Os eternos insatisfeitos com a mania de que o não são, são uma imutabilidade constante nesta vida e a suprema ironia do negócio está na posição instável e volúvel que tomam e pela qual regem, com insaciável e ambicioso ceptro, a sua existência.
Têm constante vontade volatilizada de beber e comer até o que não querem ou antes mesmo de saber que na realidade o não querem e se surpreendem, no fim, de alguma vez o terem querido. Não por gula exagerada ou voracidade excessiva, mas por não saberem se é bem disto ou daquilo que necessitam, convencidos que estão de que de tudo carecem.
Tudo lhes acontece, quase sempre nada, mas convencidos de que o Universo está contra e não merecedor do seu talento arreigado, digno amor e benemérito zelo. São sempre melhores e mais benfeitores do que todos os outros, encontrando defeitos nos não-dignos-ou-eternamente-aquém-daquilo-que-são - os falhados.
Que vaidosos ficam quando se convencem disso a expensas de nunca descobrirem as inerentes lacunas da obscuridade pedante e emproada em que vivem, num síndrome de doença auto-imune ou direito-reservado-a-filhos-da-puta-vitimizados-por-encomenda. Porque depois são sempre vítimas e a culpa é sempre dos demais, nunca deles, e por isso estão, naturalmente, escusados de pedir desculpa quando enfiam a pata toda na poça enlodada e arrastam os outros com eles a banhos conspurcados sem nunca terem pedido ou desejado fazê-lo.
A terapia existe e a descontaminação da maleita reside, com base mais do que sustentada, em assumir o papel e a função à qual se devotam com tamanho empenho.
Para quê esconder o que está lá e é visível a todos? Poupam na pseudo camuflagem porque não embusteiam quem nunca se deixou enredar no embuste, nem mesmo aqueles forçosamente destacados e distinguidos para participar (sem o saberem) em tamanhas patranhas.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
É mais do que sina isto que nos obriga a uma vida de fiapos de vida que acorda mal disposta em rotineiros e acostumados ciclos de existência mais às segundas que às terças, mas também às quartas e quintas.
É da idade, ou da escassez de repouso ou hipérbole do mesmo, ou do desassossego nocturno que relaxa depois numa dengosa, ociosa e absolutamente deliciosa preguicite matinal.
Quem me paga a mim o que cobro a mim mesma por não ter escoado para a cama mais cedo e ter permitido o descuido do sono velado, assoberbado agora por esta moleza?
O despertador replica, refila e toca em repetitivo protesto uma, duas, três vezes e de dez em dez minutos até esgotar a margem que ainda permite chegarmos apenas e SÓ dez minutos atrasados. Apetece uma constipação ou uma gastro-qualquer-coisa repentina daquelas que não matam, mas moem e são permissivas para o ‘ficar na cama obrigatório’, sem sentimento pecaminoso de culpa.
Porque custa tanto acordar cedo para trabalhar?
É da idade, ou da escassez de repouso ou hipérbole do mesmo, ou do desassossego nocturno que relaxa depois numa dengosa, ociosa e absolutamente deliciosa preguicite matinal.
Quem me paga a mim o que cobro a mim mesma por não ter escoado para a cama mais cedo e ter permitido o descuido do sono velado, assoberbado agora por esta moleza?
O despertador replica, refila e toca em repetitivo protesto uma, duas, três vezes e de dez em dez minutos até esgotar a margem que ainda permite chegarmos apenas e SÓ dez minutos atrasados. Apetece uma constipação ou uma gastro-qualquer-coisa repentina daquelas que não matam, mas moem e são permissivas para o ‘ficar na cama obrigatório’, sem sentimento pecaminoso de culpa.
Porque custa tanto acordar cedo para trabalhar?
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Things
Que importa se há música boa ou má se o mais importante é como nos faz sentir?
O Sol só não é bom para aqueles que idolatram a chuva.
Fechar as contas a tudo é conversa de contabilistas.
Beijar o que se ama é fazer terapia.
Comer, beber, dormir e evacuar é o essencial na vida.
Que interessa ter um filho e não saber cuidar dele?
Que a vida retribui em duplicado tudo aquilo que lhe damos é pura treta.
Esperar muito das pessoas dá mau resultado.
Nem sempre o dobro de alguma coisa é duas vezes melhor.
O Sol só não é bom para aqueles que idolatram a chuva.
Fechar as contas a tudo é conversa de contabilistas.
Beijar o que se ama é fazer terapia.
Comer, beber, dormir e evacuar é o essencial na vida.
Que interessa ter um filho e não saber cuidar dele?
Que a vida retribui em duplicado tudo aquilo que lhe damos é pura treta.
