probabilidade de serem mandados parar pela polícia por acharem que o carro foi roubado – por vós!);
. Não entrem em lojas com sobretudos ou casacos enchumaçados (é provável que pensem que estão a preparar-se para um assalto ou outra coisa pior – se insistirem nisto, o ideal será andarem nus por baixo da gabardine. Evita o incómodo de terem que ser revistados depois);
. Não frequentem locais muito chiques (é provável que vos atendam mal por pensarem que não têm dinheiro para pagar a conta;
. Casem com um(a) ‘beje’ (assim procriam filhos mulatos (quase ‘bejes’) e difundem a vossa bela raça – um dia estarão em maioria);
. Não saiam à noite (se houver balbúrdia e vocês forem a passar perto, digamos num raio de 10 km, vocês serão os principais suspeitos e ganham o prémio de difusão do vosso retrato robot em revistas, jornais, nos pacotes de leite, esquadras de polícia e na internet);
. Comprem aulas de dicção quando estiverem há pouco tempo num país que não o vosso de origem (evitam juízos de valor racistas, pelo menos, ao telefone).
Obviamente que esta lista é uma aberração e para as pessoas bem formadas é inconcebível, mas infelizmente espelha o que se passa por aí.
É tabu. Pschhhhh.
Não se deve (ou evita-se) falar do assunto: racismo.
Instituiu-se, não sei bem onde, que as pessoas tinham raças diferentes e que se distinguiam pela cor da pele: brancos, amarelos, pretos e vermelhos.
A palavra distinção é a mais usada. Quanto a mim forte de mais por vincar excessivamente a diferença ou desigualdade. Já foi, também, dito por aqui, algures, que diferentes...diferentes só mesmo no exterior, pois o Criador de quem tanto se fala, fez-nos (por dentro) iguaizinhos.
Já que levamos com este assunto, desde que eu era um pingo de gente, preciso de dizer que ainda somos, grosso modo, uma cambada de coniventes com as desigualdades (ao invés de aceitarmos que estas diferenças culturais nos tornam, apenas, muito mais ‘ricos’).
Comecemos pelos nomes que damos às pessoas. Ninguém sente constrangimento por dizer ‘o branco, o caucasiano, o Europeu...’, ou por dizer ‘o chinês, o oriental...’, ‘o índio, o indígena...’, mas quando chegamos aos ‘filhos’ ou descendentes de África não sabemos muito bem o que dizer. Evitamos o preto (achamos muito ofensivo e até abusivo – alguns (os escroques) talvez não). Preferimos dizer ‘o de cor’, ‘o escurinho’, ‘o negro’. Se perguntarmos à maioria deles, certamente entenderíamos que preferem ser chamados de pretos, apenas porque foi assim instituído e porque a parte depreciativa que esta palavra tem nas sociedades de ontem, hoje e sempre, fomos nós, ‘bejes’ ,que a criámos.
Falo por mim. Gosto de pretos. Tenho amigos e familiares com esta descendência. Adoro a forma como esta ‘raça’ vive a sua vida. Um povo sofrido, mas alegre, ‘boa onda’ (com excelentes criadores e educadores musicais), lutador e que mais do que nenhum outro, espalhado pelos cinco (continentes) cantos do mundo, teve que conquistar a sangue, suor e lágrimas o tão pouco a que tem direito, hoje.
Melhorámos muito, nós os ‘bejes’. Há uns anos atrás não socializavamos com eles. Fazíamos questão de os ostracizar e ‘perseguir’ nas escolas, nos empregos, nos transportes, na saúde, na televisão, no desporto. Portas abertas para nós e quase sempre fechadas para eles. Oportunismo para nós e falta de oportunidades para eles. Infelizmente, muito racismo anda ainda camuflado. Outro anda às escancaras e ninguém se importa com isso.