Esperar muito das pessoas dá mau resultado.
Nem sempre o dobro de alguma coisa é duas vezes melhor.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Protegida
Uma página em branco grita por escrita.
É chão, parede e tecto para preenchermos tudo o que quisermos e desejarmos porque, até à morte, somos invencíveis e o que me ensinaram é que o que não nos mata torna-nos mais fortes (vá-se lá saber o que entende por fraco quem de sua cabeça ou experiência inventou tal sentença e se não estará já morto quem por nada fraqueja).
Enxagua a alma escrevermos o que não podemos dizer aos outros por falta de tempo, juízo ou coragem. Desempacotamos, assim, as amarguras e alegrias agasalhadas e as benquerenças e vontades em nós embrulhadas. Mais importante do que procurar respostas para as questões onde estou?, para onde vou?, é encontrar decifração para ‘o que quero fazer de mim’? É preciso um bom tonel de coragem para absorver e governar o nosso mundo e continuar a viver e sentir que sentimos ao final de cada dia.
O medo passa à porta e quer altear-nos a tranca que nos protege a guarda. Deixa-nos à deriva, com a certeza de perigo que espreita, parco resguardo e débil amparo. À cautela, reforçamos o ferrolho com voltas de chave, robustecemos aldrabas, cerramos janelas e corremos cortinas. Encapotamo-nos por debaixo dos lençóis de uma vida e clamamos sem grito por colo de mãe. O que o temor faz aos homens tornando-nos frágeis como formigas!
É chão, parede e tecto para preenchermos tudo o que quisermos e desejarmos porque, até à morte, somos invencíveis e o que me ensinaram é que o que não nos mata torna-nos mais fortes (vá-se lá saber o que entende por fraco quem de sua cabeça ou experiência inventou tal sentença e se não estará já morto quem por nada fraqueja).
Enxagua a alma escrevermos o que não podemos dizer aos outros por falta de tempo, juízo ou coragem. Desempacotamos, assim, as amarguras e alegrias agasalhadas e as benquerenças e vontades em nós embrulhadas. Mais importante do que procurar respostas para as questões onde estou?, para onde vou?, é encontrar decifração para ‘o que quero fazer de mim’? É preciso um bom tonel de coragem para absorver e governar o nosso mundo e continuar a viver e sentir que sentimos ao final de cada dia.
O medo passa à porta e quer altear-nos a tranca que nos protege a guarda. Deixa-nos à deriva, com a certeza de perigo que espreita, parco resguardo e débil amparo. À cautela, reforçamos o ferrolho com voltas de chave, robustecemos aldrabas, cerramos janelas e corremos cortinas. Encapotamo-nos por debaixo dos lençóis de uma vida e clamamos sem grito por colo de mãe. O que o temor faz aos homens tornando-nos frágeis como formigas!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
A Cegueira
Venho aqui de passagem só para agradecer ao Exmo. Sr. Fernando Meireles a obra-prima que fez na adaptação para o cinema da obra-prima-mãe que é o livro O Ensaio sobre a cegueira de José Saramago.
Fico-lhe, eterna e inusitadamente, reconhecida (mesmo não conhecendo o Sr. de parte nenhuma!) por ter conseguido, de uma forma perfeita e exemplar, captar o âmago da obra do Mestre literário, (que para mim é) o Excelentíssimo Senhor José Saramago. E tão raras vezes isso acontece! Quem realiza um filme fá-lo, comummente, com uma prioridade - ter sucesso através de reconhecimento fácil, assim como multiplicar, exponencialmente, o capital gasto na realização da película com a venda de bilhetes. Há décadas que o sucesso dos filmes é avaliado pelos valores arrecadados nas bilheteiras e essa valia é tão maior ou mais importante quando é alcançada em tempo record. A audácia que lhe sobrou ao escolher uma 'Senhora-Obra' desta envergadura para traduzir em imagem cinematográfica, escasseou na forma como o filme é, de facto, vertido para o ecrã, sem grande tratamento de imagem ou efeitos especiais e a parecer o que um filme deve parecer…..real!
Foi há uns largos anos que começou a minha paixão pela escrita deste génio e não há outro epíteto possível! Comecei com o Evangelho segundo Jesus Cristo e fiquei maravilhada. A segunda obra que foi imperativo comprar, após ter lido o resumo na orelha esquerda do livro, foi a que deu o mote a este filme. Fiquei siderada, agarrada mesmo até ……. ao fim da minha vida, basicamente. O modo de escrever é tudo menos convencional (e isso agrada-me), mas o mais incrível são as envolventes e sedutoras histórias e narrações biográficas e não-biográficas. Porque isto é que é importante. Que me interessa a mim que um autor saiba escrever de uma forma clara (para isso há os livros de receitas culinárias!) e simples (mais uma vez….a culinária)?! Eu gosto de uma escrita rebuscada, aprimorada, pretensiosamente verosímil. Que nos troca as voltas e o pensamento e nos surpreende. Saramago é genial porque arrisca, não receia, não duvida. Diz, escreve e faz o que pensa. No fim de cada página, capítulo, livro a reacção é sempre a mesma – a sensação de que estivemos a léguas marítimas do desfecho da história e sempre a ‘velejar na maionese’!