Tenho alguns bons conselhos para a sua ‘boa’ sobrevivência ao preconceito instalado na nossa (muitas vezes, vergonhosa) sociedade:
. Não comprem carros muito caros (sobe a probabilidade de serem mandados parar pela polícia por acharem que o carro foi roubado – por vós!);
. Não entrem em lojas com sobretudos ou casacos enchumaçados (é provável que pensem que estão a preparar-se para um assalto ou outra coisa pior – se insistirem nisto, o ideal será andarem nus por baixo da gabardine. Evita o incómodo de terem que ser revistados depois);
. Não frequentem locais muito chiques (é provável que vos atendam mal por pensarem que não têm dinheiro para pagar a conta;
. Casem com um(a) ‘beje’ (assim procriam filhos mulatos (quase ‘bejes’) e difundem a vossa bela raça – um dia estarão em maioria);
. Não saiam à noite (se houver balbúrdia e vocês forem a passar perto, digamos num raio de 10 km, vocês serão os principais suspeitos e ganham o prémio de difusão do vosso retrato robot em revistas, jornais, nos pacotes de leite, esquadras de polícia e na internet);
. Comprem aulas de dicção quando estiverem há pouco tempo num país que não o vosso de origem (evitam juízos de valor racistas, pelo menos, ao telefone).
Obviamente que esta lista é uma aberração e para as pessoas bem formadas é inconcebível, mas infelizmente espelha o que se passa por aí.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Pensamento do dia
One evening's love starts with a kiss. Tonight let's be lovers...say you will.
(DMB - What else?)
(DMB - What else?)
Bom Março musical
A não perder:
The Cure - 8 de Março - Pavilhão Atlântico - Lisboa - 20h - 33€ (plateia em pé).
The Waterboys - 14 de Março - Pavilhão Municipal de Gaia - Gaia - 22h - 10€.
Portishhead - 26 de Março - Coliseu do Porto - Porto - 30€ (plateia em pé).
Bilhetes à venda...já sabem...nos locais habituais.
The Cure - 8 de Março - Pavilhão Atlântico - Lisboa - 20h - 33€ (plateia em pé).
The Waterboys - 14 de Março - Pavilhão Municipal de Gaia - Gaia - 22h - 10€.
Portishhead - 26 de Março - Coliseu do Porto - Porto - 30€ (plateia em pé).
Bilhetes à venda...já sabem...nos locais habituais.
Deixei-me cair tão forte, dentro de ti:
como uma distraída em areia movediça lutando para me libertar, mas sabendo que a certeza era o fim;
como o afogado que vem à tona, vezes sem conta, em golfadas e litradas de água mortais, esbracejantes, derradeiras e sem fôlego.
Estava sentada, serena.
Passaste pela ‘minha porta’, ao meu encontro, disposto a amar-me e com promessas. Quiseste que te amasse e incitaste-me, ‘Fá-lo! Sente-o sem medo!’.
Fiz-te sentir um miúdo, mas sabia que não o eras. E as brincadeiras de menino já não faziam sentido.
Deixei-me cair, tão forte, dentro de ti.
É por isso que, contigo, não posso dizer o que sinto.
Quis ficar, mas pensei (depois de tudo)
‘tenho que sair daqui para fora’
por ter caído, tão profundamente, em ti.
Quis ficar, mas penso
que vou sair daqui.
como uma distraída em areia movediça lutando para me libertar, mas sabendo que a certeza era o fim;
como o afogado que vem à tona, vezes sem conta, em golfadas e litradas de água mortais, esbracejantes, derradeiras e sem fôlego.
Estava sentada, serena.
Passaste pela ‘minha porta’, ao meu encontro, disposto a amar-me e com promessas. Quiseste que te amasse e incitaste-me, ‘Fá-lo! Sente-o sem medo!’.
Fiz-te sentir um miúdo, mas sabia que não o eras. E as brincadeiras de menino já não faziam sentido.
Deixei-me cair, tão forte, dentro de ti.
É por isso que, contigo, não posso dizer o que sinto.
Quis ficar, mas pensei (depois de tudo)
‘tenho que sair daqui para fora’
por ter caído, tão profundamente, em ti.
Quis ficar, mas penso
que vou sair daqui.
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