Não condeno e até invejo os que nunca o leram. Porquê?
Porque é ancião e já escreveu tudo o que a idade permitiu, os que o não leram têm sorte….ainda o podem descobrir. Já me falta pouco do que dele não li. Mas faço parte daqueles que, por lhe terem tanto apreço e estima, não querem ler o que falta tão cedo a fim de fazer durar tão elevado e excelso prazer. Dos que lhe leram umas palavras e dizem que não gostam ou simplesmente não lêem porque não concordam com as suas ideologias políticas e/ou religiosas….o que posso dizer? Esses, sim, estão cegos e não têm olhos de ler.
Fico-lhe, eterna e inusitadamente, reconhecida (mesmo não conhecendo o Sr. de parte nenhuma!) por ter conseguido, de uma forma perfeita e exemplar, captar o âmago da obra do Mestre literário, (que para mim é) o Excelentíssimo Senhor José Saramago. E tão raras vezes isso acontece! Quem realiza um filme fá-lo, comummente, com uma prioridade - ter sucesso através de reconhecimento fácil, assim como multiplicar, exponencialmente, o capital gasto na realização da película com a venda de bilhetes. Há décadas que o sucesso dos filmes é avaliado pelos valores arrecadados nas bilheteiras e essa valia é tão maior ou mais importante quando é alcançada em tempo record. A audácia que lhe sobrou ao escolher uma 'Senhora-Obra' desta envergadura para traduzir em imagem cinematográfica, escasseou na forma como o filme é, de facto, vertido para o ecrã, sem grande tratamento de imagem ou efeitos especiais e a parecer o que um filme deve parecer…..real!
Foi há uns largos anos que começou a minha paixão pela escrita deste génio e não há outro epíteto possível! Comecei com o Evangelho segundo Jesus Cristo e fiquei maravilhada. A segunda obra que foi imperativo comprar, após ter lido o resumo na orelha esquerda do livro, foi a que deu o mote a este filme. Fiquei siderada, agarrada mesmo até ……. ao fim da minha vida, basicamente. O modo de escrever é tudo menos convencional (e isso agrada-me), mas o mais incrível são as envolventes e sedutoras histórias e narrações biográficas e não-biográficas. Porque isto é que é importante. Que me interessa a mim que um autor saiba escrever de uma forma clara (para isso há os livros de receitas culinárias!) e simples (mais uma vez….a culinária)?! Eu gosto de uma escrita rebuscada, aprimorada, pretensiosamente verosímil. Que nos troca as voltas e o pensamento e nos surpreende. Saramago é genial porque arrisca, não receia, não duvida. Diz, escreve e faz o que pensa. No fim de cada página, capítulo, livro a reacção é sempre a mesma – a sensação de que estivemos a léguas marítimas do desfecho da história e sempre a ‘velejar na maionese’!
Não condeno e até invejo os que nunca o leram. Porquê?
Porque é ancião e já escreveu tudo o que a idade permitiu, os que o não leram têm sorte….ainda o podem descobrir. Já me falta pouco do que dele não li. Mas faço parte daqueles que, por lhe terem tanto apreço e estima, não querem ler o que falta tão cedo a fim de fazer durar tão elevado e excelso prazer. Dos que lhe leram umas palavras e dizem que não gostam ou simplesmente não lêem porque não concordam com as suas ideologias políticas e/ou religiosas….o que posso dizer? Esses, sim, estão cegos e não têm olhos de ler.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Untitled
E tinha valido a pena, naquele tempo e talvez, quem sabe, hoje
Depois dos fins de tarde, da praia, do sol e das férias...
Entre amor clandestino e fogoso e palavras doces de apego
Hoje, teria valido a pena.
Tinha valido a pena ter encerrado a discussão num abraço
Ter-se amassado tudo e espremido o melhor
Ignorado o que era apenas anexo
Emoldurado o que foi superior.
Tinha valido a pena.
Não tivessem os dois a cabeça casmurra
Menos amor que o devido para oferecer
Menos desmerecido orgulho para dar e vender,
Oh tempo gasto a viver para sofrer.
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